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Review: A Desolação de Smaug, dos fãs, da obra e minha

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O Hobbit: A Desolação de Smaug finalmente chegou ao cinema no dia 13 de Dezembro do ano passado, depois de ter feito os fãs ansiarem desesperadamente com os três trailers lançados que eram de arrepiar toda a espinha. O filme era com certeza um dos mais aguardados do ano, e muitas pessoas esperaram o dia 13 de Dezembro chegar contando os dias para um resultado final que é visualmente impactante, bonito e bem trabalhado, estrategicamente lucrativo, mas devastadoramente tedioso, arrastado e decepcionante.

Todos sabem que essa nova trilogia de Peter Jackson no Universo de Tolkien é baseada no livro de único volume O Hobbit, que varia entre 300 a 400 páginas, dependendo da edição. Logo, a decisão do diretor de produzir três filmes em cima da obra, logo de cara, nos fez entender qual era sua real intenção com esse novo projeto: ganhar dinheiro.

Não que não haja coisas para explorar dentro do livro. Isso há, e muito. Mas três filmes é um exagero. Uma história que poderia ser muito bem contada em um longa com duração de 3 horas seria aceitável se fosse estendido para dois filmes com durações semelhantes, mas três fizeram muitas pessoas ficar com um pé atrás e esperar algo superficial, apenas para fins lucrativos.

No primeiro filme, alguns elementos foram introduzidos ao que era originalmente a história dos anões, acompanhados por um mago e um hobbit, em busca das terras e do tesouro, antes pertencentes aos anões, que o terrível dragão Smaug havia se apossado de forma brutal e tirana. Esses elementos foram totalmente plausíveis analisados de um determinado ponto de vista. Sempre que você vai ao cinema ver uma adaptação de um livro, tem que ter em mente que literatura e cinema são dois universos completamente diferentes. Duas mídias que têm maneiras distintas de transmitir sua mensagem e causar impacto em quem as consume. Para deixar claro, posso citar o encontro do Baurog com Gandalf em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Originalmente, Tolkien descreveu a cena em que o Baurog quer mostrar seu poder de maneira contrária a que vimos adaptada nas telonas. As chamas diminuíam no ambiente e a escuridão tomava conta do lugar, envolvendo o Baurog e o mago cinzento. No filme, vimos o contrário: o fogo brilhou na tela. E isso foi mais impactante. Simplesmente porque em um livro trabalha-se o imaginário, e em um filme o visual. E é visualmente mais interessante e impactante mostrar chamas consumindo o lugar, do que sombras.

Por isso e por outros motivos, aceitamos a presença de orcs durante a jornada dos anões. Isso cria um certo problema com o qual os personagens têm que lidar, ao contrário do livro, em que eles simplesmente andam e têm seu caminho barrado algumas vezes. Aceitamos também algumas modificações em certas cenas icônicas do livro, como as do capítulo “Charadas no Escuro”, em que Bilbo encontra Gollum na montanha dos goblins. Assim como meu exemplo anterior, nessa cena foi visualmente mais interessante deixar o ambiente claro do que colocar os dos personagens no escuro completo. Para o cinema, a opção foi correta.


Mas chegando mais ou menos na metade do livro, encontramos a parte da trama na qual o segundo filme foi baseada. E, para mim, pareceu que os roteiristas rasgaram ou perderam essa parte da obra de Tolkien. Tínhamos algumas partes que podemos dizer serem de extrema importância para os fãs, que leram e esperaram tanto ver certas coisas no cinema. O encontro com Beorn, por exemplo. O ataque das aranhas e o encontro com os Elfos da Floresta. E a chegada à Cidade do Lago. Na realidade, essa parte do livro girava em torno disso, praticamente. E isso, como é de se imaginar, não seria o suficiente para fazer um filme. Mas aí veio o erro. A opção tomada não foi a de se aprofundar dentro desses elementos da trama inicial, e sim a de inserir novos, e isso tornou o filme quase inteiramente desnecessário.

Sobre o encontro com Beorn: decepcionante. Um dos personagens mais marcantes do livro teve sua presença resumida, além de ridiculamente adaptada para ter uma tensão desnecessária. Uma das partes do livro que merece ser analisada à parte pela sua genialidade foi jogada fora completamente. Quem leu o livro sabe que cria-se um momento engraçado, mas ao mesmo tempo tenso, com uma aflição sem igual. A comicidade se deve à resolução de Gandalf quando se depara com o problema de apresentar um grande número de anões entrando na casa de Beorn. Esse diálogo icônico não foi para os cinemas, e eu pude ver logo aí que existiam grandes chances do resto do filme ser assim.

