Mostrando postagens com marcador Filmes. Mostrar todas as postagens

Review: A Desolação de Smaug, dos fãs, da obra e minha

0 comentários

O Hobbit: A Desolação de Smaug finalmente chegou ao cinema no dia 13 de Dezembro do ano passado, depois de ter feito os fãs ansiarem desesperadamente com os três trailers lançados que eram de arrepiar toda a espinha. O filme era com certeza um dos mais aguardados do ano, e muitas pessoas esperaram o dia 13 de Dezembro chegar contando os dias para um resultado final que é visualmente impactante, bonito e bem trabalhado, estrategicamente lucrativo, mas devastadoramente tedioso, arrastado e decepcionante.

Todos sabem que essa nova trilogia de Peter Jackson no Universo de Tolkien é baseada no livro de único volume O Hobbit, que varia entre 300 a 400 páginas, dependendo da edição. Logo, a decisão do diretor de produzir três filmes em cima da obra, logo de cara, nos fez entender qual era sua real intenção com esse novo projeto: ganhar dinheiro.

Não que não haja coisas para explorar dentro do livro. Isso há, e muito. Mas três filmes é um exagero. Uma história que poderia ser muito bem contada em um longa com duração de 3 horas seria aceitável se fosse estendido para dois filmes com durações semelhantes, mas três fizeram muitas pessoas ficar com um pé atrás e esperar algo superficial, apenas para fins lucrativos.

No primeiro filme, alguns elementos foram introduzidos ao que era originalmente a história dos anões, acompanhados por um mago e um hobbit, em busca das terras e do tesouro, antes pertencentes aos anões, que o terrível dragão Smaug havia se apossado de forma brutal e tirana. Esses elementos foram totalmente plausíveis analisados de um determinado ponto de vista. Sempre que você vai ao cinema ver uma adaptação de um livro, tem que ter em mente que literatura e cinema são dois universos completamente diferentes. Duas mídias que têm maneiras distintas de transmitir sua mensagem e causar impacto em quem as consume. Para deixar claro, posso citar o encontro do Baurog com Gandalf em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Originalmente, Tolkien descreveu a cena em que o Baurog quer mostrar seu poder de maneira contrária a que vimos adaptada nas telonas. As chamas diminuíam no ambiente e a escuridão tomava conta do lugar, envolvendo o Baurog e o mago cinzento. No filme, vimos o contrário: o fogo brilhou na tela. E isso foi mais impactante. Simplesmente porque em um livro trabalha-se o imaginário, e em um filme o visual. E é visualmente mais interessante e impactante mostrar chamas consumindo o lugar, do que sombras.

Por isso e por outros motivos, aceitamos a presença de orcs durante a jornada dos anões. Isso cria um certo problema com o qual os personagens têm que lidar, ao contrário do livro, em que eles simplesmente andam e têm seu caminho barrado algumas vezes. Aceitamos também algumas modificações em certas cenas icônicas do livro, como as do capítulo “Charadas no Escuro”, em que Bilbo encontra Gollum na montanha dos goblins. Assim como meu exemplo anterior, nessa cena foi visualmente mais interessante deixar o ambiente claro do que colocar os dos personagens no escuro completo. Para o cinema, a opção foi correta.


Mas chegando mais ou menos na metade do livro, encontramos a parte da trama na qual o segundo filme foi baseada. E, para mim, pareceu que os roteiristas rasgaram ou perderam essa parte da obra de Tolkien. Tínhamos algumas partes que podemos dizer serem de extrema importância para os fãs, que leram e esperaram tanto ver certas coisas no cinema. O encontro com Beorn, por exemplo. O ataque das aranhas e o encontro com os Elfos da Floresta. E a chegada à Cidade do Lago. Na realidade, essa parte do livro girava em torno disso, praticamente. E isso, como é de se imaginar, não seria o suficiente para fazer um filme. Mas aí veio o erro. A opção tomada não foi a de se aprofundar dentro desses elementos da trama inicial, e sim a de inserir novos, e isso tornou o filme quase inteiramente desnecessário.

Sobre o encontro com Beorn: decepcionante. Um dos personagens mais marcantes do livro teve sua presença resumida, além de ridiculamente adaptada para ter uma tensão desnecessária. Uma das partes do livro que merece ser analisada à parte pela sua genialidade foi jogada fora completamente. Quem leu o livro sabe que cria-se um momento engraçado, mas ao mesmo tempo tenso, com uma aflição sem igual. A comicidade se deve à resolução de Gandalf quando se depara com o problema de apresentar um grande número de anões entrando na casa de Beorn. Esse diálogo icônico não foi para os cinemas, e eu pude ver logo aí que existiam grandes chances do resto do filme ser assim.

O encontro com as aranhas veio em seguida e me deu uma ponta de esperança para o resto do longa. Como eu mencionei antes, os efeitos visuais foram impecáveis e as cenas de ação excelentes, por isso não havia como errar aqui. Mas como um filme não se sustenta apenas com efeitos especiais bonitos, o pico atingido pela batalha contra as aranhas foi logo abaixo com a chegada dos elfos. Novamente, uma oportunidade de manter a genialidade inicial da obra foi não só perdida como amassada e jogada no lixo. A maneira como os elfos atraíam os anões para fora da trilha simplesmente não existiu, e a partir daí tomei nota em relação ao restante do filme: não há como recuperar.

A presença de Legolas, que seria uma jogada muito bacana se fosse apenas para agradar os fãs mostrando um rosto amigo, acabou tornando-se exagerada. O personagem não existe na obra original, e aqui tornou-se quase um protagonista. Isso não seria ruim se fosse bem aproveitado, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O elfo, filho do rei dos elfos da floresta, envolve-se em um triângulo amoroso em que uma elfa está envolvida e, sim, pasmem, também um anão. Um triângulo amoroso entre dois elfos e um anão.

E toda a parte envolvendo elfos foi estendida desnecessariamente. Cenas de luta contra os orcs e a fuga dos anões foram realmente bonitas de se ver, mas a essa altura você já tinha sacado que tudo isso era só para te enrolar.

E aí veio um dos principais problemas do filme. Nós vemos o que Gandalf vai fazer quando ele se despede do grupo dos anões, logo antes da batalha com as aranhas. No livro, ficamos nos perguntando o que teria acontecido de tão urgente para o mago ter que se retirar da aventura, e um Necromante é apenas mencionado. Aqui, vemos o que parece ser uma prequel aos filmes do Senhor dos Anéis. Não só descobrimos o que Gandalf foi fazer, o que tira o mistério e a magia da relação do Hobbit com O Senhor dos Anéis, como vemos também o próprio Sauron, personagem que nem em O Senhor dos Anéis, onde é o vilão, não chegamos a ver propriamente. Isso foi decepcionante porque, originalmente, a única relação entre o Hobbit e O Senhor dos Anéis era O Um Anel, encontrado por Bilbo e depois passado para Frodo, e isso dava certa independência para as duas histórias, que funcionavam muito bem sozinhas. Agora, O Hobbit parece apenas uma introdução aos eventos de O Senhor dos Anéis, e a oportunidade de deixar no ar a pergunta 'quem seria o necromante?', foi jogada fora. Além disso, sabendo o que Gandalf foi fazer, perdemos o mistério e o tom até mesmo cômico em volta do personagem que tivemos lendo o livro e é possível notar que tudo isso foi só para ganhar alguns minutos de filme e a chance de exibir alguns efeitos visuais.


Depois da fuga dos anões do reino élfico na floresta, temos a chegada à Cidade do Lago, lugar habitado por humanos. Sua recepção não é tão calorosa quanto no livro, mas isso é possível compreender, porque essa modificação foi bem executada, uma vez que um clima de tensão é gerado sem mudar muita coisa, o que foi um ponto positivo. A dificuldade dos anões nessa parte esteve em: entrar na cidade atravessando o Lago, sem serem percebidos.

Já dentro da cidade, conhecemos um pouco os habitantes de lá e do nosso futuro herói Bard, o que eu vi como algo bastante agradável, porque esse era realmente um ponto que merecia ser explorado e aprofundado na obra. Uma certa rivalidade cria-se entre Bard e Thorin, e tudo é construído com excelência para os acontecimentos que estariam por vir. Mas aí vem outro erro grotesco. Depois da partida dos anões para a Montanha Solitária, onde encontra-se o dragão Smaug e seu tesouro, Orcs invadem a cidade sem serem percebidos, rastejando pelos telhados das casas. Qual tinha sido a dificuldade dos anões inicialmente? Entrarem sem serem percebidos. E os anões que se mostraram bastante furtivos até então não conseguiram realizar a tarefa sem terem que se esconder dentro de barris cheios de peixe. Como então, orcs, que não são criaturas nem um pouco furtivas e silenciosas, conseguiram entrar na cidade e locomoverem-se pelos telhados das casas sem serem percebidos? Seriam esses orcs ninjas?

Três anões haviam ficado para trás: Fili, Kili e Bofur. Legolas e Taurien, os dois elfos que protagonizam o triângulo amoroso ao lado de Kili, aparecem na cidade e lutam contra os orcs. Isso enquanto o restante dos anões, acompanhados por Bilbo, tentam entrar na terrível Montanha Solitária.

