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Review: A Desolação de Smaug, dos fãs, da obra e minha

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O Hobbit: A Desolação de Smaug finalmente chegou ao cinema no dia 13 de Dezembro do ano passado, depois de ter feito os fãs ansiarem desesperadamente com os três trailers lançados que eram de arrepiar toda a espinha. O filme era com certeza um dos mais aguardados do ano, e muitas pessoas esperaram o dia 13 de Dezembro chegar contando os dias para um resultado final que é visualmente impactante, bonito e bem trabalhado, estrategicamente lucrativo, mas devastadoramente tedioso, arrastado e decepcionante.

Todos sabem que essa nova trilogia de Peter Jackson no Universo de Tolkien é baseada no livro de único volume O Hobbit, que varia entre 300 a 400 páginas, dependendo da edição. Logo, a decisão do diretor de produzir três filmes em cima da obra, logo de cara, nos fez entender qual era sua real intenção com esse novo projeto: ganhar dinheiro.

Não que não haja coisas para explorar dentro do livro. Isso há, e muito. Mas três filmes é um exagero. Uma história que poderia ser muito bem contada em um longa com duração de 3 horas seria aceitável se fosse estendido para dois filmes com durações semelhantes, mas três fizeram muitas pessoas ficar com um pé atrás e esperar algo superficial, apenas para fins lucrativos.

No primeiro filme, alguns elementos foram introduzidos ao que era originalmente a história dos anões, acompanhados por um mago e um hobbit, em busca das terras e do tesouro, antes pertencentes aos anões, que o terrível dragão Smaug havia se apossado de forma brutal e tirana. Esses elementos foram totalmente plausíveis analisados de um determinado ponto de vista. Sempre que você vai ao cinema ver uma adaptação de um livro, tem que ter em mente que literatura e cinema são dois universos completamente diferentes. Duas mídias que têm maneiras distintas de transmitir sua mensagem e causar impacto em quem as consume. Para deixar claro, posso citar o encontro do Baurog com Gandalf em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Originalmente, Tolkien descreveu a cena em que o Baurog quer mostrar seu poder de maneira contrária a que vimos adaptada nas telonas. As chamas diminuíam no ambiente e a escuridão tomava conta do lugar, envolvendo o Baurog e o mago cinzento. No filme, vimos o contrário: o fogo brilhou na tela. E isso foi mais impactante. Simplesmente porque em um livro trabalha-se o imaginário, e em um filme o visual. E é visualmente mais interessante e impactante mostrar chamas consumindo o lugar, do que sombras.

Por isso e por outros motivos, aceitamos a presença de orcs durante a jornada dos anões. Isso cria um certo problema com o qual os personagens têm que lidar, ao contrário do livro, em que eles simplesmente andam e têm seu caminho barrado algumas vezes. Aceitamos também algumas modificações em certas cenas icônicas do livro, como as do capítulo “Charadas no Escuro”, em que Bilbo encontra Gollum na montanha dos goblins. Assim como meu exemplo anterior, nessa cena foi visualmente mais interessante deixar o ambiente claro do que colocar os dos personagens no escuro completo. Para o cinema, a opção foi correta.


Mas chegando mais ou menos na metade do livro, encontramos a parte da trama na qual o segundo filme foi baseada. E, para mim, pareceu que os roteiristas rasgaram ou perderam essa parte da obra de Tolkien. Tínhamos algumas partes que podemos dizer serem de extrema importância para os fãs, que leram e esperaram tanto ver certas coisas no cinema. O encontro com Beorn, por exemplo. O ataque das aranhas e o encontro com os Elfos da Floresta. E a chegada à Cidade do Lago. Na realidade, essa parte do livro girava em torno disso, praticamente. E isso, como é de se imaginar, não seria o suficiente para fazer um filme. Mas aí veio o erro. A opção tomada não foi a de se aprofundar dentro desses elementos da trama inicial, e sim a de inserir novos, e isso tornou o filme quase inteiramente desnecessário.

Sobre o encontro com Beorn: decepcionante. Um dos personagens mais marcantes do livro teve sua presença resumida, além de ridiculamente adaptada para ter uma tensão desnecessária. Uma das partes do livro que merece ser analisada à parte pela sua genialidade foi jogada fora completamente. Quem leu o livro sabe que cria-se um momento engraçado, mas ao mesmo tempo tenso, com uma aflição sem igual. A comicidade se deve à resolução de Gandalf quando se depara com o problema de apresentar um grande número de anões entrando na casa de Beorn. Esse diálogo icônico não foi para os cinemas, e eu pude ver logo aí que existiam grandes chances do resto do filme ser assim.

O encontro com as aranhas veio em seguida e me deu uma ponta de esperança para o resto do longa. Como eu mencionei antes, os efeitos visuais foram impecáveis e as cenas de ação excelentes, por isso não havia como errar aqui. Mas como um filme não se sustenta apenas com efeitos especiais bonitos, o pico atingido pela batalha contra as aranhas foi logo abaixo com a chegada dos elfos. Novamente, uma oportunidade de manter a genialidade inicial da obra foi não só perdida como amassada e jogada no lixo. A maneira como os elfos atraíam os anões para fora da trilha simplesmente não existiu, e a partir daí tomei nota em relação ao restante do filme: não há como recuperar.

A presença de Legolas, que seria uma jogada muito bacana se fosse apenas para agradar os fãs mostrando um rosto amigo, acabou tornando-se exagerada. O personagem não existe na obra original, e aqui tornou-se quase um protagonista. Isso não seria ruim se fosse bem aproveitado, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O elfo, filho do rei dos elfos da floresta, envolve-se em um triângulo amoroso em que uma elfa está envolvida e, sim, pasmem, também um anão. Um triângulo amoroso entre dois elfos e um anão.

E toda a parte envolvendo elfos foi estendida desnecessariamente. Cenas de luta contra os orcs e a fuga dos anões foram realmente bonitas de se ver, mas a essa altura você já tinha sacado que tudo isso era só para te enrolar.