O encontro com as aranhas veio em seguida e me deu uma ponta de esperança para o resto do longa. Como eu mencionei antes, os efeitos visuais foram impecáveis e as cenas de ação excelentes, por isso não havia como errar aqui. Mas como um filme não se sustenta apenas com efeitos especiais bonitos, o pico atingido pela batalha contra as aranhas foi logo abaixo com a chegada dos elfos. Novamente, uma oportunidade de manter a genialidade inicial da obra foi não só perdida como amassada e jogada no lixo. A maneira como os elfos atraíam os anões para fora da trilha simplesmente não existiu, e a partir daí tomei nota em relação ao restante do filme: não há como recuperar.

A presença de Legolas, que seria uma jogada muito bacana se fosse apenas para agradar os fãs mostrando um rosto amigo, acabou tornando-se exagerada. O personagem não existe na obra original, e aqui tornou-se quase um protagonista. Isso não seria ruim se fosse bem aproveitado, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O elfo, filho do rei dos elfos da floresta, envolve-se em um triângulo amoroso em que uma elfa está envolvida e, sim, pasmem, também um anão. Um triângulo amoroso entre dois elfos e um anão.

E toda a parte envolvendo elfos foi estendida desnecessariamente. Cenas de luta contra os orcs e a fuga dos anões foram realmente bonitas de se ver, mas a essa altura você já tinha sacado que tudo isso era só para te enrolar.

E aí veio um dos principais problemas do filme. Nós vemos o que Gandalf vai fazer quando ele se despede do grupo dos anões, logo antes da batalha com as aranhas. No livro, ficamos nos perguntando o que teria acontecido de tão urgente para o mago ter que se retirar da aventura, e um Necromante é apenas mencionado. Aqui, vemos o que parece ser uma prequel aos filmes do Senhor dos Anéis. Não só descobrimos o que Gandalf foi fazer, o que tira o mistério e a magia da relação do Hobbit com O Senhor dos Anéis, como vemos também o próprio Sauron, personagem que nem em O Senhor dos Anéis, onde é o vilão, não chegamos a ver propriamente. Isso foi decepcionante porque, originalmente, a única relação entre o Hobbit e O Senhor dos Anéis era O Um Anel, encontrado por Bilbo e depois passado para Frodo, e isso dava certa independência para as duas histórias, que funcionavam muito bem sozinhas. Agora, O Hobbit parece apenas uma introdução aos eventos de O Senhor dos Anéis, e a oportunidade de deixar no ar a pergunta 'quem seria o necromante?', foi jogada fora. Além disso, sabendo o que Gandalf foi fazer, perdemos o mistério e o tom até mesmo cômico em volta do personagem que tivemos lendo o livro e é possível notar que tudo isso foi só para ganhar alguns minutos de filme e a chance de exibir alguns efeitos visuais.


Depois da fuga dos anões do reino élfico na floresta, temos a chegada à Cidade do Lago, lugar habitado por humanos. Sua recepção não é tão calorosa quanto no livro, mas isso é possível compreender, porque essa modificação foi bem executada, uma vez que um clima de tensão é gerado sem mudar muita coisa, o que foi um ponto positivo. A dificuldade dos anões nessa parte esteve em: entrar na cidade atravessando o Lago, sem serem percebidos.

Já dentro da cidade, conhecemos um pouco os habitantes de lá e do nosso futuro herói Bard, o que eu vi como algo bastante agradável, porque esse era realmente um ponto que merecia ser explorado e aprofundado na obra. Uma certa rivalidade cria-se entre Bard e Thorin, e tudo é construído com excelência para os acontecimentos que estariam por vir. Mas aí vem outro erro grotesco. Depois da partida dos anões para a Montanha Solitária, onde encontra-se o dragão Smaug e seu tesouro, Orcs invadem a cidade sem serem percebidos, rastejando pelos telhados das casas. Qual tinha sido a dificuldade dos anões inicialmente? Entrarem sem serem percebidos. E os anões que se mostraram bastante furtivos até então não conseguiram realizar a tarefa sem terem que se esconder dentro de barris cheios de peixe. Como então, orcs, que não são criaturas nem um pouco furtivas e silenciosas, conseguiram entrar na cidade e locomoverem-se pelos telhados das casas sem serem percebidos? Seriam esses orcs ninjas?