Bilbo. E esse nome foi mencionado por mim só agora. Pois é, o personagem, originalmente considerado um protagonista, foi ofuscado pelo brilho dos elfos e das cenas desnecessárias. Algumas cenas mostraram que o personagem teve sim extrema importância na jornada dos anões, mas sua participação não passou disso.

Bom, e para encerrar, já dentro da Montanha, vemos o encontro do hobbit com o terrível dragão Smaug. O momento tão aguardado chega e o dragão, descrito por Tolkien como uma criatura belíssima, é revelado, com a voz vibrante de Bennedict Cumberbatch. Tudo é perfeito até que os anões entram no salão do tesouro para ir atrás de Bilbo, o que não tinha no livro antes. E isso gera uma batalha extremamente cansativa e resumida apenas a efeitos especiais bem trabalhados, levando o filme ao seu fim, com o grandioso dragão dirigindo-se para a Cidade do Lago, que é para onde levará destruição.

Sai da sala com vontade de não ver o próximo na estreia. Talvez nem no cinema. Confiei em Peter Jackson achando que o filme não teria cenas desnecessárias para preencher lacunas deixadas depois da decisão de transformar a história numa trilogia, mas isso foi praticamente a única coisa que vi. Algumas referências ao Senhor dos Anéis que tinham o objetivo cômico acabaram se perdendo quando esse filme se tornou um 'Senhor dos Anéis: O Começo', e o tom gracioso, infantil e aventureiro que os fãs tanto gostavam na obra de Tolkien cedeu lugar a cenas de luta bem feitas. No fim, esse filme pode ser resumido à apenas isso; cenas de luta bem feitas, um triângulo amoroso ridículo, introdução ao Senhor dos Anéis e decepção e desolação dos fãs.

Ok, talvez eu esteja errado em generalizar a opinião de todos, mas a minha e a de algumas pessoas com quem discuti o filme até agora foi exatamente essa. Talvez para aqueles que não tiveram contato com a obra de Tolkien não tenha sido tão ruim. Mas para nós foi.

E o que eu tenho a dizer para concluir é que sou grato ao comprovante escolar, que me possibilitou pagar meia-entrada. Senão eu pediria meu dinheiro de volta.



The Hobbit : The Desolation of Smaug
Diretor: Peter Jackson
País de origem: EUA/Nova Zelândia
Elenco: Martin Freeman, Richard Armitage, Ian McKellen
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Warner Bros.
Duração: 2h45min






Leia mais »

Review: Globo reúne ótimo texto e grande elenco na minissérie/filme “O Tempo e o Vento”

0 comentários

O Tempo e o Vento foi uma minissérie inspirada na série literária do escritor Érico Veríssimo. Essa saga está dividida em três livros: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961). Na adaptação para a televisão feita por Jayme Monjardim, teve três capítulos. A trama conta a história das famílias Terra e Cambará através das narrações memoriais de Bibiana Terra (Fernanda Montenegro). Ao receber a visita inesperada do falecido esposo, o capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda), os apaixonados relembraram juntos a história do amor deles e como se deu a formação da família Terra Cambará.

Não sou nem um fã da Rede Globo, no entanto devo reconhecer que no quesito qualidade nas suas produções, deixa as outras emissoras do país cheias de recalque. Uma vez que a qualidade das imagens, cenários e abertura estavam impecáveis. A fotografia da série/filme enche os olhos dos telespectadores, tudo foi pensado nos mínimos detalhes, desde a trilha sonora com o tempo correto entre as falas dos personagens até a narração de Bibiana.


 A escolha do elenco foi acertada, cada ator deu o melhor de si para os personagens. Cléo Pires deu vida a Ana Terra, a moça mostra cada vez mais seu talento herdado da mãe, Glória Pires. Cléo interpreta cada história com um toque diferente e especial. Enquanto Thiago Lacerda compôs com maestria o olhar sínico e sorriso irônico do capitão Rodrigo, embora em determinada parte da trama o cinismo e a ironia deram espaço para um homem rude e amargo. O que dizer da mestra Fernanda Montenegro na composição de uma das matriarcas e narradora da história, Bibiana? Na minha humilde opinião, Fernanda Montenegro deu um tom ideal na narração, usou e abusou da sua voz cansada e rouca, ela estava simplesmente perfeita, e deu a Bibiana um olhar triste e melancólico mergulhado nas suas memórias. Marjorie Estiano interpretou Bibiana jovem, ela se saiu bem também ao compor um olhar apaixonado e enfadonho no início e um pouco mais tarde esse olhar ganhou características tristes e melancólicas. 

No geral, gostei de tudo o que assisti. Agora me interessei pelas obras que conta a saga da família de Ana Terra que inspirou a minissérie/filme e lerei todas futuramente. Quero ver novamente, porém na versão fílmica sem esperar capítulo por capítulo. Indico ao filme desde já pra quem gosta de uma boa adaptação literária para o cinema, pois acredito que uma arte complementa a outra e o telespectador só tem a ganhar quando as obras literárias são transpostas para o mundo cinematográfico. 






O Tempo e O Vento
Diretor: Jayme Monjardim
País de Origem: Brasil
Elenco: Fernanda Montenegro, Cléo Pires, Marjorie Estiano
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Globo Filmes
Duração: 02h 07min



Leia mais »

Review: Jennifer Lawrence é o tordo de "Jogos Vorazes: Em Chamas"

0 comentários

Vivendo sobre um momento de muitos conflitos e manifestos da população reivindicando melhorias nas condições de vida, Jogos Vorazes: Em Chamas nunca se fez tão oportuno. Logicamente que o lançamento do filme no Brasil antes de todo o mundo não passou de uma feliz coincidência com as causas relacionadas à revolta das multidões, afinal a estreia no feriado sempre foi o principal alvo da distribuidora. A adaptação para os cinemas da obra de Suzanne Collins traça uma maturidade e assertividade muito mais eficaz que outras grandes sagas consagradas (Harry Potter é o único que se igual em função de qualidade) e começa aqui a adquirir sua personalidade própria tanto no cinema como na literatura norte-americana.

Para os amantes de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), a sequência traz a personagem exibindo mais vigor de suas características e um censo mais abrangente de suas decisões, que afetam toda a Panem. Após vencer o massacre de jovens dos 74º Jogos Vorazes e, de certa forma, burlar o sistema da Capital, Katniss se transforma em uma esperança para as pessoas que vivem nos distritos se rebelarem e lutarem para ter seus direitos dignos de convivência. Ela só percebe o alcance desse poder quando participa da Turnê da Vitória, que tem como função apresentar o vencedor (nesse caso, vencedores) dos jogos e induzir a população sobre a influência da Capital, ao lado de Peeta Mellark (Josh Hutcherson), com quem vive uma falsa relação de amor em prol da aceitação do público. Sendo uma eminente ameaça, o presidente Snow (Donald Sutherland) não tem alternativa a não ser eliminá-la, só que de uma maneira bem mais discreta e avassaladora. Acontece, portanto o Massacre Quartenário, uma edição especial dos jogos, que escolhe para voltar à arena os vencedores anteriores. Com isso, Katniss agora terá que não somente desafiar a Capital, mas também a si mesma.

Não há como negar que Jogos Vorazes exerce uma intensa dominação sobre o público jovem, que lotam salas de cinema para vibrar a cada cena, porém é importante ressaltar em como o enredo central é envolvente e condiz com nossa realidade. Será que só as pessoas da Capital convivem com o apelo sensacionalista da televisão? O governo corrupto e superficial só existe em Panem? A reflexão que tantos temas voltados para nossa sociedade pode causar não é apenas um fruto da imagem heroica de Katniss Everdeen, mas também um conceito mais amplo que atribui o sentido da força e presença efetiva da mulher.



A junção dessa base predominante de revolução com a de produções hollywoodianas, traz um longa-metragem repleto de sentidos de coragem, persistência e gêneros de ação, aventura e um suspense linear que nos guiam para a interpretação das razões pela qual a protagonista faz suas decisões. Muito mais personificado que o primeiro (afinal o orçamento quase que dobrou, com 140 milhões de dólares), os elementos mais perspicazes presente nas páginas do livro de Collins reflete intensamente nas telas, incluindo falas épicas e as descrições dos cenários. Contudo, por ser uma sequência é impossível assimilar certos fatos sem um conhecimento prévio e mesmo com o primeiro filme em mente, algumas atribuições chegam a ser jogadas para o espectador – visando que seja o mais inteligente possível para compreender sem aquela explicação à lá papinha de bebê. Por isso, a trama estabelece um patamar ainda mais sólido e dialoga com as pessoas que assiste da maneira mais aceitável.