E aí veio um dos principais problemas do filme. Nós vemos o que Gandalf vai fazer quando ele se despede do grupo dos anões, logo antes da batalha com as aranhas. No livro, ficamos nos perguntando o que teria acontecido de tão urgente para o mago ter que se retirar da aventura, e um Necromante é apenas mencionado. Aqui, vemos o que parece ser uma prequel aos filmes do Senhor dos Anéis. Não só descobrimos o que Gandalf foi fazer, o que tira o mistério e a magia da relação do Hobbit com O Senhor dos Anéis, como vemos também o próprio Sauron, personagem que nem em O Senhor dos Anéis, onde é o vilão, não chegamos a ver propriamente. Isso foi decepcionante porque, originalmente, a única relação entre o Hobbit e O Senhor dos Anéis era O Um Anel, encontrado por Bilbo e depois passado para Frodo, e isso dava certa independência para as duas histórias, que funcionavam muito bem sozinhas. Agora, O Hobbit parece apenas uma introdução aos eventos de O Senhor dos Anéis, e a oportunidade de deixar no ar a pergunta 'quem seria o necromante?', foi jogada fora. Além disso, sabendo o que Gandalf foi fazer, perdemos o mistério e o tom até mesmo cômico em volta do personagem que tivemos lendo o livro e é possível notar que tudo isso foi só para ganhar alguns minutos de filme e a chance de exibir alguns efeitos visuais.


Depois da fuga dos anões do reino élfico na floresta, temos a chegada à Cidade do Lago, lugar habitado por humanos. Sua recepção não é tão calorosa quanto no livro, mas isso é possível compreender, porque essa modificação foi bem executada, uma vez que um clima de tensão é gerado sem mudar muita coisa, o que foi um ponto positivo. A dificuldade dos anões nessa parte esteve em: entrar na cidade atravessando o Lago, sem serem percebidos.

Já dentro da cidade, conhecemos um pouco os habitantes de lá e do nosso futuro herói Bard, o que eu vi como algo bastante agradável, porque esse era realmente um ponto que merecia ser explorado e aprofundado na obra. Uma certa rivalidade cria-se entre Bard e Thorin, e tudo é construído com excelência para os acontecimentos que estariam por vir. Mas aí vem outro erro grotesco. Depois da partida dos anões para a Montanha Solitária, onde encontra-se o dragão Smaug e seu tesouro, Orcs invadem a cidade sem serem percebidos, rastejando pelos telhados das casas. Qual tinha sido a dificuldade dos anões inicialmente? Entrarem sem serem percebidos. E os anões que se mostraram bastante furtivos até então não conseguiram realizar a tarefa sem terem que se esconder dentro de barris cheios de peixe. Como então, orcs, que não são criaturas nem um pouco furtivas e silenciosas, conseguiram entrar na cidade e locomoverem-se pelos telhados das casas sem serem percebidos? Seriam esses orcs ninjas?

Três anões haviam ficado para trás: Fili, Kili e Bofur. Legolas e Taurien, os dois elfos que protagonizam o triângulo amoroso ao lado de Kili, aparecem na cidade e lutam contra os orcs. Isso enquanto o restante dos anões, acompanhados por Bilbo, tentam entrar na terrível Montanha Solitária.

Bilbo. E esse nome foi mencionado por mim só agora. Pois é, o personagem, originalmente considerado um protagonista, foi ofuscado pelo brilho dos elfos e das cenas desnecessárias. Algumas cenas mostraram que o personagem teve sim extrema importância na jornada dos anões, mas sua participação não passou disso.

Bom, e para encerrar, já dentro da Montanha, vemos o encontro do hobbit com o terrível dragão Smaug. O momento tão aguardado chega e o dragão, descrito por Tolkien como uma criatura belíssima, é revelado, com a voz vibrante de Bennedict Cumberbatch. Tudo é perfeito até que os anões entram no salão do tesouro para ir atrás de Bilbo, o que não tinha no livro antes. E isso gera uma batalha extremamente cansativa e resumida apenas a efeitos especiais bem trabalhados, levando o filme ao seu fim, com o grandioso dragão dirigindo-se para a Cidade do Lago, que é para onde levará destruição.

Sai da sala com vontade de não ver o próximo na estreia. Talvez nem no cinema. Confiei em Peter Jackson achando que o filme não teria cenas desnecessárias para preencher lacunas deixadas depois da decisão de transformar a história numa trilogia, mas isso foi praticamente a única coisa que vi. Algumas referências ao Senhor dos Anéis que tinham o objetivo cômico acabaram se perdendo quando esse filme se tornou um 'Senhor dos Anéis: O Começo', e o tom gracioso, infantil e aventureiro que os fãs tanto gostavam na obra de Tolkien cedeu lugar a cenas de luta bem feitas. No fim, esse filme pode ser resumido à apenas isso; cenas de luta bem feitas, um triângulo amoroso ridículo, introdução ao Senhor dos Anéis e decepção e desolação dos fãs.

Ok, talvez eu esteja errado em generalizar a opinião de todos, mas a minha e a de algumas pessoas com quem discuti o filme até agora foi exatamente essa. Talvez para aqueles que não tiveram contato com a obra de Tolkien não tenha sido tão ruim. Mas para nós foi.

E o que eu tenho a dizer para concluir é que sou grato ao comprovante escolar, que me possibilitou pagar meia-entrada. Senão eu pediria meu dinheiro de volta.



The Hobbit : The Desolation of Smaug
Diretor: Peter Jackson
País de origem: EUA/Nova Zelândia
Elenco: Martin Freeman, Richard Armitage, Ian McKellen
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Warner Bros.
Duração: 2h45min






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Review: Globo reúne ótimo texto e grande elenco na minissérie/filme “O Tempo e o Vento”

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O Tempo e o Vento foi uma minissérie inspirada na série literária do escritor Érico Veríssimo. Essa saga está dividida em três livros: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961). Na adaptação para a televisão feita por Jayme Monjardim, teve três capítulos. A trama conta a história das famílias Terra e Cambará através das narrações memoriais de Bibiana Terra (Fernanda Montenegro). Ao receber a visita inesperada do falecido esposo, o capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda), os apaixonados relembraram juntos a história do amor deles e como se deu a formação da família Terra Cambará.

Não sou nem um fã da Rede Globo, no entanto devo reconhecer que no quesito qualidade nas suas produções, deixa as outras emissoras do país cheias de recalque. Uma vez que a qualidade das imagens, cenários e abertura estavam impecáveis. A fotografia da série/filme enche os olhos dos telespectadores, tudo foi pensado nos mínimos detalhes, desde a trilha sonora com o tempo correto entre as falas dos personagens até a narração de Bibiana.