Três anões haviam ficado para trás: Fili, Kili e Bofur. Legolas e Taurien, os dois elfos que protagonizam o triângulo amoroso ao lado de Kili, aparecem na cidade e lutam contra os orcs. Isso enquanto o restante dos anões, acompanhados por Bilbo, tentam entrar na terrível Montanha Solitária.

Bilbo. E esse nome foi mencionado por mim só agora. Pois é, o personagem, originalmente considerado um protagonista, foi ofuscado pelo brilho dos elfos e das cenas desnecessárias. Algumas cenas mostraram que o personagem teve sim extrema importância na jornada dos anões, mas sua participação não passou disso.

Bom, e para encerrar, já dentro da Montanha, vemos o encontro do hobbit com o terrível dragão Smaug. O momento tão aguardado chega e o dragão, descrito por Tolkien como uma criatura belíssima, é revelado, com a voz vibrante de Bennedict Cumberbatch. Tudo é perfeito até que os anões entram no salão do tesouro para ir atrás de Bilbo, o que não tinha no livro antes. E isso gera uma batalha extremamente cansativa e resumida apenas a efeitos especiais bem trabalhados, levando o filme ao seu fim, com o grandioso dragão dirigindo-se para a Cidade do Lago, que é para onde levará destruição.

Sai da sala com vontade de não ver o próximo na estreia. Talvez nem no cinema. Confiei em Peter Jackson achando que o filme não teria cenas desnecessárias para preencher lacunas deixadas depois da decisão de transformar a história numa trilogia, mas isso foi praticamente a única coisa que vi. Algumas referências ao Senhor dos Anéis que tinham o objetivo cômico acabaram se perdendo quando esse filme se tornou um 'Senhor dos Anéis: O Começo', e o tom gracioso, infantil e aventureiro que os fãs tanto gostavam na obra de Tolkien cedeu lugar a cenas de luta bem feitas. No fim, esse filme pode ser resumido à apenas isso; cenas de luta bem feitas, um triângulo amoroso ridículo, introdução ao Senhor dos Anéis e decepção e desolação dos fãs.

Ok, talvez eu esteja errado em generalizar a opinião de todos, mas a minha e a de algumas pessoas com quem discuti o filme até agora foi exatamente essa. Talvez para aqueles que não tiveram contato com a obra de Tolkien não tenha sido tão ruim. Mas para nós foi.

E o que eu tenho a dizer para concluir é que sou grato ao comprovante escolar, que me possibilitou pagar meia-entrada. Senão eu pediria meu dinheiro de volta.



The Hobbit : The Desolation of Smaug
Diretor: Peter Jackson
País de origem: EUA/Nova Zelândia
Elenco: Martin Freeman, Richard Armitage, Ian McKellen
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Warner Bros.
Duração: 2h45min






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Review: "Clube dos Cinco", o clássico contemporâneo

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Há tempos que a Sessão da Tarde não nos agracia mais com obras-primas do cinema como esta. Escrito e dirigido pelo aclamado John Hughes, responsável por filmes como Curtindo A Vida Adoidado, Gatinhas e Gatões e pelo roteiro de Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor, o clássico dos anos 80, Clube dos Cinco, não é apenas um filme, mas uma experiência de vida.

A ousadia do roteiro começa em não adotar um protagonista, mas cinco. Cinco adolescentes totalmente estereotipados, representando os jovens americanos da época, considerada por muitos como uma época perdida para estes mesmos jovens, que não tinham sua própria voz. Com base nisso, temos a patricinha, o esportista, o rebelde, o nerd e a esquisita. Cada qual com seu próprio motivo para estar na escola num dia de sábado, de castigo, com a tarefa de escrever uma redação de 1.000 palavras sobre quem eles eram, como eles se viam. Esta era a primeira vez que os cinco conversavam uns com os outros, e seria também um momento decisivo na vida de cada um.

Ao longo do filme, nós vemos os cinco personagens crescerem e, apesar de suas diferenças, aprenderem uns com os outros coisas que nunca imaginavam aprender. Tudo na base do diálogo que, aliás, é fundamental para o filme todo. A cena clássica em que os cinco estão sentados formando um círculo no chão e compartilham suas histórias e segredos é um grande exemplo disso.