Atuações como a de Sam Claflin como Finnick Odair, que deve ter tirado muitos suspiros das garotas, Jeffrey Wright como Beette, que mostra que a inteligência nata vale mais que músculos na arena, Jena Malone como Johanna Mason, que chegou a surpreender muitos fãs com a personalidade rebelde e incisiva (roubando a cena), e de Lynn Cohen como Mags, que aposto ter tirado muitas lágrimas, dão todo o sentido para nos identificar e criarmos laços de afetividade – que é o fator principal para um envolvimento maior. Créditos grandes também para o trio, composto por Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth. Mais do que nunca, ele mostraram que conhecem seus personagens e souberam contextualizar perfeitamente com as emoções e aflições transpassadas para o telão. Nesse caso, destaque para a vencedora do Oscar (seu salário foi de 500 mil do primeiro filme para 10 milhões), que se tornou o verdadeiro tordo para a franquia – capaz até mesmo de salvar qualquer falha que, por ventura, venha surgir. Aplausos para Woody Harrelson como o excêntrico Haymitch (e suas ótimas sacadas para um alcoólatra que nos faz rir, docinho), Elizabeth Banks como a adorável Effie (quem não se comoveu vendo ela disfarçar as lágrimas no momento da colheita?) e Lenny Kravitz como o incrível Cinna (“Lembre-se, eu ainda continuo apostando em você, garota em chamas”, _|||_).

O diretor Francis Lawrence conduziu muito bem as fimagens, dando a cada ator o desejo de trabalhar prontamente para seu personagem. Como não vibrar com as cenas e cenários impecáveis? Os efeitos especiais são de primeira e nos permite realmente acreditar no que está sendo mostrando, como a névoa trazendo à tona queimaduras vívidas e doloridas e os macacos mutantes preparados para atacar. A fotografia e trilha sonora dão esse ar sombrio que o filme pede e registra a amplitude como as cenas são passadas.

Compartilhando de muitas emoções, Em Chamas pode sim ser considerado muito superior ao original, deixando o espectador ainda mais atento e seduzido pela obra. Não restam dúvidas de que a saga tem muito a oferecer, não só como entretenimento, mas também como um abrangente símbolo de esperança (este o título do último livro, que por questões lucrativas, será dividido em duas partes nos cinemas). Está aí um ótimo filme que não tem medo de lutar, acreditar e ousar quando necessário. Afinal, agora todos nós somos os tordos!



The Hunger Games: Catching Fire
Diretor: Francis Lawrence
País de Origem: EUA
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth
Ano de Lançamento: 2013
Distribuidora: Lionsgate / Paris Filmes
Duração: 2h 26min

Leia mais »

Review: Um traficante, uma stripper, um bobão e uma rebelde são a "Família do Bagulho"

0 comentários

A cada ano que passa, as comédias hollywoodianas vêm ficando mais genéricas e deixando de fazer o mais importante: tirar risadas. Diante dessa seca de criatividade, surge Família do Bagulho, que só pelo título já aparenta ser aquele típico filme nacional que é mais apelativo que deixar todos os protagonistas correrem pelados sem motivo algum. Título esse de um filme norte-americano, na verdade, que não poderia cair melhor, afinal eles são mesmo a tal família do bagulho (drogas).

Quem são eles? Eles são os Millers! Uma família um tanto quanto inusitada composta por uma stripper (Jennifer Aniston), um virgem bobão cheio de inseguranças (Will Poulter), a rebelde que finge ser sem-teto (Emma Roberts) – mas bem que tem um iPhone – e um traficante (Jason Sudeikis), que para não se dar mal com o chefão dos bagulhos tem a arriscada missão de contrabandear maconha do México para os Estados Unidos. Por isso, a grande ideia de montar sua própria e única família, sair para passear de trailer, atravessar a fronteira, pegar a “encomenda” e voltar sem que ninguém suspeite. Não poderia dar mais certo, não é mesmo? Mas nunca dá! Agora, eles terão que entregar a maconha o mais rápido possível enquanto tentam lidar com outra família chata (e safadinha), o namoradinho cabeludo da “filha”, picada de aranha – em lugares pubianos - e mais traficantes.


Apesar de ser o mais clichê possível, a trama é bem feita e garante algumas risadas ao longo de tantas e mais tantas situações incontroláveis. Ninguém disse que sair em família seria fácil! Contudo, o filme é cheio de grandes referências por parte de Sudeikis, que soube aqui fincar seu gancho de bom comediante que é, dando sequência ao divertido esquema que o texto permite. Além disso, os palavrões rolam à solta, o que permite essa sensação de comédia sem escrúpulos (vide policial gay querendo boquete, as preliminares de uma boa suruba entre casais e “mãe” e “irmã” ensinando o “filho” a beijar, com língua e tudo). O elenco, como um todo, também se mostra afiadíssimo nas cenas mais abusadas, fazendo uso do bom roteiro de Bob Fisher e Steve Faber (dupla por trás de Penetras Bons de Bico), transformando esse sarcasmo todo num humor ainda mais negro e repleto de coesões para o desenvolvimento da trama. Se você o conhece de Se Beber, Não Case, talvez aqui ele não pareça tão engraçado! Ed Helms vive o poderoso traficante que tem aquário gigante com baleia que come golfinho, mas sua participação passa tão batida, que é difícil saber se foi boa ou não.

Caso você realmente goste de uma comédia bem passada e que preze pela capacidade do espectador de querer entendê-la, então Família do Bagulho é aquilo que procura – com risadas, pitadinhas de ação, Jennifer Aniston no pole dance e muita confusão. Os Millers são aqueles que brigam muito entre si por serem diferentes, mas no final todos se amam por serem quem são! Ou seja, uma família normal!



We're the Millers
Diretor: Rawson Marshall Thurber
País de Origem: EUA
Elenco: Jennifer Aniston, Jason Sudeikis, Will Poulter
Ano de Lançamento: 2013
Distribuidora: Warner Bros.
Duração: 1h 50min

Leia mais »

Review: Medo e violência resumem "A Morte do Demônio"

0 comentários

Uma coisa é certa: os remakes são os grandes responsáveis por reviver ou afundar de uma vez por todas uma franquia! E Hollywood parece estar vivendo atualmente um processo bem democrático de readaptações, onde resgatar a essência do original e polemizar com temas genéricos no remake soam como a peça principal para se obter sucesso de bilheterias. Com isso o cineasta Sam Raimi não tem problemas, afinal após lançar a primeira versão de A Morte do Demônio, não somente teve êxito como também soube muito bem conduzir suas sequências – por mais irreais que possam se basear. Chegada à vez do estreante Fede Alvarez, o uruguaio por trás do curta Ataque de Pânico!, assumir a direção do remake nessa nova fase do terror, temos um filme mais referencial e cheio de pontos que influem em convencer o espectador que tudo aquilo pudesse mesmo acontecer de forma prática e habitual.

Construindo seu próprio conceito de induzir pessoas ao medo e desespero, A Morte do Demônio surge com o propósito de chocar pela sua grande demanda de insinuação de violência e um pouco de dessaturação, que repreende esse modo de jogar na tela cenas sem cor e frias. Apesar de fazer grande menção ao original, o longa vem como uma espécie de continuação e formula a criatividade do roteiro (que conta com contribuição de Alvarez), partindo da imagem de Mia (Jane Levy), uma jovem com problemas de drogas que conta com a ajuda dos amigos Olivia (Jessica Lucas), Eric (Lou Taylor Pucci) e seu irmão (Shiloh Fernandez) – que traz junto a namorada Natalie (Elizabeth Blackmore) – para fazer uma desintoxicação,afastando-se da cidade e passando o final de semana na velha cabana da família na floresta. Ao chegarem lá, eles percebem que o local havia sido invadido e descobre algo como um ritual no porão (cercado de gatos mortos), acompanhado de um misterioso livro. Intrigado com o objeto, Eric decide investir e acaba lendo desconhecidas frases em voz alta, o que desperta forças demoníacas que se escondem na floresta.

Uma das partes a ser levada em consideração na trama é a relação com que tratam a possessão demoníaca de Mia com o caso de desintoxicação, afinal é de se pensar que algo assim mexa com a mente de uma pessoa e provoque alucinações. E como em todos os filmes do gênero, sempre temos os típicos adolescentes que não sentem nenhum medo de verificar um barulho estranho, ler (mesmo quando avisado para não fazer) palavras de um livro com desenhos satânicos ou enfrentar um amigo endemoniado. Não é à toa que a classificação ficou nos 18 anos, tendo em vista os diversos membros amputados, o excesso de sangue e a voz maligna (e grosso) de um demônio que compreendem essas sensações de pavor e repulsa.


Para os amantes da versão de 1981, pode ser que faltem mais emoções e até mesmo os ares cômicos, apresentados por uma possessão que só ria, mas o desenrolar do enredo de 2013 corresponde às expectativas de uma narração mais derivada de diálogos concisos e explicações, até certo ponto, lógicas. Vale ressaltar como foi surpreendente a atuação de Jane Levy, que veio da série Suburgatory para interpretar um personagem vilão digno de atos como Pânico, absorvendo todos os temores de Mia e assumindo a horripilante aparência de um espírito demoníaco. Falando nessa aparência assombrosa, a maquiagem foi primordial para a elaboração dessa caracterização tão nociva e integrante de elementos como queimadura e um ataque de galhos (só assistindo para saber). Para tratar da assertividade do realismo, o diretor fez questão de usar materiais que pudessem transmitir vômitos de sangue, pedaços de vidro cortando parte da boca, uma faca cortando a língua, uma agulha entrando no olho e tantas outras que são vistas como uma quase tortura para o espectador, assim deixando de lado os atributos dos efeitos especiais. A Aflição pega muito mais do que o próprio temor da violência, que muitas vezes é utilizada com tanta abrangência que chega a não mais intensificar a quem assiste.