 A escolha do elenco foi acertada, cada ator deu o melhor de si para os personagens. Cléo Pires deu vida a Ana Terra, a moça mostra cada vez mais seu talento herdado da mãe, Glória Pires. Cléo interpreta cada história com um toque diferente e especial. Enquanto Thiago Lacerda compôs com maestria o olhar sínico e sorriso irônico do capitão Rodrigo, embora em determinada parte da trama o cinismo e a ironia deram espaço para um homem rude e amargo. O que dizer da mestra Fernanda Montenegro na composição de uma das matriarcas e narradora da história, Bibiana? Na minha humilde opinião, Fernanda Montenegro deu um tom ideal na narração, usou e abusou da sua voz cansada e rouca, ela estava simplesmente perfeita, e deu a Bibiana um olhar triste e melancólico mergulhado nas suas memórias. Marjorie Estiano interpretou Bibiana jovem, ela se saiu bem também ao compor um olhar apaixonado e enfadonho no início e um pouco mais tarde esse olhar ganhou características tristes e melancólicas. 

No geral, gostei de tudo o que assisti. Agora me interessei pelas obras que conta a saga da família de Ana Terra que inspirou a minissérie/filme e lerei todas futuramente. Quero ver novamente, porém na versão fílmica sem esperar capítulo por capítulo. Indico ao filme desde já pra quem gosta de uma boa adaptação literária para o cinema, pois acredito que uma arte complementa a outra e o telespectador só tem a ganhar quando as obras literárias são transpostas para o mundo cinematográfico. 






O Tempo e O Vento
Diretor: Jayme Monjardim
País de Origem: Brasil
Elenco: Fernanda Montenegro, Cléo Pires, Marjorie Estiano
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Globo Filmes
Duração: 02h 07min



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Review: O terror está de volta em "Invocação do Mal"

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E o diretor James Wan aparece mais uma vez para mostrar que terror de verdade não precisa de vários efeitos especiais, mas sim de um enredo de qualidade e, claro, bons sustos (de dar medo)! Após se consagrar com o primeiro Jogos Mortais e Sobrenatural, ele vem provar esse conceito fazendo jus aos clássicos do gênero, que não usavam milhões de dólares para causar emoções no público, em Invocação do Mal. Com um elenco muito bem escalado, tudo parece rodear aos típicos clichês assustadores, porém isso é usado de maneira a realmente causar um impacto maior aos espectadores.

Já no início, uma citação propícia traduz as expectativas de quem anseia por um terror repleto de cenas com sustos contínuos, que se intensificam após a simbólica frase “Baseada em Fatos Reais” – seguido do título da produção com uma ótima escolha de música de fundo, atribuindo notas agudas e graves que são de dar medo. Invocação do Mal decorre dos casos do casal de demonologistas Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), que são convidados a investigar uma suspeita ocorrência de possessão demoníaca numa casa no campo pertencente a um casal com cinco filhas. Até então, nenhuma novidade, afinal já se tornou hábito ter uma casa mal-assombrada, filhos que sentem espíritos e um porão assustador. No entanto, o modo como esses pontos são tratados se tornam essenciais para despertar o interesse do público, assim como as ótimas atuações de Lili Taylor e Ron Livingston como a mãe e pai desesperados por um suporte nessa situação apavorante.



Cada singularidade das pessoas apresentadas ao longo da trama proporciona essa conexão entre para quem “roer as unhas” e gritar “você vai morrer” (“volta para a cama”), principalmente as filhas – que, de maneira geral, antecipam o susto. Para induzir essa percepção, temos um incrível patamar de visões, que partem das câmeras filmadas desde o pescoço do pai até de ponta cabeça – que contribuem para o sentido de ritmo. Vale ressaltar a intensidade que cada aparição expressa em função de ter ou não aqueles sons de suspense. Por falar na trilha sonora, temos que dar todos os méritos aos métodos de tentar prevalecer o silêncio como forma de assustar (mesmo quando o suspense já foi revelado), afinal menos pode ser mais. Outra questão é também a maquiagem, que aqui é adotada de modo bem simples (fantasmas tem rostos pálidos) e remete aos casos clássicos dos filmes de terror – onde causa mais pavor por figuras como Regan de O Exorcista do que os mínimos detalhes seguidos no remake de A Morte do Demônio. Desse modo, as cenas surgem como usuais e retratam algo exibicionista, que motivam a profunda inter-relação entre o espectador e os personagens.

Por fim, é como se todo o clima estimulado pela trama deixe as pessoas asfixiadas por esse medo que tomou conta da família e do casal demonologista e mostra mais um painel de ótimos trabalhos colecionados por James Wan. De qualquer maneira, fique sempre alerta para seus relógios não pararem às 3h07!





The Conjuring
Diretor: James Wan
País de Origem: EUA
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor
Distribuidora: Warner Bros. / New Line Cinema
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 50min

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Review: Preparem-se, pois Selena Gomez vem para encabeçar as pistas com o álbum "Stars Dance"

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Após lançar 3 álbuns evolutivos pelos acompanhados da banda The Scene, Selena Gomez lança agora seu primeiro projeto musical totalmente solo (mas nunca forever alone). Stars Dance (nada contra o título meio livro para crianças meio Dança dos Famosos do Faustão) surge com o propósito de firmar de uma vez por todas o nome da cantora na indústria da música como uma figurante do gênero pop ou electro-pop. Descrevendo-o como seu último trabalho como cantora (só que não, né Selena!), ela mostra um amadurecimento natural e cômodo para os ouvintes do não tão radiofônico assim Kiss & Tell e exibe, até aqui, seus melhores vocais, além de partir de uma inspiração bem conceitual do proposital In The Zone de Britney Spears (Neyde aprova!).

Há quem diga que Selenita não tem potentes vocais, e bom, estão certos! Porém, é inegável não admitir que sua voz suave e singela não seja agradável (#autotunelike), afinal para quem se motiva em Neyde, não usar playback é um grande avanço. Paremos com as provocações com nossa cabeçuda e de Britney “Vagina Louca” e vamos ao que interessa: o CD!

Abrindo o repertório, temos nada mais nada menos do que Birthday, fazendo talvez uma linha introdutória com o lançamento do próprio álbum (um dia após seu aniversário de 21 anos). Aqui, Gomez aborda frases mais adultas e modernas – no ritmo das batidas -, fazendo mesmo uma espécie de comemoração pelo que esta por vir. Seguindo por uma Slow Down cheia de dubstep, a faixa parece se encaixar perfeitamente e joga para cima esse estilo ao mesmo tempo latino e baladeiro de Selena. E para quem achou muito infantil, Stars Dance surge para retirar qualquer rótulo que não seja de ‘estrelas dançando’ num suavizar de amor, que mesmo com as batidas presentes, nos encanta por sua simplicidade de versos. Quem te viu quem te vê! Algo meio reggae e dance chega dominando sua cabeça só no “ram pa pa pam” de Like A Champion. Saindo de sua zona de conforto, Selena aposta até mesmo num hip-hop  meio tímido, que nos lembra bem o “mamãe-matei-um-homem” de Rihanna com Man Down. É viciante e um pouco contraditório, sendo que o tal ritmo reggae pode ficar bem ofuscado devido às batidas.


