
por Léo Balducci
A introdução é apresentada pela narração da jovem India Stocker (Mia Wasikowska), que por trás da contraposição do que aparentemente está falando, anda pelo campo de flores atingindo as pétalas das flores minuciosamente tingidas de um tom vermelho e branco. Logo temos em tela os créditos iniciais que abusam da arte de edição ao mostrar cenários e transições de nomes tão ilustrativos que chegam até a representar um ato cultural numa das melhores cenas editáveis. Na verdade, a maior parte da produção se preza em exibir momentos e símbolos que atribuem esse sentido mais alusivo, que parte desde realçar a personalidade da personagem principal como também de trabalhar os diálogos bem propostos do roteiro. Em relação à direção, trata-se da primeira obra do coreano Park Chan-wook em solo norte-americano, dando sensibilidade a seus modos de exprimir o sexo, violência e morte.
Se por um lado tudo parece muito apreciativo, por outro temos o decorrer do enredo que parte com o aniversário de 18 anos de India e a repentina morte de seu pai. No funeral, a garota se depara com um homem bem apessoado que é dito como o tio que jamais havia conhecido, limitando seus contatos já introvertidos com familiares. Quando sua viúva mãe Evelyn (Nicole Kidman) convida o então tio Charles (Matthew Goode) para passar um tempo nas comodidades de sua casa, India prevê as inusitadas situações que terá que lidar enquanto percebe as estranhezas e mistérios por trás do atraente tio. A partir daí, o filme se flagra e se desenrola de forma oriunda, calma e singela, analisando os fatos e provando que tanto a atuação quanto o roteiro tiveram uma busca incessante por conhecimentos nas mais precisas ilusões.
Segredos de Sangue desmitifica os típicos elementos do suspense e traz consigo a sedução, vista no simples ato de tocar piano num deslizar de dedos e cordas para atingir as notas, o imaginário elusivo, com a tênue aranha subindo pelas pernas, e a violência atrativa, utilizada pela simbologia do cinto. No fim, você apenas compreende que tudo e nada pertence a você, afinal a construção de sua própria personalidade parte de uma inspiração!



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