Assim sendo, A Morte do Demônio consegue se reinventar diante de tantas divergências no terror e conquista seu público, o que, por si só, já define sua identidade. E embora a trama comece a se sustentar com sua própria base, é bom deixar claro que remakes devem ser coerentes e vale a pena ver como isso irá se sobressair em resposta ao enredo já criado. Afinal, agora todos podemos cantar: “Baby, little baby, it’s time to say goodbye”!



Evil Dead
Diretor: Federico Alvarez
País de Origem: EUA
Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas
Distribuidora: Sony Pictures
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 30min

Leia mais »

Review: O terror está de volta em "Invocação do Mal"

0 comentários

E o diretor James Wan aparece mais uma vez para mostrar que terror de verdade não precisa de vários efeitos especiais, mas sim de um enredo de qualidade e, claro, bons sustos (de dar medo)! Após se consagrar com o primeiro Jogos Mortais e Sobrenatural, ele vem provar esse conceito fazendo jus aos clássicos do gênero, que não usavam milhões de dólares para causar emoções no público, em Invocação do Mal. Com um elenco muito bem escalado, tudo parece rodear aos típicos clichês assustadores, porém isso é usado de maneira a realmente causar um impacto maior aos espectadores.

Já no início, uma citação propícia traduz as expectativas de quem anseia por um terror repleto de cenas com sustos contínuos, que se intensificam após a simbólica frase “Baseada em Fatos Reais” – seguido do título da produção com uma ótima escolha de música de fundo, atribuindo notas agudas e graves que são de dar medo. Invocação do Mal decorre dos casos do casal de demonologistas Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), que são convidados a investigar uma suspeita ocorrência de possessão demoníaca numa casa no campo pertencente a um casal com cinco filhas. Até então, nenhuma novidade, afinal já se tornou hábito ter uma casa mal-assombrada, filhos que sentem espíritos e um porão assustador. No entanto, o modo como esses pontos são tratados se tornam essenciais para despertar o interesse do público, assim como as ótimas atuações de Lili Taylor e Ron Livingston como a mãe e pai desesperados por um suporte nessa situação apavorante.



Cada singularidade das pessoas apresentadas ao longo da trama proporciona essa conexão entre para quem “roer as unhas” e gritar “você vai morrer” (“volta para a cama”), principalmente as filhas – que, de maneira geral, antecipam o susto. Para induzir essa percepção, temos um incrível patamar de visões, que partem das câmeras filmadas desde o pescoço do pai até de ponta cabeça – que contribuem para o sentido de ritmo. Vale ressaltar a intensidade que cada aparição expressa em função de ter ou não aqueles sons de suspense. Por falar na trilha sonora, temos que dar todos os méritos aos métodos de tentar prevalecer o silêncio como forma de assustar (mesmo quando o suspense já foi revelado), afinal menos pode ser mais. Outra questão é também a maquiagem, que aqui é adotada de modo bem simples (fantasmas tem rostos pálidos) e remete aos casos clássicos dos filmes de terror – onde causa mais pavor por figuras como Regan de O Exorcista do que os mínimos detalhes seguidos no remake de A Morte do Demônio. Desse modo, as cenas surgem como usuais e retratam algo exibicionista, que motivam a profunda inter-relação entre o espectador e os personagens.

Por fim, é como se todo o clima estimulado pela trama deixe as pessoas asfixiadas por esse medo que tomou conta da família e do casal demonologista e mostra mais um painel de ótimos trabalhos colecionados por James Wan. De qualquer maneira, fique sempre alerta para seus relógios não pararem às 3h07!





The Conjuring
Diretor: James Wan
País de Origem: EUA
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor
Distribuidora: Warner Bros. / New Line Cinema
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 50min

Leia mais »

Review: A mistureba de "Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos"

0 comentários

Quando alguém vislumbra o título Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos no cinema, logo de cara já começa a imaginar uma produção cheia de ação, suspense e até uma pitada de terror, mas o resultado final é bem diferente do que muitos possam cogitar. O próprio cartaz já estampa rostos jovens que definem praticamente todo o filme, induzindo o espectador a crer que seja mais um para preencher a lacuna deixada por Crepúsculo ou então uma corajosa pretensão de algo mais maduro. Nem um, nem outro!

Para quem já está habituado com sagas teens, sabe muito bem que esperar cenas marcantes, diálogos convincentes e um universo realista é quase impossível, porém dá para se entreter bem e entrar nesse suposto mundo (Jogos Vorazes e Harry Potter conseguiram tal feito). Em Cidades dos Ossos, tudo é diferente! Assustada após assistir a um assassinato que somente ela conseguiu ver em uma boate, Clary Fray (Lilly Colins) começa a perceber que talvez seu próprio mundo guarde mistérios muito mais sombrios do que ela possa imaginar. Envolvida por um perturbador símbolo, a jovem descobre que faz parte de uma geração de caçadores de sombras, que tem instituto e tudo mais numa Nova York bem disfarçada. Quando sua mãe some sem deixar pistas, Clary sabe que terá que entrar nesse universo e lutar contra demônios, feiticeiros, vampiros e lobisomens - menos zumbis, pois segundo a trama, eles não existem -, onde para isso contará com a ajuda de seu melhor amigo Simon (Robert Sheehan) e do caçador Jace Wayland (Jamie Campbell Bower), por quem começa a desenvolver uma forte paixão e inicia seu triângulo amoroso (vide seu amigo Simon).

Pode parecer até clichê demais, só que a produção se salva por abordar tramas já não tão conhecidas pelo público infanto-juvenil. O risco do diretor Harald Zwart em introduzir, mesmo que de forma meio superficial, temas como homossexualidade e incesto é visível, afinal poderia gerar várias críticas para o incentivo de uma compreensão de um mundo muito maior (o que muitas pessoas ainda insistem em tentar evitar). Outro ponto alto da coragem do longa-metragem é exibir uma garotinha de uns 8 anos que se transforma em um demônio, assim como cães ferozes que se tornam envidados do mal ao virarem uma criatura indistinguível e nojenta.



Por outro lado, temos atuações que passam totalmente despercebidas, afinal são tantas cenas de ação mostradas na tela, que sobra uma imensa limitação para falas mais claras e feições abrangentes. E por falar na ação, pode-se dizer que ela, além de corroer grande parte da obra, deixa um pouco a desejar quanto o que realmente quer passar para o público, abusando de lutas desnecessárias – que são ágeis e com uma mudança tão drástica de câmeras, que fica difícil acreditar, até para o espectador mais desatento, que os atores estão ali mesmo. Embora a mitologia seja muito bem estudada, ela parece confusa em meio ao enredo , que só se preocupa em justificar, de forma quase que pedagógico (nos sentimos nas carteiras da escola enquanto os professores explicam, querendo dar mais detalhes, mas com poucos tempo de aula), aquilo que será necessário. A fotografia e direção de arte conseguem nos fazer pressupor que aquilo seja verdade – assim como bons efeitos especiais. A trilha sonora, por sua vez, conta com grandes nomes (como Demi Lovato, Jessie J, Ariana Grande, o DJ Zedd e Colbie Caillat), no entanto soa um tanto perdida nas cenas, como num eletrônico em meio a uma luta bem mais ao estilo grego e egípcio e Heart By Heart da Demi num campo florido de flores com a cena romântica dos protagonistas (chega a ser quase um clipe diante do tempo que dura).

Por fim, nos resta esclarecer que Cidades dos Ossos funciona como um bom entretenimento para tardes tediosas ou curtição com os amigos, sendo nada pretensioso em querer que nos lembremos de nada que alguém quisesse que esquecêssemos (fala da Clary). Sentimos falta um pouco dos ossos e dos instrumentos mortais, mas nada que Clary não conseguisse ocultar com suas falas sem sentido ou sua mão que mata demônios!



The Mortal Instruments: City of Bones
Diretor: Harald Zwart
País de Origem: EUA / Alemanha
Elenco: Lily Collins, Jamie Campbell Bower, Jonathan Rhys Meyers
Distribuidora: Paris Filmes (BR)
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 2h 11min

Leia mais »

SAGAS: Homem de Ferro 2

0 comentários

Por anos fomos oferecidos a enredos bem simbólicos ao tradicional ‘herói perfeito e invencível’ e, querendo ou não, dispensamos o fator realidade, afinal para quem sabe voar e destruir os vilões com apenas um golpe, não precisa enfrentar os paradigmas do ser humano. Correto? Não, está totalmente errado! Temos sentimentos e personalidade que nos levam a ter ações tanto de boa conduta quanto inaceitáveis, o que provoca diversas consequências. Fazer o quê, somos H-U-M-A-N-O-S! E isso a Marvel sabe bem e por isso precisa destacar Homem de Ferro como um das sagas mais questionáveis quanto ao seu sucesso, sendo que Robert Downey JR. apresenta um personagem cheio de defeitos, com ar de narcisismo e um comportamento bem redundante (ao sentido mais arrogante e convencido).

Na sequência de um dos filmes mais rentáveis do cinema, Tony Stark agora já assumiu ser o Homem de Ferro e preza ainda mais sua auto representação de um herói, porém terá que lidar consigo próprio. Enquanto sua tecnologia o ajuda a usar uma armadura capaz de proteger seus ideais, ela também é capaz de matá-lo (lentamente). E como se isso já não fosse o bastante, ele terá que enfrentar os problemas políticos, afinal ainda não se é possível ter uma super arma em casa para uso individual, e os pessoais, vindo da união de um antigo inimigo de sua família e seu concorrente nos negócios Justin Hammer (Sam Rockwell) – que fornece armas para o governo dos EUA.