Fazendo só pose para as invejosas, Come & Come It chega só nas batidas orientais e nos “na na na”, fazendo com que gostemos ainda mais da carro-chefe do disco diante do repertório. Forget Forever é a falecida Rule The World, que mesmo com seu título alterado, continua a mesma. É uma forte concorrente para virar single, já que começa aqui à visão de Selena no break eletrônico em versos calmos que se não fosses pelas batidas insistentes, passaria muito bem como uma baladinha. E se todos estavam esperando por esse momento mais relaxado, preparem-se, pois tudo foi somente a preliminar para a balada! Eleita como uma das favoritas dos fãs (e também pelo que vos escreve), Save The Day adota precisamente os ritmos de Come & Get It, abusando mais do refrão chiclete recheado de palavras silábicas típicas de músicas à lá indianas (Sentimos cheiro de single). Se tudo pode ser sobre a batida, por que não uma faixa com esse nome? B.E.A.T. é a mais dinâmica, brincando ainda com as sílabas e repetições viciantes (Dev mandou lembranças).

Como na balada, continuamos sem nenhuma pausa para ir ao banheiro! É aqui que as coisas começam a esquentar e Write Your Name sabe bem disso, afinal quem nunca escreveu o nome de seu amor na árvore, caderno ou pedacinho de pão (João e Maria, não mais!)? Talvez escalada para ser uma baladinha, os versos não deixam a enganar pelo estilo bem eletrônico e um espaço para um rap mais confiante – apesar de não ser também nada de mais. E está aqui nossa aposta de single! Undercover é aquela música que gruda na cabeça, onde você tenta cantar tanto o ritmo quanto imitar o break eletrônico. Aqui, os produtores continuam priorizando os vocais, só que buscando mais aperfeiçoar o ritmo contagiante e até mesmo meio familiar. Sabendo das lembranças deixadas por uma paixão, Selena nos apresenta suas vivências em Love Will Remember, que entra como uma das melhores faixas de todo o álbum por ser tão sentimental que permite que muitos se identifiquem (#JustinBieberXatiado). Partindo das versões extras, temos Nobody Does It Like You, Music Feels Better, Lover In Me e I Like It That Way, que podem até passar despercebidas, porém são boas acompanhantes para finalizar o álbum.

Por fim, Selena Gomez não somente ‘dança com as estrelas’, mas dança com todo mundo, desde Rihanna a Beyoncé ou Christina Aguilera a Adele. O contexto é muito bem empregado e temos a conclusão de que são músicas muito bem produzidas (com focos em batidas e vocais um pouco auto-tunados) e colocadas em seu devido lugar no repertório. Com isso, sabemos que estamos bem preparados para encabeçar nas pistas (sem trocadilhos, pfvr) e só na esperança de que esse seja o último do primeiro novo álbum de Selena!




Artista: Selena Gomez
Álbum: Stars Dance
Lançamento: 23 de Julho de 2013
Selo: Hollywood Records/Universal Music
Produção: The Cataracs, Stargate, Rock Mafia
Duração: 43min
Gênero: Pop

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Review: "Clube dos Cinco", o clássico contemporâneo

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Há tempos que a Sessão da Tarde não nos agracia mais com obras-primas do cinema como esta. Escrito e dirigido pelo aclamado John Hughes, responsável por filmes como Curtindo A Vida Adoidado, Gatinhas e Gatões e pelo roteiro de Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor, o clássico dos anos 80, Clube dos Cinco, não é apenas um filme, mas uma experiência de vida.

A ousadia do roteiro começa em não adotar um protagonista, mas cinco. Cinco adolescentes totalmente estereotipados, representando os jovens americanos da época, considerada por muitos como uma época perdida para estes mesmos jovens, que não tinham sua própria voz. Com base nisso, temos a patricinha, o esportista, o rebelde, o nerd e a esquisita. Cada qual com seu próprio motivo para estar na escola num dia de sábado, de castigo, com a tarefa de escrever uma redação de 1.000 palavras sobre quem eles eram, como eles se viam. Esta era a primeira vez que os cinco conversavam uns com os outros, e seria também um momento decisivo na vida de cada um.

Ao longo do filme, nós vemos os cinco personagens crescerem e, apesar de suas diferenças, aprenderem uns com os outros coisas que nunca imaginavam aprender. Tudo na base do diálogo que, aliás, é fundamental para o filme todo. A cena clássica em que os cinco estão sentados formando um círculo no chão e compartilham suas histórias e segredos é um grande exemplo disso.

John Hughes é conhecido por retratar com exatidão e sensibilidade a fase da vida mais conturbada de qualquer pessoa: a adolescência. Mas, diferente de outros filmes em que o mesmo ocorre, este é denso, pesado e muito profundo. Quando uma pessoa é confinada longe daqueles com quem ela está acostumada a conviver, ou longe do lugar em que ela está acostumada a ficar, é que ela realmente entra em contato com seu interior. No caso dos cinco personagens, seu confinamento não é só em solidão com eles mesmos, e sim com completos estranhos, cuja capacidade de interação vai muito além do esperado.

Mas esse filme, de 1984, se encaixa em um contexto atual? Perfeitamente.

É de se estranhar, inclusive, que um filme assim costumava ser exibido na Sessão da Tarde. É de se estranhar mais ainda que tenha parado de ser exibido agora que o filme parece se encaixar ainda melhor do que na época. Isso apenas devido aos diálogos e temas abordados dentro destes. Temas como sexualidade, questionamentos comportamentais, bullying – do qual todos estamos cansados de ouvir, mas neste caso é abordado de uma visão completamente diferente –, relacionamentos familiares e crises existenciais. Ainda há uma cena em que os personagens consomem drogas ilícitas de maneira explícita, mas não como se isso fosse algo ruim.