John Hughes é conhecido por retratar com exatidão e sensibilidade a fase da vida mais conturbada de qualquer pessoa: a adolescência. Mas, diferente de outros filmes em que o mesmo ocorre, este é denso, pesado e muito profundo. Quando uma pessoa é confinada longe daqueles com quem ela está acostumada a conviver, ou longe do lugar em que ela está acostumada a ficar, é que ela realmente entra em contato com seu interior. No caso dos cinco personagens, seu confinamento não é só em solidão com eles mesmos, e sim com completos estranhos, cuja capacidade de interação vai muito além do esperado.

Mas esse filme, de 1984, se encaixa em um contexto atual? Perfeitamente.

É de se estranhar, inclusive, que um filme assim costumava ser exibido na Sessão da Tarde. É de se estranhar mais ainda que tenha parado de ser exibido agora que o filme parece se encaixar ainda melhor do que na época. Isso apenas devido aos diálogos e temas abordados dentro destes. Temas como sexualidade, questionamentos comportamentais, bullying – do qual todos estamos cansados de ouvir, mas neste caso é abordado de uma visão completamente diferente –, relacionamentos familiares e crises existenciais. Ainda há uma cena em que os personagens consomem drogas ilícitas de maneira explícita, mas não como se isso fosse algo ruim.

Por que as patricinhas agem do jeito que agem, e são tão cheias de si, e se acham tão superiores aos outros? Por que elas reclamam tanto da vida se, aparentemente, ganham tudo o que querem e tem tudo o que precisam, e suas vidas são perfeitas? Ou será que não é bem assim?
Por que aqueles caras populares que praticam esportes gostam de pegar no pé de outros alunos e praticar o tão discutido bullying? Por que eles e as patricinhas falam mal de todo o resto da escola, que eles consideram inferiores, por trás de suas costas? O que passa na cabeça de um bully desses quando ele faz algo humilhante com outra pessoa?
Por que os crânios se preocupam tanto com suas notas, e o que um nerd estaria fazendo no castigo, num sábado na escola? Eles também tem problemas familiares? O que se passa na cabeça deles?
O que aquela garota esquisita que não conversa com ninguém e sempre faz coisas bizarras tem a te oferecer? Como é a sua vida, e será que ela pensa e sente coisas como todos nós? Se sim, por que ela não interage com o resto do mundo?
E por que o rebelde - aparentemente “sem causa” -, se comporta desta maneira? Para chamar atenção, talvez? Descontar os problemas de sua vida frustrada? E o que ele e uma patricinha podem ter em comum?
Você acha que nada disso pode entrar em um contexto atual?

Bom, eu digo que entra sim. E não só entra, como resolveria muita coisa se todos os jovens assistissem a este filme. Porque a empatia trabalhada ao assistir é incrível, e os diálogos te forçam sempre a olhar tudo de outros ângulos. A década de 80 foi marcada com filmes do gênero, e o Clube dos Cinco foi, com certeza, o maior deles. Nós vemos nos dias de hoje novos filmes que tentam resgatar o tema, como o recente As Vantagens de Ser Invisível, inspirado no livro de Stephen Chbosky, ou até Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, que tiveram uma clara influência dos clássicos. Tudo abordado em filmes como estes é de extremo interesse para os jovens, e são quase obrigatórios para todos nesta idade, mas Clube dos Cinco com certeza se destaca. Porque, como já foi dito: não é apenas um filme, e sim uma experiência de vida.




The Breakfast Club
Diretor: John Hughes
País de origem: Estados Unidos
Elenco: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Paul Gleason
Distribuidora: Universal Pictures
Ano de lançamento: 1985
Duração: 1h 37min

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5 livros (nacionais) obrigatórios para amantes de zumbis

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Vamos encarar os fatos: vampiros já eram; a moda agora são zumbis. Comer cérebros, vagar por aí sem consciência e causar o fim do mundo é a nova onda do momento, e vem com tudo nesse inverno. Sério mesmo, olha aí a postagem sobre World War Z. Só que muita gente está com um pé atrás desde Meu Namorado É Um Zumbi, com medo de que o que fizeram com vampiros seja feito também com nossos amigos mortos-vivos. Mas vampiros, zumbis, lobisomens e essa bicharada toda não são, praticamente, parte de um grande folclore mundial? E não é característica do folclore que ele mude, na mesma medida em que o povo muda?