A junção de todos esses conflitos, proporcionado principalmente pelo vilão Ivan Vanko (Mickey Rourke), permite a elaboração de cenas cômicas e de ação que realmente conseguem despertar qualquer espectador. Por falar na comédia, aqui ela está presente em sua melhor forma, com Stark sendo ainda mais sarcástico com seu inimigo das Indústrias Hammer e no modo como confronta as pessoas com suas atitudes egoístas e errôneas. Embora o personagem esteja evoluindo em questão de um talvez amadurecimento, também é incrivelmente bem conduzido o jeito como é meramente irresponsável (capaz de dar uma festa de aniversário bêbado, fazer piada com urinar na armadura e lutar contra seu melhor amigo militar, que também faz uso da mesma tecnologia). Dessa vez, a S.H.I.E.L.D. já conhece a personalidade egocêntrica de Tony e assim decide manipulá-lo a ser favor, levando a espiã Natasha Romanov (Scarlett Johansson) a se infiltrar na vida do bilionário como sua nova assistente, fazendo uma jogada muito boa para que os fãs comecem a se familiarizar com a agente, que a partir de agora será muito importante para os demais filmes dos heróis da Marvel (principalmente Os Vingadores).



E não é que o diretor Jon Favreau acertou em cheio e pode nos trazer um refinamento bem gradual de um segundo longa-metragem, repleto de um cenário de explosões e emoções (diga-se Pepper Potts). A atuação de Downey Jr. Continua impecável, trazendo todo o carisma que um personagem tão divergente precisa ter para atrair o público. Gwyneth Paltrow continua desempenhando de maneira significativa nossa Pepper, que agora é a presidente das Indústrias Stark. E foi mais que acertada a inserção do ator Don Cheadle no papel de James Rhoedes, com a saída de Terrence Howard, que contribuiu para permanecer a mesma essência do militar. E mais uma vez qualquer desgosto com o enredo foi compensado com os efeitos especiais, que parecem estar bem mais aprofundados nos detalhes e ocupam um espaço primordial no painel de produção do filme (só olhar para a grandiosa Stark Expo). O roteiro de Justin Theroux tinha tudo para rebaixar a produção, mas por incrível que pareça, foram alguns erros que viabilizaram compreender e gostar ainda mais da franquia.

Com isso, Homem de Ferro 2 se torna um grande aliado da Marvel Studios, já que agilizou e muito a permissão para a criação dos demais projetos da gigante dos quadrinhos, formulando vilões extremamente odiados (e humanos), um herói até certo ponto repugnante e insensato (e humano), uma assistente (e paixonite de Tony) madura e responsável (e humana). No final das contas, sabemos que todas essas características e elementos completam o sucesso do filme, fazendo com que tudo seja tão convincente e insólito que nem morangos vão nos dar mais alergia!






Iron Man 2
Diretor: Jon Favreau
País de Origem: EUA
Elenco: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Scarlett Johansson
Distribuidora: Paramount Pictures / Marvel
Ano de Lançamento: 2010
Duração: 1h 57min


Leia mais »

Review: Tem alguém que ainda ri com "Todo Mundo em Pânico 5"?

0 comentários

Quando produtores surgiram com a ideia de satirizar os tão aclamados filmes de terror, ninguém podia imaginar que iria dar tanto sucesso no modelo mais sujo que a comédia de cultura americana pode fazer. Logo, a franquia Todo Mundo em Pânico se tornou sinônimo de uma comédia levado ao mais puro teor sexual com uma pitada de loucura e cenas sem o menor sentido. E agora, perguntamos: o que aconteceu com toda essa comédia? Bem, os anos foram passados e os filmes de terror foram ficando cada vez mais escassos de praticar a real essência para o que nasceram: assustar e dar medo. Hoje, a comédia também não é lá essas coisas e um modelo que faz de praticamente tudo (desde espancar bebês até cortar pernas e braços de pessoas que continuam vivas) não devem tirar mais do que apenas alguns risos forçados.

E nem adianta argumentar que o fracasso de Todo Mundo em Pânico 5 veio pela falta de Anna Farris no elenco, pois desde o 4º filme já se via sinais de um desgaste por parte do público e talvez até um descaso pelos roteiristas – que, em maneira alguma, apresentaram algo digno de gargalhadas. Dessa vez, nada muda (como de costume) e temos mais um enredo construído a partir dos recentes (ou não) produções aterrorizantes (só que não), que usam Mama como trama principal para as sátiras de Atividade Paranormal, A Morte do Demônio, A Origem, Cisne Negro e Planeta do Macacos: A Origem – sendo os dois últimos os que menos tem relação como gênero e origem da franquia. É inquestionável a descrença da própria Dimension Films no filme, fazendo diversas alterações (adiamentos) na data de lançamento, por isso não é de surpreender com o fraco lucro nas bilheterias de apenas US$ 30 milhões (o menor da franquia).




E para ficar ainda pior, percebemos que as participações especiais de Lindsay Lohan e Charlie Sheen de nada acrescentaram para nos fazer rir, muito pelo contrário, afinal foram cenas tão previsíveis – ao estilo mais dinâmico que Todo Mundo em Pânico pode ser – que viraram totalmente descartáveis, onde nem mesmo o talvez dito “humor negro” praticado contra LiLo fizesse algum efeito. No entanto, vale ressaltar que o longa consegue nos fazer dar algumas risadinhas, seja nas de duplo sentido (sexual) ou no simples fato de ser tão ridículo que dá graça. Além disso, a trama teve uma boa procura de cenários, que condiziam quase perfeitamente com o original, abusando de elementos a mais que conseguiram prevalecer com o conteúdo adotado pela franquia diante de tantas produções semelhantes (ou cópias) – que conseguem ser bem mais mal-feitas. Não te jeito, crianças enfiando material agudo em si mesmas, o rabo de um gato que pode ser confundido com um pênis, um especialista trapaceiro e fanfarrão de fantasmas, sonhos apelativos ao sexo com Christian Grey de Cinquenta Tons de Cinza e cabeças de bebes pegando fogo não tem mais graça quando o mundo deixou de ter somente as produções audiovisuais como formas de rir (na internet se encontra muita coisa melhor e rápida).

Está tudo muito fora de ordem em Todo Mundo em Pânico 5, mas isso não seria problema caso houvesse um sentido para rir, mas como não há, fica tudo a mercê dos desgostos dos produtores. E assim a franquia se encerra com uma comédia que além de fraca chega a ser imensamente inútil, não menosprezando o trabalho da equipe, mas sim a falta de vontade em desenvolver algo, pelo menos, aceitável. Serve apenas para assistir com os amigos e rir mais da zoação alheia do que com o próprio filme. E respondendo a pergunta do título: têm sim pessoas que riem (forçadas), porém dificilmente soltarão as tão inusitadas e almejadas gargalhadas!





Scary Movie 5
Diretor: Malcolm D. Lee
País de Origem: EUA
Elenco: Ashley Tisdale, Simon Rex, Lindsay Lohan
Distribuidora: Dimension Films / Imagem Filmes
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 29min

Leia mais »

E se todas as animações da Pixar estivessem conectadas entre si? Venha conhecer a "Teoria da Pixar"

0 comentários

Quem nunca se viu envolvido numa estória da Pixar? O estúdio de animação 3D mais famoso do mundo, que inclusive é pioneiro na apresentação para os cinemas de filmes em 3ª dimensão, conquistou a todos (e mais um pouco), mas o sentido mais impressionante nem era os detalhes e a precisão de movimentos dos personagens, mas sim a criatividade. A Pixar sempre foi vista como um grande sinônimo de criar e inventar enredos fantásticos, que além de nunca antes pensados, nos fazem pensar e induzir nossa própria imaginação. Entretanto, e se alguém dissesse que todas as suas animações estão envolvidas num mesmo universo e espaço de tempo?


Desde os princípios básicos de Toy Story, com os brinquedos que criam vida e o primeiro filme lançado, até Valente, da cabeluda ruiva princesa Merida e último que chegou às telonas, a magia é o elemento mais oportuno utilizado para a elaboração de tramas ou explicações (até aceitáveis) dos motivos para tais criações existirem. O jornalista Jon Negroni resolveu partir do conceito de todos os enredos estão entrelaçados entre si e mostram um futuro e passado ambientado num propósito bem maior, interessante e reflexivo. Pode até parecer que tudo não passa de pressuposições que se encaixam, porém a “Teoria da Pixar” é complexa e ao mesmo tempo admirável, afinal traz realmente um sentido múltiplo para as animação compostas pelo estúdio.

