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Review: Globo reúne ótimo texto e grande elenco na minissérie/filme “O Tempo e o Vento”

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O Tempo e o Vento foi uma minissérie inspirada na série literária do escritor Érico Veríssimo. Essa saga está dividida em três livros: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961). Na adaptação para a televisão feita por Jayme Monjardim, teve três capítulos. A trama conta a história das famílias Terra e Cambará através das narrações memoriais de Bibiana Terra (Fernanda Montenegro). Ao receber a visita inesperada do falecido esposo, o capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda), os apaixonados relembraram juntos a história do amor deles e como se deu a formação da família Terra Cambará.

Não sou nem um fã da Rede Globo, no entanto devo reconhecer que no quesito qualidade nas suas produções, deixa as outras emissoras do país cheias de recalque. Uma vez que a qualidade das imagens, cenários e abertura estavam impecáveis. A fotografia da série/filme enche os olhos dos telespectadores, tudo foi pensado nos mínimos detalhes, desde a trilha sonora com o tempo correto entre as falas dos personagens até a narração de Bibiana.


 A escolha do elenco foi acertada, cada ator deu o melhor de si para os personagens. Cléo Pires deu vida a Ana Terra, a moça mostra cada vez mais seu talento herdado da mãe, Glória Pires. Cléo interpreta cada história com um toque diferente e especial. Enquanto Thiago Lacerda compôs com maestria o olhar sínico e sorriso irônico do capitão Rodrigo, embora em determinada parte da trama o cinismo e a ironia deram espaço para um homem rude e amargo. O que dizer da mestra Fernanda Montenegro na composição de uma das matriarcas e narradora da história, Bibiana? Na minha humilde opinião, Fernanda Montenegro deu um tom ideal na narração, usou e abusou da sua voz cansada e rouca, ela estava simplesmente perfeita, e deu a Bibiana um olhar triste e melancólico mergulhado nas suas memórias. Marjorie Estiano interpretou Bibiana jovem, ela se saiu bem também ao compor um olhar apaixonado e enfadonho no início e um pouco mais tarde esse olhar ganhou características tristes e melancólicas. 

No geral, gostei de tudo o que assisti. Agora me interessei pelas obras que conta a saga da família de Ana Terra que inspirou a minissérie/filme e lerei todas futuramente. Quero ver novamente, porém na versão fílmica sem esperar capítulo por capítulo. Indico ao filme desde já pra quem gosta de uma boa adaptação literária para o cinema, pois acredito que uma arte complementa a outra e o telespectador só tem a ganhar quando as obras literárias são transpostas para o mundo cinematográfico. 






O Tempo e O Vento
Diretor: Jayme Monjardim
País de Origem: Brasil
Elenco: Fernanda Montenegro, Cléo Pires, Marjorie Estiano
Ano de lançamento: 2013
Distribuidora: Globo Filmes
Duração: 02h 07min



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Salve Jorge: Um erro ou o público brasileiro ainda não estava preparado para lidar com o tráfico humano?

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por Cremilton Souza

A escritora Glória Perez, autora de grandes sucessos como: O clone e Caminho das Índias, ficou responsável para assinar mais um folhetim para o horário nobre da Rede Globo. Como já era de se esperar, ela tem características de trazer temas polêmicos e culturas diferenciadas envolvendo o ciclo social em suas tramas, dessa vez Glória começou causando polêmicas na escolha do título da novela “Salve Jorge”. Parece-me que Perez peca na escolha desse nome, uma vez que escritores de telenovelas não devem tomar partido de afirmações religiosas e política, tendo em vista que eles escrevem para um público com vasta diversidade cultural. Sendo assim, tem que agradar a gregos e troianos.  

Deixando a polêmica do título vamos ao que verdadeiramente importa o enredo, a trama é ambientada no Morro do Alemão no Rio de Janeiro e em Capadócia na Turquia onde São Jorge nasceu. A novela conta a história de Morena (Nanda Costa), uma garota com personalidade forte. Mãe de Júnior, o qual ela o teve quando tinha apenas 14 anos de idade. Seduzida pela oferta de emprego fácil e com ótimo salário no exterior, Morena é exportada para Turquia com a promessa de turnês e desfiles esplendorosos, ela aceita a oferta de trabalho e parte para um mundo até então desconhecido. Quando ela descobre a verdade que espera por ela, lutará com toda força para retornar ao Brasil, reencontrar sua família e desmascarar toda a quadrilha envolvida.



Salve Jorge conta com elenco de grandes nomes da TV Globo. Contudo, muitos atores do núcleo principal não conseguem corresponder às expectativas do público, como é o caso da antagonista Lívia Marini interpretada por Cláudia Raia que com exceção dos personagens cômicos a atriz não consegue emplacar um bom papel quando este exige um pouco mais de dramaticidade. Por outro lado, temos um protagonista que até o momento não mostrou pra que veio, até então não  entendi qual é a sua função na trama, já que esperamos um protagonista com atitude e personalidade e o Theo (Rodrigo Lombardi) ainda não revelou isso no folhetim. Em meios paralelos a história vale destacar a interpretação de Lurdinha (Bruna Marquezine) a atriz acertou na composição da personagem demonstrando talento e versatilidade e o que falar da interprete da Helô, sem palavras para descrever a atuação de Giovanna Antonelli na pele da delegada, ela simplesmente é brilhante, isso só confirma que a mesma é uma das melhores atrizes da televisão brasileira. Enquanto, Nanda Costa ainda não é uma das melhores atrizes, entretanto estar defendendo bem sua personagem tentando passar o máximo de veracidade nas cenas com forte apelo dramático.