Por que as patricinhas agem do jeito que agem, e são tão cheias de si, e se acham tão superiores aos outros? Por que elas reclamam tanto da vida se, aparentemente, ganham tudo o que querem e tem tudo o que precisam, e suas vidas são perfeitas? Ou será que não é bem assim?
Por que aqueles caras populares que praticam esportes gostam de pegar no pé de outros alunos e praticar o tão discutido bullying? Por que eles e as patricinhas falam mal de todo o resto da escola, que eles consideram inferiores, por trás de suas costas? O que passa na cabeça de um bully desses quando ele faz algo humilhante com outra pessoa?
Por que os crânios se preocupam tanto com suas notas, e o que um nerd estaria fazendo no castigo, num sábado na escola? Eles também tem problemas familiares? O que se passa na cabeça deles?
O que aquela garota esquisita que não conversa com ninguém e sempre faz coisas bizarras tem a te oferecer? Como é a sua vida, e será que ela pensa e sente coisas como todos nós? Se sim, por que ela não interage com o resto do mundo?
E por que o rebelde - aparentemente “sem causa” -, se comporta desta maneira? Para chamar atenção, talvez? Descontar os problemas de sua vida frustrada? E o que ele e uma patricinha podem ter em comum?
Você acha que nada disso pode entrar em um contexto atual?

Bom, eu digo que entra sim. E não só entra, como resolveria muita coisa se todos os jovens assistissem a este filme. Porque a empatia trabalhada ao assistir é incrível, e os diálogos te forçam sempre a olhar tudo de outros ângulos. A década de 80 foi marcada com filmes do gênero, e o Clube dos Cinco foi, com certeza, o maior deles. Nós vemos nos dias de hoje novos filmes que tentam resgatar o tema, como o recente As Vantagens de Ser Invisível, inspirado no livro de Stephen Chbosky, ou até Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, que tiveram uma clara influência dos clássicos. Tudo abordado em filmes como estes é de extremo interesse para os jovens, e são quase obrigatórios para todos nesta idade, mas Clube dos Cinco com certeza se destaca. Porque, como já foi dito: não é apenas um filme, e sim uma experiência de vida.




The Breakfast Club
Diretor: John Hughes
País de origem: Estados Unidos
Elenco: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Paul Gleason
Distribuidora: Universal Pictures
Ano de lançamento: 1985
Duração: 1h 37min

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Primeiras impressões: “Ray Donovan”, ou “os-podres-de-Hollywood-que-você-precisa-saber-e-ver”

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É dito-e-certo e nenhuma novidade que, para causar boa impressão ao telespectador, uma série precisa apresentar os mínimos erros possíveis, ou nenhum. Ray Donovan, até aqui, não é nenhuma surpresa de tirar o fôlego, mas triunfou, diga-se de passagem, no quesito inovação. A nova série da Showtime – que há muito não brilhava na TV fechada com suas séries –, que estreou ontem (30) nos Estados Unidos (mas vazou na web uma semana antes), apresenta uma proposta bem peculiar: decide escancarar os podres das estrelas hollywoodianas e as maneiras como são contornadas essas situações tanto quanto desagradáveis. Até aqui, tudo parece muito tranquilo. Mas a série de Ann Biderman (Southland) não se contenta só com isso. Ray Donovan, personagem que dá nome à série, é o centro da história e aquele que resolve todos os problemas que envolvem as estrelas de Hollywood, menos os que o rodeiam diretamente.

Uma série que aposta num personagem centro de tudo está passível de incalculáveis erros que vão desde perfil e nuances oferecidas até o relacionamento desse centro com os demais núcleos. A história, aqui, segue o personagem-título que, até este episódio-piloto, se mostrou livre de qualquer desses problemas circundantes. Ray possui todas as nuances possíveis para ser exploradas. Ele é o tipo de personagem que necessita ser meticulosamente apresentado por ter sido minuciosamente trabalhado. O “especialista-em-resolver-os-problemas-dos-famosos-californianos" teria todos os motivos para causar má impressão num primeiro olhar, não fosse pelo ator que até parece que carrega a essência de Donovan até na última gota de sangue das veias. Liev Schreiber compõe um Ray misterioso, prático e inteligente que não poupa esforços para cumprir com maestria as tarefas que lhe são dadas. Por exemplo, no primeiro episódio, o personagem livrou um atleta que se envolveu com a morte por overdose de uma desconhecida, tira um ator do alvo das câmeras da TMZ por envolvimento com travestis e ainda ajuda um antigo caso da mira de um stalker pervertido. Não dá pra levar muito a sério alguns detalhes dessa trama, daí a oscilação entre o drama e a dramédia que você poderá encontrará (ou não) nos próximos episódios.


Além de tudo isso, Ray ainda precisa ser um solucionador de problemas familiares próprios, mas nisso ele não tem especialização. O jogo com as personalidades distintas empregadas no personagem não é o único ponto positivo deste piloto. Grande parte dos créditos devem-se a Jon Voight (e todos os olhares devem se voltar a ele no decorrer da trama), que sempre se mostrou eficiente para interpretar grandiosíssimos personagens – desculpem-me o termo, meus caros – filhos-da-mãe e canalhas. É Voight que vai estabelecer um dos lados da história e, como o sinistro da trama, tentará acabar com a vida do próprio filho, Ray Donovan, sempre dando, em doses homeopáticas, o tom canalha e cínico ao personagem. Até atribuiríamos algum destaque aos demais personagens, se eles tivessem um mínimo de destaque na série, com exceção dos irmãos Donovan que tentaram mostrar que há muito por traz dos problemas quase insignificantes com os quais foram apresentados.

O piloto de Ray Donovan foi respeitável e, sim, houve pontos negativos, mas talvez seja muito cedo para apontá-los como possíveis problemas futuros da série (como os subplots que envolvem as estrelas californianas e as figuras que aparentemente são descartáveis). Apesar de vertentes como sexo, palavrões e drogas estarem presentes em parte considerável da trama, não são os pontos principais e a série não é só sobre isso, estes são apenas complementos que ajudam a desenhar o psicológico dos personagens. A série de Biderman conseguiu deixar perguntas no ar (e muitas, deve-se dizer) e, por seu caráter inovador e peculiar quase, pode ter provocado no telespectador uma ânsia que pouco temos visto (será que  tinta verde e taco de beisebol serão uma saída para Ray impedir a canalhice do vovô sinistrão?). 