Veja a teoria e tire suas próprias conclusões:

O texto faz parte da "The Pixar Theory", escrita por Jon Negroni

Todos os filmes da Pixar estão conectados. Eu explico como e, possivelmente, o porquê. Alguns meses atrás, eu assisti um vídeo bem divertido no Cracked.com que introduziu a ideia (pelo menos para mim) de que todos os filmes da Pixar realmente existem dentro do mesmo universo. Desde então, estou obcecado por esse conceito, trabalhando para completar o que eu chamo de "A Teoria da Pixar," uma narrativa de trabalho que une todos os filmes da Pixar em um cronograma coerente com um tema principal. Esta teoria abrange todas as produções da Pixar, desde Toy Story. Isso inclui: Vida de InsetoToy Story 2, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os Incríveis, Carros, Ratatouille, Wall-E, Up, Toy Story 3, Carros 2, Valente e Universidade Monstros.


Todos os filmes estão ligados entre si e seus enredos influenciam os demais. Aqui vamos nós:

Valente é o primeiro e último filme na linha do tempo. Obviamente, este filme sobre um reino escocês durante a Idade Média é o período mais antigo apresentado pelos filmes da Pixar, mas é também o único filme da Pixar que realmente explica por que os animais do universo Pixar se comportam como seres humanos, às vezes.


Em Valente, Merida descobre que existe "mágica" capaz de resolver seus problemas, mas, acidentalmente, transforma sua mãe em um urso. Nós descobrimos que essa mágica vem de uma bruxa estranha, aparentemente ligada às misteriosas Will-of-the-tufos (conhecidas como chamas-de-fogo-fátuo). Não só vemos animais se comportando como seres humanos, mas também vemos vassouras (objetos inanimados), comportando-se como pessoas na loja (cabana/casa) da bruxa.


Sabemos também que esta bruxa inexplicavelmente desaparece toda vez que ela passa por portas, levando-nos a acreditar que ela não pode mesmo existir. Vamos aos poucos, depois voltamos para Valente. Vamos apenas dizer que, por enquanto, a bruxa é alguém que conhecemos de um filme diferente na linha do tempo.

Algumas pessoas  apontaram que os animais em
Valente voltam constantemente a agir como animais, contestando a ideia de que esta é a origem dos animais que agem como seres humanos. Minha resposta é simples. Eles regredem porque a magia desaparece. Com o tempo, sua inteligência começa a evoluir naturalmente.

Séculos depois, os animais de Valente, que passaram pelo experimento da bruxa, acabaram se reproduzindo, criando uma população em grande escala de animais que foram ganhando lentamente personalidade e inteligência própria.

Existem duas formas de evolução: a evolução dos animais e a evolução da inteligência artificial. Os acontecimentos dos filmes seguintes mostram uma luta de poder entre os seres humanos, animais e máquinas. O palco para essa guerra em relação aos animais é exibido, respectivamente, em Ratatouille, Procurando Nemo e Up. Observe que deixei de fora Vida de Inseto, mas vou explicar o porquê depois. Em Ratatouille, vemos animais que experimentam essa personalidade humana de forma pequena e controlada. Remy quer cozinhar, algo que só os seres humanos fazem. Ele cria relações com um pequeno grupo de humanos e encontra seu sucesso. Enquanto isso, o vilão de Ratatouille, Chef Skinner, desaparece. O que aconteceu com ele? O que ele fez ao saber que os animais eram capazes de transcender seus instintos e executar tarefas melhores do que os seres humanos?


É possível que Charles Muntz, o antagonista de Up, tenha tomado conhecimento desse rumor surpreendente, tendo a ideia de criar dispositivos que conseguissem expor os pensamentos dos animais, como seus cães, através de suas coleiras tradutoras. Essas coleiras indicaram para Muntz que os animais são mais espertos e mais parecidos com os seres humanos do que nós pensamos. Ele precisava dessa tecnologia para encontrar o pássaro exótico que ele estava obcecado, e ele mesmo comenta sobre quantos cachorros ele perdeu desde que chegou à América do Sul.

Mas, então, Dug e o resto de suas experiências são libertadas depois da morte de Muntz, e não sabemos as implicações disso, mas o que sabemos é que o ressentimento entre os animais e os seres humanos se torna cada vez maior. Agora que os seres humanos descobriram o potencial dos animais, eles começam a cruzar a a tal linha. Para desenvolver essa nova tecnologia, os seres humanos começam uma revolução industrial introduzida em Up.

Alguns pessoas têm comentado que Muntz estava trabalhando na América do Sul antes dos acontecimentos de Ratatouille. Isso é verdade, mas nunca é mencionado como e quando foram desenvolvidos os colares. Além disso, sabemos que Ratatouille ocorre antes de Up por várias razões. Em Toy Story 3, um cartão postal na parede do Andy tem o nome e endereço de Carl e Ellie (incluindo seus sobrenomes). Isso confirma que em 2010, o ano em que se passa Toy Story 3, Ellie ainda estava viva ou então morreu há pouco tempo. Isso evidencia a ideia de que Up se passa anos depois.


No começo de Up, Carl é forçado a deixar sua casa para uma empresa porque eles estão expandindo a cidade. Pense sobre isso. Qual é a empresa culpada por poluir a terra e acabar com a vida em um futuro distante por causa de exageros tecnológicos?



Buy-n-Large (BNL), uma empresa que controla praticamente tudo quando assistimos a Wall-E. Na "História da BNL", comercial feito para o filme, somos informados de que BNL chegou até a assumir o controle dos governos. Você já deve ter entendido que essa empresa alcançou domínio global? Curiosamente essa é a mesma organização aparece, de relance, em Toy Story 3:


Em Procurando Nemo, temos uma população inteira de animais marítimas que se unem para salvar um peixe que foi capturado por humanos. A BNL aparece novamente nesse universo através em uma notícia que fala sobre um bonito mundo subaquático. Em Procurando Nemo, os mundos estão sendo ligados. Os humanos estão começando a se proteger contra os animais cada vez mais inteligentes. Pense sobre Dory de Procurando Nemo por um momento. Ela se diferencia da maioria dos outros peixes. Por quê? Ela não é tão inteligente. Sua perda de memória recente é o resultado dela não ser tão avançada quanto as outras criaturas do mar, que é uma explicação razoável para a rapidez com que essas criaturas estão evoluindo.


É provável que a sequência de Procurando Nemo, que será focado em Dory, trate desse assunto e ainda explique o porquê. Também devemos ter mais provas mostrando a situação de rivalidade entre seres humanos e animais.

Outras pessoas alertaram para o fato de Dory ser realmente inteligente ao mostra sinais de evolução devido à sua capacidade de ler e se comunicar com as baleias. Isso realmente mostra sinais de como os animais estão começando a mudar sua inteligência aos poucos.

E esse é o filme que mais passa longe da análise dos animais. Quando se trata de inteligência artificial, começamos com Os Incríveis. Quem é o vilão principal do filme? Você provavelmente pensou de Buddy, o Síndrome, que, basicamente, comete genocídio dos seres humanos com super-heróis.


Será mesmo que foi ele? Buddy não tinha nenhum poder. Ele usou a tecnologia para se vingar do Sr. Incrível por não levá-lo a sério. Parece um pouco estranho que esse homem tenha ido tão longe para cometer genocídio.

Muitos têm discutido sobre qual época realmente ocorreu Os Incríveis, pois vemos a tecnologia dos tempos modernos e mesmo parecendo se passar em 1980, tem uma vibe dos anos 1960. Essa consideração é feita por Brad Bird, o diretor, que diz que o filme se passa em um 1960 alternativo, o que significa que o filme começa na década de 1950.

E como Buddy mata os super-heróis? Ele cria a Omnidroid, um robô assassino que examina os movimentos de todos os super-humanos e se adapta. Quando o Sr. Incrível tem o primeiro contato com essa máquina, Mirage menciona que é uma inteligência artificial avançada, que é astuta/esperta. Sr. Incrível percebe então que a máquina se tornou esperta o suficiente para saber quais seriam suas decisões. Em certo momento, o Omnidroid se revolta contra Síndrome, o que nos leva a acreditar que ele estava sendo manipulado por máquinas o tempo todo, a fim de acabar com a maior ameaça da dominação robótica, os seres humanos super-poderosos. O filme ainda mostra cenas de super-heróis com capas sendo mortoss pelos objetos inanimados, como turbinas de avião... acidentalmente.


Alguém sugeriu que Randall voltando ao tempo teria inspirado Edna a criar o uniforme de invisibilidade da Violet. Além disso, alguns questionam se Síndrome foi ou não realmente manipulado por sua própria tecnologia. Perceba que o filme evidente ter ocorrido no passado. O começo parece acontecer no final dos anos 60 ou início dos anos 70, ou seja, os eventos do filme devem acontecer no final dos anos 80 ou início dos anos 90. Essa é uma introdução adequada para Toy Story, quando começamos a ver as máquinas que questionam o seu propósito na vida. É possível que Síndrome criou essa tecnologia para se tornar melhor do que o seu ídolo. Isso não explica a sua sede de vingança. Parece que ele acabou sendo consumido pelo ódio, e nos permite considerar que as máquinas queriam usá-lo para atender às suas necessidades, uma vez que são seus escravos. Ou isso, ou as máquinas sabiam que matar os heróis era a única fora de conseguir dominar o mundo pela BNL.