Agora é esperar pra ver o que Glória Perez nos revelas nos próximos capítulos pra dar uma esquentada na trama, pois só essas idas e vindas da Morena a Turquia e sua gravidez não são suficientes, é preciso colocar o Theo e Lucimar em ação para encontrar a Morena, fazer com que a delegada Helô chegue até a Antônia (Letícia Spiller) "laranja do tráfico" e a partir daí destrinchar todo o enredo e chegar à  verdadeira chefia da quadrilha.

O texto de Salve Jorge é uma denúncia ao tráfico humano, como a própria Glória afirma muitas pessoas duvidavam da possibilidade de pessoas serem traficadas. Mas depois do resgate das brasileiras traficadas na Espanha, começamos a ver a sociedade se mobilizar. A operação da Polícia Federal começou a partir da denúncia de uma mãe que percebeu semelhanças entre o que a filha vivia e a história da novela. Particularmente sou fã do trabalho de Glória Perez, Salve Jorge é muito mais que a história de uma mocinha ingênua que sonha em mudar de vida, mas sim a denúncia de um problema social (o tráfico humano), no qual muitas pessoas aproveitam da inocência e dos sonhos dos outros para tirar proveito da situação. Talvez a novela não tenha caído no gosto popular ainda, entretanto, segundo Perez o que importa pra ela é a conscientização da população do problema, sobre o resgate das brasileiras traficadas na Espanha a autora diz: Isto nao tem preço. Vale todo o nosso trabalho.


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Big Exemplo

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por Aline Santos

O Grande Irmão (ou Big Brother, do original em inglês) é um personagem do livro "1984", de George Orwell (1903-1950), escritor indiano que se criou na Inglaterra. Nesse livro Orwell profetiza sobre uma sociedade em que o Estado, representado pela figura do Grande Irmão, controla a sociedade. O Grande Irmão é uma figura abstrata, ninguém consegue vê-lo, mas ele pode ver todo mundo e dessa forma controlar suas ações. O título “1984” é uma inversão do ano em que ele foi escrito, 1948, não se sabe ao certo o que se passava pela cabeça do autor ao fazer essa inversão.

Mas e o Big Brother que conhecemos hoje? Pessoas confinadas em uma casa sendo observadas todo o tempo por câmeras. Como surgiu essa ideia? Qual a relação com a obra de Orwell? Em 1999, John de Mol, um executivo da TV holandesa, sócio da empresa Endemol, teve a ideia de criar um Reality Show onde pessoas comuns seriam selecionadas para conviverem juntas dentro de uma mesma casa, vigiadas por câmeras, 24 horas por dia. O nome do programa foi inspirado no livro de Orwell, 1984.

Feitas as apresentações, surgem questionamentos acerca desse reality show, amado por uns e odiado por outros, que invade sem permissão a tela de milhões de brasileiros. Concentro minha crítica não sobre a qualidade dúbia do programa em questão, pois convenhamos nunca chegaremos a uma conclusão satisfatória. O Big Brother, como qualquer outro programa popular e de divulgação em massa, acaba se tornando referência para muitas pessoas, em especial jovens, sendo esse exemplo passado que tanto incomoda. O programa tem uma mensagem: “Estamos de olho”, mas a mensagem subliminar do programa é mais perturbadora, é como se o reality incentivasse pessoas a passar horas em academias, turbinassem seus corpos com litros de silicone e pronto! Dessa forma você vai conseguir alcançar sua posição social na sociedade, ficarão ricos de um dia para o outro.

O economista Marcelo Paixão, em uma entrevista sobre o negro na sociedade, mas que serve de referência para o assunto em questão, disse que os jovens brasileiros estão carentes de exemplos. Como fazer com que jovens acreditem na educação como ferramenta de ascensão social, se ele pode se tornar um jogador de futebol rico e famoso ou então um brother milionário. O Brasil já é um país com um histórico não muito animador com relação à educação, nossos representantes não se mostram muito solícitos quando o assunto é educação, o motivo: a equação é fácil POVO + EDUCAÇÃO = VOTO CONSCIENTE. Sim, é fato, não é conversa de crítico que quer dá ênfase ao que escreve. Pesquisas revelam que o Brasil é um país onde as pessoas ainda não conseguem acreditar na educação como forma de conseguir estabilidade.

Todos os outros fatores negativos que os críticos insistem em salientar também incomodam. O Big Brother aliena as pessoas, o valor absurdo que se gasta a fim de montar um programa poderia ser investido em algo que trouxesse um pouco mais de cultura a sociedade, afinal nós precisamos. Mas para mudanças, é preciso que a juventude acorde, tais programas ameaçam a herança que deixaremos para nossa sociedade, quem será nosso Malatesta do futuro? Teremos outro Marighella?  Será que temos um novo problema assolando nossa sociedade, nosso legado de pensadores e líderes está ameaçado por subcelebridades desesperadas em ganhar fama e dinheiro? Escrevendo isso em um momento de nostalgia pensei: se nossos jovens se pintassem de novo...


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