Para os que reclamam que o personagem Edward Cullen, da Saga Crepúsculo, não morre no sol: vocês sabiam que os vampiros, originalmente, não morriam ao sair na rua de dia? O primeiro dentuço da história que virou pó quando viu o sol foi o Conde Orlok, em Nosferatu, filme alemão de 1922, que é uma adaptação do romance Drácula, de Bram Stoker. Na história original, o Conde Drácula morria com uma estaca no peito, mas resolveram mudar o desfecho no filme para não parecer uma cópia tão descarada da obra, que já era bastante famosa na época. Hoje, Nosferatu é visto como uma adaptação do romance de Bram Stoker para o cinema, mas na época era plágio, e a viúva do autor ordenou que queimassem todas as cópias da película alemã. Pois é, o Conde Drácula não morria com a luz solar. Mas também não brilhava, aí já é outra história...

Agora, sobre zumbis, é a mesma coisa. Talvez mudem com o tempo, talvez não, mas estejamos abertos a possibilidade de mudança. Até porque, os zumbis que conhecemos hoje já sofreram mudanças do que eles eram quando foram criados.

Senta que lá vem história.

Na década de 30, os soldados americanos tiveram bastante contato com a cultura voodoo, originária do Haiti. Uma das crenças do povo haitiano era a de que existia a possibilidade de ressuscitar mortos para ajudar os vivos, através de rituais que grandes feiticeiros possuíam o poder de realizar, com a ajuda e aprovação dos deuses. Com base nessas e outras histórias relatadas pelos soldados que voltaram para casa, a indústria cinematográfica norte-americana resolveu aproveitar a oportunidade que tinha ali.

Em 1932, o primeiro filme com zumbis era produzido. White Zombie, de Victor Halperin, conta a história de um feiticeiro voodoo que tinha mortos-vivos como seus serviçais. Nada a ver com os filmes de zumbi que assistimos hoje.

Agora, o primeiro longa que tratava os zumbis como um perigo global a ponto de causar o fim do mundo foi A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero, de 1968, em que a causa da infestação zumbi era a radioatividade de armas nucleares. Ainda um pouco diferente do que estamos acostumados hoje, em que a maioria dos filmes tem como causa da infestação um vírus, ou algo do tipo. Esse tipo de explicação só foi aparecer nas histórias de zumbis nas décadas de 80 e 90, e se popularizou com o jogo Resident Evil, em 96.
E hoje, como estão as coisas?

Hoje os zumbis estão de volta com tudo, com algumas mudanças sutis aqui e outras ali, mas nada muito sério e drástico ainda. Mas podem ir esperando coisas novas pela frente, e a nós cabe apenas aceitar certas mudanças, sendo elas positivas ou não. De qualquer modo, muitas pessoas ainda os adoram - a grande maioria, aliás. Mas, se você ainda sim tem receio em relação ao que ainda está por vir, eis aqui uma lista para te dar esperanças, e te lembrar do que nos faz amar tanto os zumbis: o que eles causam em nós, seres humanos.

Os 5 itens da lista são de autores brasileiros.

1 - Zumbis: Quem Disse Que Eles Estão Mortos? , de Ademir Pascale
Este livro é uma coletânea de 20 contos de autores diferentes, todos com a mesma temática: zumbis. Você é levado desde o gore e o trash até o sentimentalismo e o que a luta pela sobrevivência pode causar nas pessoas e em suas relações interpessoais. Vale a pena conferir, e a diversidade dos contos garante que o livro agrada a qualquer um.

2 - Protocolo Bluehand: Zumbis, de Abu Fobiya

Livro descrito como "Guia Definitivo Contra os Mortos... E os Vivos!", o Protocolo Bluehand: Zumbis é uma obra exclusiva do blog Jovem Nerd, escrito por Abu Fobiya, com o intuito de ficar o mais próximo possível a um Guia ou Protocolo no caso de um incidente como este. O Guia é cheio de dicas e explicações sobre tudo o que você vai precisar não só para se defender dos mortos, como também dos vivos, que, como você descobrirá ao longo da sua leitura, podem se tornar um empecilho maior do que os próprios comedores de cérebros.




3 - Apocalipse Zumbi - Os Primeiros Anos, de Alexandre Callari
Diferente de outros livros que conhecemos do gênero, este trata mais de um cenário pós-apocalíptico, em que o pouco da humanidade que sobrou depois dos eventos catastróficos de uma infestação zumbi vive numa distopia em busca de uma melhoria dentro de uma comunidade chamada Quartel. Em Apocalipse Zumbi - Os Primeiros Anos, acompanhamos a história de Manes, responsável por grande parte da ordem do Quartel, que um dia sai para resgatar algumas pessoas que saíram dos muros da comunidade e não voltaram. Em sua ausência, surge o antagonista Dujas, que gera uma crise e incia o caos dentro do Quartel, deixando tudo isso para ser resolvido por Manes.