Mas então por que as máquinas queriam se livrar dos seres humanos? Sabemos que animais não gostam de seres humanos porque eles estão poluindo a Terra e fazendo experimentos com eles, mas por que as máquinas teriam um problema? Surge assim Toy Story. Aqui vemos os seres humanos usando e descartando "objetos" que são claramente consciente. Sim, os brinquedos amam seus donos, mas ao longo das sequências de Toy Story, vemos brinquedos ficando cansados e insatisfeitos. O que isso quer dizer? Brinquedos e objetos inanimados não são necessariamente máquinas, assim como eles têm algum tipo de inteligência? Síndrome tem a resposta. Ele diz ao Sr. Incrível que seus lasers são alimentados por energia de ponto zero. Esta é a energia electromagnética que existe no vácuo. É a energia invisível que encontramos em comprimentos de onda e uma explicação razoável para como brinquedos e objetos do mundo Pixar criam vida.


Pelos acontecimentos dos filmes de Toy Story, partimos da década de 90 até 2010. Passaram-se cerca de 40 à 50 anos ou mais desde os acontecimentos de Os Incríveis, dando tempo de sobra para a BNL desenvolver essa inteligência artificial.

Enquanto isso, a Pixar está demonstrando insatisfação entre os moldes de civilizações dos brinquedos. Os brinquedos se revoltam contra Sid no primeiro filme. Jesse fica ressentida de sua dona, Emily, por tê-la abandonado. O Urso Lotso odeia os seres humanos no terceiro filme. Brinquedos, obviamente, não estão satisfeitos com sua condição de importância, fornecendo uma razão para máquinas e objetos semelhantes estarem prontos para liderar.

Então, lá pela década de 2000, os super-humanos perderam força e a humanidade fica vulnerável. Assim, os animais acabam tendo a chance de dominarem o mundo, algo como mostrando em Planeta dos Macacos, mas não vemos isso acontecer. Nem mesmo as máquinas acabam por assumirem o controle dos seres humanos por meio da força. Por que isso acontece? É provável supor que as máquinas assumiram o controle, mas não como esperávamos. As máquinas acabam usando a BNL, uma corporação sem rosto (que tem sua figura de líder vista como a natureza), tentando dominar o mundo desde a década de 1960 com a Omnidroid, que não consegue derrotar os Incríveis.

Cada um dos filmes de Toy Story deixa claro que os objetos conscientes confiam inteiramente nos humanos para tudo. Para sua satisfação e até mesmo como fonte de energia. É indicado que os brinquedos perdem a vida quando são guardados, a menos que eles estejam em um museu que permita serem vistas por seres humanos.


Com isso, as máquinas decidem controlar os seres humanos, usando uma empresa que atenda todas as suas necessidades, levando a uma revolução industrial que eventualmente leva à ... poluição. Quando os animais se rebelam contra os humanos para impedi-los de poluir a terra, quem poderá salvar os humanos? As máquinas. Sabemos que as máquinas vão ganhar a guerra, afinal depois animais nunca mais são vistos na Terra. Quem sobrou?


Porque as máquinas deixam tudo fora de controle, e a Terra se torna um planeta impróprio para seres humanos e animais, de modo que os seres humanos restantes são colocados em Axiom, como um último esforço para tentar salvar a raça humana.



Em Axiom, os humanos não têm nenhum propósito além de ter suas necessidades atendidas pelas máquinas. As máquinas fizeram os seres humanos dependerem deles para tudo, porque foi assim que foram tratados quando eram "brinquedos." É tudo o que sabem fazer.


Enquanto isso na Terra, as máquinas são deixadas para trás para povoar o mundo e continuar com o ciclo, explicando como as tradições e construções permanecem presentes em Carros. Não existem animais ou seres humanos nessa versão da Terra, porque todos eles se foram, mas nós sabemos que o Planeta tem ainda muitas influências humanas. Em Carros 2, os carros vão para a Europa e Japão, esclarecendo que tudo isso está ocorrendo na Terra que conhecemos. Então, o que aconteceu com os carros? Nós sabrmod até agora que os seres humanos são a fonte de energia para as máquinas. É por isso que eles nunca se livraram delas. Em Wall-E, eles apontam que a BNL tem a intenção de trazê-los de volta quando o planeta estava limpo de novo, mas eles falharam. As máquinas acabaram morrendo na Terra, embora não saibamos como.



O que sabemos é que há uma crise de energia em Carros 2, com o petróleo sendo sua única fonte apesar de seus perigos. Nós até sabemos que a empresa Allinol estava usando "energia verde" como um catalisador para uma guerra de combustível, a fim de distanciarem os carros de fontes alternativas de energia. Esse combustível "limpo" poderia ter sido usado para acabar com muito rapidamente com a maioria dos carros.


Uma pessoa revelou que "all in all" (Allinol) significa a mesma coisa que "by and large" (BNL), fazendo a ligação entre Carros e Wall-E ainda mais coerente.

O que nos traz de volta à Wall-E. Alguma vez você já se perguntou por que Wall-E era a única máquina que "sobreviveu"? Sabemos que o filme começa 800 anos depois que os humanos deixaram a Terra para Axiom, governado pelo piloto automático (outra inteligência artificial). Será que o fascínio de Wall-E com a cultura humana e sua amizade com uma barata permitiu que fosse capaz de manter sua personalidade? É por isso que ele era especial e libertou os seres humanos. Ele lembrou dos momentos em que humanos e máquinas viviam em paz, longe de toda a poluição causada por ambos os lados.


Depois de Wall-E libertar os seres humanos e trazer a sociedade de volta à Terra, o que acontece então? Durante os créditos finais de Wall-E, vemos o sapato que continha a última semente de planta do Planeta. Ela cresce vira uma grande árvore. Uma árvore que notavelmente se assemelha a árvore central na Vida de Inseto.





Isso está certo! A razão pela qual os seres humanos não existem em Vida de Inseto é porque não há muitos. Sabemos por causa da barata que alguns dos insetos sobreviveram, o que significa que eles se recuperaram um pouco mais rápido, mas o filme tinha que ser distante o suficiente da linha do tempo para que os pássaros voltassem bem.

Eu admito, a semelhanças das árvores não é o suficiente para suportar a ideia de que Vida de Inseto tenha ocorrido depois de Wall-E, mas há definitivamente mais razões pelas quais isso é provável. No entanto, vou deixar a árvore de novo para depois, porque ela aparece em Up também.


Há algo muito diferente em Vida de Inseto quando comparado as outras animações da Pixar de animais, o que me leva a acreditar que ela aconteça no futuro. Ao contrário de Ratatouille, Up e Procurando Nemo, os insetos têm muitas atividades humanas semelhantes, o que os ratos de Ratatouille estavam apenas experimentando. Os insetos têm cidades, bares, sabe o que é um bloody mary, e até mesmo tem um circo itinerante. Tudo isso pressupõe que o filme está em um período de tempo diferente.


Outro fator que diferencia Vida de Inseto dos outros filmes da Pixar é o fato de que ele é o único, além de Carros e Carros 2, que sequer chega a citar humanos.


Tudo bem ,existem muitos desentendimentos sobre a ideia de que Vida de Inseto seja pós-apocalipse, mas vejam bem. A razão pela qual eu estou tão influenciado a cogitar essa ideia é por causa do quão diferente o mundo dos insetos é dos filmes com os demais "animais". Nenhum outro filme da Pixar tem animais vestindo roupas, fazendo loucas invenções, criando máquinas ou teno tanta influência humana como bares e cidades. Em Procurando Nemo, a coisa mais humana que vemos é uma escola, e até que é bastante simples. Mas em Vida de Inseto, temos um mundo onde não há a presença explícita de humanos. Em um ponto, uma das formigas diz a Flik para não deixar a ilha, porque há "cobras, pássaros e insetos maiores lá fora." Ele nem sequer se refere a seres humanos. Sim, existem alguns seres humanos, como o garoto que supostamente pegou as asas do inseto sem-teto, mas que ainda se encaixa em um mundo pós-Wall-E. Além disso, os insetos devem ter alguma radiação para poderem viver por tanto tempo. A média de vida de uma formiga é apenas 3 meses, mas essas formigas conseguem sobreviver a um verão inteiro e deixam a hipótese de estarem lá já faz algum tempo. Uma das formigas ainda diz que "se sente com 90 novamente." Isso é aceitável se você aceitar que as formigas são mais resistentes devido à evolução e genes mutados.

Há um outro filme da Pixar que era para ser lançado em 2012, mas foi cancelado e substituído por Valente. Esse filme foi chamado Newt e eu acredito que ele poderia se encaixar nessa parte da linha do tempo pós-Wall-E. O suposto enredo do filme: "O que acontece quando as últimas salamandras masculinas e femininas de patas azuis do planeta são forçadas pela ciência a ficarem juntas para salvar a espécie, sendo que elas não podem ficar umas com as outras?"



Um filme sobre uma espécie em extinção se reproduzindo poderia funcionar muito bem nessa teoria, mas uma vez que o filme nunca foi lançado, só estou especulando.

Então o que acontece? Humanos, máquinas e animais cresceram em harmonia até o nascimento de uma nova super espécie. Monstros. A civilização de monstros é, na verdade, a Terra no futuro bem, mas bem distante mesmo.


Algumas pessoas especularam que em Universidade Monstros, o colégio foi fundado em 1313. Se estamos realmente no futuro, então isso significa que os monstros podem ter começado uma sociedade do zero e começou a usar o seu próprio calendário. Isso poderia significar que Monstros SA acontece 1400 (ou mais) anos após Vida de Inseto.