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Review: Vários traumas do terror em "O Mistério das Duas Irmãs"

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Esta cada vez mais difícil encontrar filmes de suspense de boa qualidade e que realmente façam jus ao gênero, independente de conterem artistas consagrados ou não, afinal foram várias alternativas exploradas que é praticamente impossível fugir do clichê (e até das típicas cenas do espelho, onde sempre tem alguém atrás quando a pessoa o fecha). Ao contrário de muitos, O Mistério das Duas Irmãs assume ser uma produção que se inspira na temática do suspense, porém consegue se reinventar em colocar na tela elementos mais usuais e perturbadores (pesadelos e visões são o que não faltam!).

Primeiramente, trata-se da refilmagem de um filme coreano que, por ventura, não causou uma boa impressão na crítica local e deixou algumas pontas soltas. No entanto, pode-se dizer que essa versão norte-americana soube deixar tudo muito bem redondinho e ainda por cima chocar (um pouco!). A trama acompanha Anne (
Emily Browning), que ao voltar para casa após passar intensos meses numa clínica de reabilitação traumatizada com a morte de sua mãe em um acidental incêndio, percebe que várias coisas mudaram, incluindo a suspeita relação de seu pai (David Strathairncom Rachel (Elizabeth Banks), a enfermeira que cuidou de sua mãe já doente. Ao lado de sua irmã Alex (Arielle Kebbel), ela descobre que sua madrasta esconde muitos segredos para uma pessoa tão bem apessoada e ainda de praxe investiga o incêndio, que parece ser bem proposital para um acidente. Todo o terror está ambientado nas cenas assustadoras (só que não) em que rostos desfigurados aparecem e nas vagas lembranças daquela terrível noite.



Enquanto o enredo parece ser tipicamente comum, o elenco se mostra forte em cada interpretação que reflete as expectativas das cenas. É lógico que o gênero impede que romances bobos ou dramas familiares sejam o centro da produção, porém essa relação é explorada na medida certa e contribui para criar climas e fazer o espectador compreender o que está acontecendo. Vale ressaltar que apesar de todo o conflito gerado, o terror mesmo não aparece e temos que nos contentar com um suspense bem engajado, que segue uma linha de raciocínio desgastante, mas proveitosa. Entre meios de causar espanto, o filme só se entrega totalmente no final, fazendo com que todos os mistérios sejam finalmente solucionados de maneira eficiente e conjunta. Há quem critique seu final bem “degustastativo”, mas há quem também preze pela surpresa (e ficar de boca aberta!). Sem contar que o filme tem os mesmos produtores de O Chamado - que por si só já é uma boa chamada para assistir!

Não há como negar que suspenses desse modo estejam ficando bem frequentes e solucionáveis (quem assistiu, entenderá), entretanto o que vale mesmo é o contexto em si e como ele dialoga com a premissa de uma jovem traumatizada. O Mistério das Duas Irmãs é uma sugestão muito bem indicada para quem ainda salienta por tramas psicológicas arquitetadas para um bom entretenimento!




The Uninvited
Diretor: Charles Guard, Thomas Guard
País de Origem: EUA, Canadá
Elenco: Emily Browning, Arielle Kebbel, Elizabeth Banks
Distribuidora: Paramount Pictures
Ano de Lançamento: 2009
Duração: 1h 27min

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Review: "Meu Namorado É um Zumbi" – Perdemos a humanidade!

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Meu Namorado É um Zumbi é uma adaptação do livro Sangue Quente, de Isaac Marion. O filme conta a história de R, um zumbi que adora filosofar sobre as coisas da vida (ou falta dela) e que vive num aeroporto, frustrado e nostálgico, afastado do resto da sociedade que, de certa forma, sobreviveu ao apocalipse zumbi. 

Um belo dia, R e seus amigos pensantes resolvem ir se alimentar e no meio do percurso encontram um grupo de adolescentes que procuravam por remédios fora dos limites da cidade dos humanos (separada por um muro do restante do mundo). Lá, R, que era um zumbi muito solitário, conhece e se apaixona pela bela Julie (quer dizer, não tão bela assim) que, diga-se de passagem, é a filha do cara mais poderoso do mundo, e começa a se sentir mais “vivo”. Julie inexplicavelmente vai com R até o aeroporto e passa a viver com ele dentro do avião.

Julie muda para sempre a vida dos zumbizinhos e os faz descobrir que a cura para o “Zumbismo” seria única e exclusivamente o amor. O amor ao próximo, como se diz nos mandamentos. O fato de a sociedade tê-los excluído e abandoná-los os tornavam cada vez mais “zumbis” (sim, zumbi não é um adjetivo, mais mortos?). O fato é, apesar de o filme ter uma estória legalzinha é tragicamente clichê, me pareceu um Crepúsculo Zumbi e, convenhamos, a atriz Teresa Palmer lembra muito a Kristen Stwart, até nos trejeitos, a forma que sorri, o jeito que passa a mão no cabelo e até o jeito de andar, a diferença mor é que R não brilha e nem corre pelas colinas e que a moçoila é loiríssima.


Meu Namorado É um Zumbi é uma miscelânea de elementos que te faz lembrar várias coisas enquanto assiste, mas no final mesmo você percebe que é um simples conto de fadas adolescente em que a princesa beija o sapo zumbi e ele vira um gatinho de olhos azuis e moleton vermelho.

O que salvou o filme, para mim, foi a trilha sonora. R coleciona discos de vinil (Ah, um zumbi que gosta de ouvir músicas!) para se conectar com a vida que um dia tivera. Detalhe: ele só escuta rock clássico! A trilha conta com The Black Keys, Gun's Roses, Bob Dylan, Scorpions, Springsteen e mais! Então se você busca algo que te faça pensar, não o assista, mas se quer perder horas pra descontrair, é um filme bom, um filme comum sem nada de espetacular. Eu só posso dizer uma coisa, não foram horas perdidas e até me fez pensar (um adjetivo para zumbis mais zumbis), não precisamos de um apocalipse zumbi para perdermos nossa humanidade, já a perdemos há muito tempo.  




Warm Bodies
Diretor: Jonathan Levine
País de Origem: Estados Unidos
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, Analeigh Tipton
Distribuidora: Paris Filmes
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 37min

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Review: "A Vida de Adele", ou azul é a cor mais quente

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Baseado na história em quadrinhos de Julie Maroh, Le Blue est une Couleur Chaude, o filme que levou o prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano foi um dos favoritos de muitos, A Vida de Adele do diretor Abdellatif Kechiche, com Adele Exarchopoulos no papel principal.