4 - Terra Morta - Fuga, de Tiago Toy

Este livro é mais um daqueles em que nós vemos que diante de uma catástrofe como um apocalipse zumbi, os vilões continuam sendo as pessoas. A história de Terra Morta se passa em São Paulo, mas tem início em Jaboticabal, com Tiago, que sempre sonhou em viver numa metrópole até que se vê obrigado a fazê-lo quando zumbis começam a tomar conta do mundo. A partir daí, acompanhamos sua jornada contra zumbis e, por vezes, humanos, e seus questionamentos e dificuldades de conviver e confiar em qualquer um que apareça.





5 - Morgan: O Único, de Douglas Eralldo
Agora, para quebrar paradigmas e te fazer ter uma visão completamente diferente do que você está acostumado quando se trata de zumbis, Morgan: O Único traz como protagonista o primeiro zumbi do mundo. Após sua morte, Morgan ressuscita como um morto-vivo e tem uma situação totalmente inusitada a sua frente: uma nova vida, como um zumbi. Como a sociedade veria um zumbi, nem morto, nem vivo, andando pelas ruas por aí, se já há tanto preconceito entre quem é vivo? É isso que você vai ficar sabendo na intrigante obra de Douglas Eralldo.

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Review: "A Vida de Adele", ou azul é a cor mais quente

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Baseado na história em quadrinhos de Julie Maroh, Le Blue est une Couleur Chaude, o filme que levou o prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano foi um dos favoritos de muitos, A Vida de Adele do diretor Abdellatif Kechiche, com Adele Exarchopoulos no papel principal.

O filme é um drama que explora a níveis muito profundos o despertar sexual de uma adolescente dentro de seu relacionamento com seu primeiro grande amor, que dá base ao foco de todo o enredo. Vemos Adele aos 16, até seus 20 e poucos anos, quando ela tenta carreira como professora.

Adele é inteligente e estudiosa, gosta de ler e tem seus casinhos com alguns garotos de sua sala. Ela inclusive tem uma quedinha por um deles, e é a caminho de um encontro com este que ela troca um olhar com uma garota de cabelos azuis, Emma (Léa Seydoux), por quem se apaixona de cara, e é com ela que tem o relacionamento que é o foco narrativo do filme.

Apesar de ser um filme sobre um relacionamento homossexual, é válido afirmar que todos os pontos explorados podem se encaixar em qualquer relacionamento, assim como qualquer pessoa pode assistir o filme e apreciar esta obra-prima moderna.


O que mais chamou atenção e, consequentemente, o que mais causou polêmica no filme foram as longas cenas de sexo explícito entre as duas amantes. Ênfase em “longas”. Alguns críticos chegaram até a dizer que a duração destas cenas tiraram um pouco o foco da história e do envolvimento sentimental com o relacionamento das duas para uma visão mais carnal daquele momento, que apesar de tudo era importante para a vida de Adele por ser sua primeira vez com alguém por quem ela estava perdidamente apaixonada.

Outro ponto interessante do filme é a visão que ele nos dá de algo tão real, embora tão artístico, que é, novamente, o relacionamento tratado durante grande parte dele. Há quem veja filmes apenas como uma maneira de entretenimento, para fugir da realidade, e esquecer um pouco dos problemas ou da vida no mundo real. Mas filmes como este nos fazem lembrar o real motivo pelo qual gostamos de cinema. Eles nos dão a incrível oportunidade de viver outras vidas, tão parecidas com as nossas, mas ao mesmo tempo tão distantes. Os sentimentos de Adele são tão reais, sua insegurança, seus momentos de descobrimento, sua dor e sua alegria são tão vívidos e tão fáceis de identificar, que repensamos e nos perguntamos novamente “por que gostamos tanto de cinema?”, lembrando das palavras de Oscar Wilde: “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.”

O veredito final foi de que o prêmio Palma de Ouro para A Vida de Adele foi, sem sombra de dúvidas, merecido, segundo quase todos os críticos e jurados presentes. As duas atrizes que atuaram nos papéis principais também levaram o prêmio, evento inédito no Festival. Nos resta agora esperar para assistir aqui no Brasil e ver se causará polêmica aqui também.





La Vie D'Adele
Diretor:  Abdellatif Kechiche
País de Origem: França
Elenco: Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Aurélien Recoing
Distribuidora: -
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 2h 55min


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