De onde que eles veem? É possível que os monstros sejam simplesmente os animais evoluídos modificados devido a uma forte radiação em torno de 800 anos. Mas não durante Wall-E. Eu acho que ele levou centenas de anos depois de Wall-E para que os animais se tornassem monstros. Outra alternativa poderia ser o cruzamento entre seres humanos e animais para que pudessem sobreviver. Nojento, eu sei, mas plausível, já que as linhas de separação entre os animais e os seres humanos estão constantemente em aberto na Pixar.


Seja qual for o motivo, todos esse monstros se parecem com animais horrivelmente mutantes, só que maiores e civilizados. Eles têm cidades e até faculdades, como vemos em Universidade Monstros.

Um problema que alguém descobriu é que isso não explica adequadamente o que aconteceu com os seres humanos. Não descobri uma teoria que eu realmente gosto, mas eu estou propenso a acreditar que monstros e máquinas, eventualmente, se esqueceram de que eles precisam de seres humanos e se livraram deles novamente, não percebendo o seu erro até que todos os seres humanos desaparecessem, levando a necessidade da viagem no tempo. Outra explicação é que os seres humanos simplesmente não poderiam sobreviver mias na Terra.

Em Monstros SA, que tem uma crise de energia, porque eles estão em uma Terra num futuro distante em que não existem seres humanos. Os humanos são a fonte de energia, mas graças às máquinas, mais uma vez, os monstros encontrar uma maneira de usar as portas para viajar para o mundo humano. E não dimensões diferentes.



Os monstros estão voltando no tempo. Eles estão coletando energia para evitar sua própria extinção, indo de volta para quando os seres humanos eram mais proeminentes. O pico da civilização, se você quiser. Embora muito tempo tenha se passado, a rivalidade entre os seres humanos nunca mudou entre animais/monstros. Monstros devem ter contado como instintos anti-humanos que apenas um toque em uma pessoa poderiam destruir seu mundo. Então, eles assustam os humanos para coletar a sua energia até que eles percebem que o riso (energia verde) é mais eficiente, pois é de natureza positiva.

Uma explicação alternativa que se encaixa ainda melhor (feita por comentários): As máquinas e monstros criaram as portas de viagem no tempo, mas perceberam que mexer com o tempo poderia apagar a sua existência e mudança na história. Então, eles treinaram monstros para acreditar que os seres humanos são tóxicos e de outra dimensão, tornando-se o suicídio de um monstro se interagissem muito com seu mundo.

Nós até percebemos uma conexão entre a Vida de Inseto e Monstros SA, através do trailer que vemos em ambos os filmes. Como você pode ver, o trailer parece exatamente o mesmo, exceto que o de Vida de Inseto é visivelmente mais velho e sujo, enquanto o de Monstros SA, onde Randall é enviado através de uma porta, tem humanos e parece mais novo.


Olhe para a foto acima. À esquerda está o trailer de Vida de Inseto e da direita é de Monstros SA. O da esquerda parece mais antigo e mais decadente. Mesmo a vegetação é visivelmente mais seca e muito pouca. O trailer da direita tem os seres humanos e a foto mostra grama alta e uma árvore.


Alguns argumentaram que o trailer em Vida de Inseto deve ser nada além de poeira. Eu discordo com base em quão mal intactas outros edifícios estavam em Wall-E. Também falaram sobre a armadilha elétrica para insetos. A armadilha poderia facilmente ser movido a energia solar, assim como Wall-E. Os insetos poderia muito usar a fonte de luz como sinalização para outros insetos sobre a localização da Cidade dos Insetos. Além disso, o trailer em Vida de Inseto não é tão iluminado como o de Monstros SA.

Dito isso, Monstros SA é até agora o filme mais futurista da Pixar. Ao final, os seres humanos, animais e máquinas finalmente encontraram uma maneira de entender uns aos outros e viver em harmonia. E temos a Boo. O que você acha que aconteceu com ela? Ela viu tudo acontecer em uma Terra do futuro onde o "gatinho" era capaz de falar. Então, ela se tornou obcecada em descobrir o que aconteceu com seu amigo Sully e por que os animais em seu tempo não eram tão inteligentes quanto os que ela tinha visto no futuro. Ela lembra que "portas" são a chave de como ela encontrou Sully, e acaba virando...


A BRUXA.

Sim, Boo é a bruxa de Valente. Ela descobre como viajar no tempo para encontrar Sully, e volta à fonte: as chamas de fogo-fátuo. Aqui foi onde tudo começou, e como uma bruxa, ela desenvolve essa magia em uma tentativa de encontrar Sully, criando portas que voltam ou avançam no tempo.

Só para esclarecer: A teoria é que Boo tenha descoberto uma forma de usar as portas para viajar no tempo sozinha, possivelmente através do desenvolvimento de magia por conta própria. Ela provavelmente voltou no tempo para a Idade das Trevas para obter mais magia das chamas de fogo-fátuo.

Como podemos saber disso? Em Valente, você pode rapidamente um desenho na casa da bruxa. É Sully.


Nós até mesmo podemos ver o caminhão do Pizza Planet esculpida como um brinquedo de madeira em sua loja, o que não faz sentido a menos que ela já o tenha visto antes... (e eu tenho certeza que ela viu, afinal o caminhão está em quase todos os filmes da Pixar). Se você olhar de perto, você pode ver o caminhão esculpido abaixo.


Você se lembra de Merida abrindo portas e a bruxa constantemente desaparecendo? É porque as portas são feitas da mesma forma que as de Monstros SA. Elas transportam ao longo do tempo e é por isso que Merida não conseguia encontrar a bruxa.

Várias pessoas têm comentado como esses easter eggs (objetos ou referencias, como o próprio caminhão) estão espalhados por todos os filmes da Pixar. Menciona poucos deles, mas uma grande teoria oferecida por alguns que eu acredito é que estes easter eggs foram colocados pela Boo, intencionalmente ou acidentalmente, enquanto ela viaja no tempo para encontrar Sully. Outra evidência para isso é o fato de que essas referências em Valente estejam na casa dela.


Mas espere. Como foi que Boo fez essas viagens no tempo, e por que ela está obcecada com a madeira? Boo deve ter descoberto que a madeira tem sido a fonte de energia o tempo todo, e não apenas os seres humanos. As máquinas e monstros em Monstros SA usam portas porque eles são feitos de madeira e encontraram uma maneira de usar essa energia para viajar no tempo. Obcecado em encontrar Sully, Boo viajou por todo o universo Pixar usando portas.

É até possível que a madeira da árvore em Vida de Inseto seja a fonte de criatividade do Flik, devido ao seu fascínio e respeito por sementes que crescem em árvores. A árvore também carrega uma semelhança ao que Carl e Ellie frequentavam em Up, o que poderia ser a fonte de criatividade do Carl no uso de balões para o transporte de sua casa. Isso também explica o motivo de Flik e Heimlich de Vida de Inseto aparecerem em Toy Story 2. Boo estava tentando ir para o futuro e poderia ter ficado aquém, indo até o tempo pós Wall-E. Ela precisaria de madeira para manter o tempo de viagem, mas não há muita volta, no entanto, para que ela se depare com a árvore em Vida de Inseto. Ela poderia ter acidentalmente trazido de volta alguns insetos com ela quando viajou para o passado.

Então, Boo voltou para a Idade das Trevas, provavelmente porque ela poderia usar muita madeira lá para seus experimentos ou para estudar a chamas de fogo-fátuo  Sabemos que seu primeiro encontro com Mor'du terminou com ela transformando-o em um urso monstruoso, mas ele regride. Ela provavelmente quis transformá-lo em um urso porque Sully se assemelha a um urso, e ela ainda está tentando descobrir onde Sully está.


Será que Boo chegou a encontrar Sully? Eu gosto de pensar assim. Ele certamente se reuniu com ela pelo menos uma vez como uma criança no final de Monstros SA, mas, eventualmente, ele teve que deixar de visitá-la. Mas seu amor por Sully é, afinal, o ponto crucial de todo o universo Pixar. O amor de diferentes pessoas de diferentes idades e até mesmo espécies diferentes encontrando maneiras de viver na Terra sem destruí-la por causa de um desejo de energia.

E essa é a Teoria Pixar. Mais será adicionado a ela, sem dúvidas, quando o próximo filme da Pixar, The Good Dinosaur, ser lançado em 2014.


The Good Dinosaur supostamente mostra um universo alternativo onde os dinossauros nunca foram extintos porque um meteoro nunca atingiu a Terra. Eles têm os seres humanos como animais de estimação nessa realidade alternativa. Minha teoria é que esse "universo alternativo", explica por que tantas coisas no universo da Pixar são diferentes dos nossos. É porque a evolução nunca foi interrompido por uma catástrofe mundial. Os seres humanos evoluíram para heróis e animais ganhar consicência rapidamente, acelerando o apocalipse para os recursos que poderiam fazer o mesmo com o nosso cronograma. Ah, e Dinoco de Toy Story é uma conexão muito provável para podermos especular.

Para ler a matéria completa e em seu idioma original (com atualização que acontecem frequentemente), clique aqui. O texto foi adaptado pela equipe O Que Vi Por Aí (se for utilizar, por favor, credite).

Leia mais »