O filme é um drama que explora a níveis muito profundos o despertar sexual de uma adolescente dentro de seu relacionamento com seu primeiro grande amor, que dá base ao foco de todo o enredo. Vemos Adele aos 16, até seus 20 e poucos anos, quando ela tenta carreira como professora.

Adele é inteligente e estudiosa, gosta de ler e tem seus casinhos com alguns garotos de sua sala. Ela inclusive tem uma quedinha por um deles, e é a caminho de um encontro com este que ela troca um olhar com uma garota de cabelos azuis, Emma (Léa Seydoux), por quem se apaixona de cara, e é com ela que tem o relacionamento que é o foco narrativo do filme.

Apesar de ser um filme sobre um relacionamento homossexual, é válido afirmar que todos os pontos explorados podem se encaixar em qualquer relacionamento, assim como qualquer pessoa pode assistir o filme e apreciar esta obra-prima moderna.


O que mais chamou atenção e, consequentemente, o que mais causou polêmica no filme foram as longas cenas de sexo explícito entre as duas amantes. Ênfase em “longas”. Alguns críticos chegaram até a dizer que a duração destas cenas tiraram um pouco o foco da história e do envolvimento sentimental com o relacionamento das duas para uma visão mais carnal daquele momento, que apesar de tudo era importante para a vida de Adele por ser sua primeira vez com alguém por quem ela estava perdidamente apaixonada.

Outro ponto interessante do filme é a visão que ele nos dá de algo tão real, embora tão artístico, que é, novamente, o relacionamento tratado durante grande parte dele. Há quem veja filmes apenas como uma maneira de entretenimento, para fugir da realidade, e esquecer um pouco dos problemas ou da vida no mundo real. Mas filmes como este nos fazem lembrar o real motivo pelo qual gostamos de cinema. Eles nos dão a incrível oportunidade de viver outras vidas, tão parecidas com as nossas, mas ao mesmo tempo tão distantes. Os sentimentos de Adele são tão reais, sua insegurança, seus momentos de descobrimento, sua dor e sua alegria são tão vívidos e tão fáceis de identificar, que repensamos e nos perguntamos novamente “por que gostamos tanto de cinema?”, lembrando das palavras de Oscar Wilde: “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.”

O veredito final foi de que o prêmio Palma de Ouro para A Vida de Adele foi, sem sombra de dúvidas, merecido, segundo quase todos os críticos e jurados presentes. As duas atrizes que atuaram nos papéis principais também levaram o prêmio, evento inédito no Festival. Nos resta agora esperar para assistir aqui no Brasil e ver se causará polêmica aqui também.





La Vie D'Adele
Diretor:  Abdellatif Kechiche
País de Origem: França
Elenco: Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Aurélien Recoing
Distribuidora: -
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 2h 55min


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Review: O sonho de liberdade e fronteiras abertas em “Uma Garrafa no Mar de Gaza”

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No mar de Gaza é lançada uma garrafa com uma carta cheia de questionamentos sobre os conflitos entre israelenses e palestinos. Tal (Agathe Bonitzer), uma garota de 17 anos, queria entender o que leva essa população da mesma origem étnica a se rebelar uns contra os outros. Nessa perspectiva, a jovem levanta tais questões: quem será a próxima vítima? E se fosse você? O que faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã? E se seu pai, sua mãe, seu namorado e sua melhor amiga morressem de uma hora para outra? Diante disso, depois de ter lançado a garrafa ao mar, ela tem a esperança de obter essas respostas para suas perguntas, seus anseios e sua história.

O filme começa a desenrolar quando a carta é encontrada em terras palestinas. A princípio, a atitude de Tal soou estranha para o grupo que encontrou a carta, mas com o tempo a relação entre eles vão criando laços, agora falando de forma geográfica são apenas 60 milhas que os separam. Por outro lado, o histórico de guerra entre os dois povos é a maior barreira enfrentada por estes. Apesar do desejo mútuo de paz para ambos os lados, porém os extremistas buscam a paz de forma radical, assim as pessoas se acostumam com os atentados, morrer ou não acaba se tornando uma questão de sorte ou azar.


Por que as pessoas se vestem de explosivos, escolhem um lugar, olham para suas vítimas, sabendo que irá morrer a poucos segundos, qual o sentido disso? Será que eles não conseguem saciar sua sede de sangue? Por que é tão difícil cada povo aceitar e respeitar as questões culturais específicas de cada nação? Tenho mais perguntas do que respostas, ainda penso que a melhor forma de evitar conflitos é através do diálogo, mas será que palestinos e israelenses estão dispostos a dialogarem? O problema é que a guerra vai para todos e inocentes acabam pagando um preço muito alto por uma batalha que não é deles.

Thierry Binisti conseguiu narrar de forma sensível e sem apelação os conflitos existentes entre israelenses e palestinos, trazendo um novo olhar sobre as divergências de ideias, mostrando que cada cidadão só quer viver em paz e sem medo, acreditando nos sonhos de fronteiras abertas, uma vida normal, sem medo do que possa acontecer no presente ou no futuro.







Une Bouteille à la Mer
Direção: Thierry Binisti
Elenco: Agathe Bonitzer, Mahmud Shalaby, Hiam Abbass
País de Origem: França/Israel
Distribuidora: Europa Filmes
Ano de Lançamento: 2011
Duração: 1h 39min

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Review: “Velozes & Furiosos 6” se rende aos artifícios dos filmes de ação (Mas quem disse que isso é ruim?)

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Já é de se acostumar que filmes de ação abusem constantemente de cenas de tirar o fôlego em câmera lenta em situações, praticamente, impossíveis, onde a típica frase “Só em filmes mesmo” é conotada usualmente pelos espectadores. Apesar de Velozes & Furiosos 6 continuar adotando essa medida, a franquia tem mostrado que um roteiro bem arquitetado aliado a cenários e situações que agradem o público é a melhor receita para uma produção hollywoodiana digna de boas críticas e lucro de milhões.

Enquanto os primeiros longas-metragens apresentam um visual mais de periferia – em que os rachas entre carros ocupam a linha principal da trama -, suas continuações já começam a procurar estabelecer elementos da base de ação, com várias explosões, lutas e saltos que qualquer teoria de relação duvidaria. Após fazerem um grande estrago nos cofres do Rio de Janeiro (nota-se a presença de sarcasmo na inigualável segurança do Brasil), o grupo de Dominc Toretto (Vin Diesel) é recrutado novamente – com chamadas de desperdícios de dinheiro (quem não queria estar lá quando Tej soltou as várias notas de dinheiro do caixa eletrônico?!), curtição pacífica e momentos familiares –, a pedido do inabalável policial Luke Hoobs (The Rock), para tentarem deter o ambicioso e perigoso Shaw (Luke Evans). No entanto, o fato de Toretto ter aceitado a missão parte da premissa de que Letty (Michelle Rodriguez), que teve atestado de óbito “confirmado”, pode realmente estar viva.

É óbvio que para conseguir manter o foco de fãs assíduos da franquia e já ter a chance de atrair outros, as cenas cômicas não poderiam ficar de fora. Elas são até mesmo bem previsíveis e nada muito exorbitantes, mas não há como negar que atingem alguns risos do público nos momentos mais propícios. Outro ponto forte se dá ao modo como é trabalhado todo o enredo das produções anteriores, apegando-se bastante as vivências em desenvolvimento das ações dos personagens, que evidentemente é uma jogada até certo ponto arriscada, mas que fornece mais credibilidade a esses furiosos, afinal já se perde as contas de quantas continuações se perderam ao tentar alcançar tramas distintas e totalmente desvinculadas do original.


O vilão foi muito bem projetado nas telas por Evans, que soube interpretar todas as ânsias e criar o clima de ameaça e de “estar sempre um passo a frente”. Os apetrechos tecnológicos usados por ele foram de suma importância para condizer ainda mais com o ar misterioso e superior descrita pelo personagem de The Rock, afinal de contas qual seria o grande motivo de um policial chamar um grupo “da pesada” para tentar capturar um vilão meia-boca? Só em más sequências mesmo, o que não é o caso desse. Com carros que vão desde o luxuoso até o potente no nitro, o digamos “alimento” de todos os filmes está melhor do que nunca, principalmente levando em conta as novas comodidades e acertadas precisão de curvas. Vale ressaltar a participação especial de Ritinha Ora (Era para ser Rihanna, mas como não deu para agendar... Coincidência ou não chamar Rita?), que com suas caras e bocas, deu a largada no racha entre Toretto e Letty.

Por fim, Velozes & Furiosos 6 se define com bem mais personalidade do que muitas pessoas e ainda imprime essa essência de sua trama muito bem elaborada pelo diretor Justin Lin e do roteirista Chris Morgan, fazendo uso de uma boa fotografia (filmada na Espanha, Londres e Rússia) e arte conveniente com as expectativas. Agora só nos resta esperar pelo 7, que já vem até prometido na cena extra e apresentando Jason Stathan como vilão. Esperamos que essa nova sequência seja tão grande quanto a pista de avião da base militar russa!






Furious 6
Diretor: Justin Lin
País de Origem: EUA
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson
Distribuidora: Universal Pictures
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 2h 10min

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Review: Não tem ressaca que aguente “Se Beber, Não Case! Parte III”

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Se você riu e se divertiu no primeiro filme e teve uma ressaca de desgosto no segundo, é bem provável que em Se Beber, Não Case! Parte III os sintomas se repitam com uma dose de risadas forçadas e cansaço dos acontecimentos. É verdade que o diretor Todd Philips tentou imprimir a melhor caracterização de seus personagens, porém o resultado foi inverso e deixou alguns bem mais sem graça do que deveriam – a começar pelo tão simpático, louco e desumano Alan (Zach Galifianakis).

Enquanto o trailer praticamente evidencia cenas que são interpretadas como bem engraçadas, o contexto deixa a desejar e contribui para o desalinhamento de mais uma aventura do bando de lobos – agora já desgastados pelo cotidiano dos casamentos. Stu (Ed Helms) já não é mais o dentista inseguro e cheio de conflitos com as pessoas que conhecemos e Phil (Bradley Cooper) deixou de ser o galã insensato e despreocupado com a vida, e embora isso seja um ponto positivo para a evolução dos personagens, torna-se um dos furos do roteiro, que tenta investir nos mesmos casos banais e soluções rápidas – sem um motivo eminente para cada situação. A questão de sequestro foi altamente usada nos filmes anteriores e, dessa vez, vira o alvo de toda a trama, afinal para quê serve o Doug (Justin Bartha) do que para ser pego pelos chefões da máfia?!

Lembrando que agora não tem casamento nem ressacada – para deixar sem sentido o próprio título original e o brasileiro -, mas tem um Chow (Ken Jeong) que foge da prisão e talvez esteja nesse momento que temos uma das cenas mais épicas e deslumbrantes da trilogia, por trabalhar com o humor de forma irreverente e sem ser forçado – sem mencionar a rebelião muito bem arquejava nas expressões dos rotos dos detentos e do tal diretor do lugar.


Quando Alan finalmente aparece e conduz a morte repentina de seu pai, seus amigos (ou não) tentam realizar uma intervenção para que ele encare seus problemas - pessoais, emocionais, mentais e vai saber mais o quê! -, que é (inesperadamente) aceito, porém a caminho da nova jornada de Allan, eles são jogados para fora da estrada pelos capangas de Marshal (John Goodman), um mafioso que exige que eles encontrem Chow para poder recuperar suas barras de ouro roubadas – que desencadeia em fatos que surgem desde o primeiro filme. A partir daí, esse bando de lobos tem um prazo para entregar seu fugitivo de olhos puxados favorito, que se esconde desde Tijuana, no México, até Las Vegas. Aparentemente, o roteiro apresenta uma boa proposta, mas que não atinge o ponto mais explorado da saga: a comédia. Contudo, a fotografia e posições de câmera continuam sendo as melhores jogadas da edição, que não se opõem em relação aos baixos índices de risadinhas soltadas ao longo das horas de exibição.

Esperamos um final épico do filme cômico recordista de bilheterias, mas infelizmente tivemos mais uma má sequência de uma narração tão atrativa para o público. A única gargalhada fiel ocorre apenas no final do filme, mais precisamente na cena extra que vem após a parte inicial dos créditos. Contrariando os argumentos citados acima, o diretor Phillips não desmerece nenhuma congratulação, afinal, por mais que tenha sido uma investida que não deu muito certo, ele foi inteligente e ousado em tentar ocasionar novos acontecimentos para o enredo além da típica ressaca de sempre. A 3ª aventura de Se Beber, Não Case! não foi das melhores, mas garantiu uma mudança de direção para os personagens – que vai além de bebedeira, palavrões e constrangimentos sexuais.





The Hangover Part III
Direção: Todd Phillips
País de Origem: EUA
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 40min

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