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Review: "João e Maria: Caçadores de Bruxas" apresenta ótimos efeitos especiais, mas enredo fraco

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por Léo Balducci

E aqui está mais uma para a coleção! Não há como negar que os estúdios de Hollywood estão fascinados com a possibilidade de reviver os contos de fadas, só que contados de uma forma mais obscura. Passamos por vários subgêneros até chegarmos ao resultado de “João e Maria: Caçadores de Bruxas”. Apesar de algumas pessoas repudiarem a ideia de pagar ingresso no cinema para assistir um filme baseado no clássico infantil, talvez valha a pena gastar algumas horas na frente da telona para apreciar bons efeitos.

A produção, que conta com Jeremy Henner e Gemma Arterton como protagonistas, teve um orçamento embasado em 60 milhões de dólares e deixa claro que o investimento da Paramount Pictures sobre a obra é de uma das grandes apostas, porém não é isso que realmente acontece. O filme nos traz vários anos depois dos pequenos João e Maria teriam sido abandonados por seus pais na floresta e terem encontrado a casa de doces (e matado a bruxa malvada), quando agora são adultos e tem como objetivo caçarem bruxas. As personagens são vistas como grandes guerreiras em busca de exterminar o mal dos pequenos povoados, porém consagrados com um poder que só é revelado ao final do longa. Em meio a isso, temos uma espécie de romance entre Maria e um troll chamado Edward (impossível não lembrar de “Crepúsculo"), além de cenas engraçadas com o típico seguidor desastrado que só quer ajudar.


Tudo fica muito melhor quando assistido em 3D, é claro, mas é preciso se atentar em certos detalhes que acabam por passar despercebidos aos nossos olhos. Os efeitos especiais são de primeira (o que pode ser o grande ‘salve’) aliada a boas cenas de entrosamento dos atores (na maioria das vezes), mas isso não chega a ser suficiente para dar continuidade aos padrões de qualidade. O roteiro é especificamente fraco por não se apoderar de nenhuma trama específica, além de requerer de clichês desnecessários, entretanto não desperdiça formas de criar elementos precisos para um suspense no final que consegue entreter quem está assistindo. Em contrapartida, nota-se a presença excessiva (porém necessária) de violência e uso de palavrões, o que deu a classificação de 14 anos, afinal vemos também esmagamentos de cabeças, lutas que terminam em sangue explícito, tripas voando para sua cara (quando em 3D), uma ‘pitadinha’ de sexo e as caras horrendas das bruxas (que é de dar medo em qualquer um). Para contribuir para a identificação do espectador em séculos passados, somos introduzidos em figurinos excelentes, cenários impecáveis e até uma linguagem mais peculiar da época (diabetes é descrito como ‘doença do açúcar’).

Concluindo, essa adaptação mais sombria de “João e Maria” serve especificamente para acompanhar um enredo bom, todavia com poucas surpresas, e cenas de ação de tirar o fôlego dos atores e do espectador. Trata-se de uma produção mediana comparada a outros do gênero, mas não deixa de desenvolver uma visão bem explorada do conto de fadas. Só faltaram mesmo os pedacinhos de pães!

*** (3,5/5)




Hansel and Gretel: Witch Hunters, Alemanha/EUA, 2013
Direção: Tommy Wirkola
Elenco: Jeremy Renner,  Gemma Arterton, Famke Janssen
Duração: 1h 28min

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Review: Quem aí quer brincar com o Charlie?

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por Léo Balducci

Você já teve um amigo imaginário? É bastante comum crianças adotarem em sua imaginação a criação de outras pessoas com quem acreditam estar brincando e falando, trata-se de um modo de restringirem sua falta de companhia ou até mesmo sua capacidade de induzir um processo criativo bem aprofundado. Para a maioria dos psicólogos e médicos, esse amigo pode ajudar e muito no desenvolvimento social da criança, que o cria perante suas próprias experiências (apesar de não ser muitas). O filme “O Amigo Oculto” traça essa trajetória inigualável da imaginação e até que ponto ela pode chegar, afinal o amigo imaginário existe?


O longa gira em torno de um pai solteiro (Robert De Niro) que resolve se mudar com sua filha (Dakota Fanning)para outra cidade após a morte precoce de sua mulher. Ainda com problemas para lidar com a situação, ele prefere se isolar mas compreende o real sentido de estar presente na vida de sua filha. A partir disso, a criança cria um amigo imaginário, que é debatido nas sessões com a psicóloga. A princípio, acredita-se que o chamado Charlie seja apenas uma forma que a menina tem de reprimir a Tristeza que sente sobre a tragédia que ocorreu em sua vida. No entanto, estranhos acontecimentos começam a circular a vida do pai e ele começa a crer que Charlie, na verdade, possa mesmo existir e estar influenciando sua filha.




Esse suspense começou a  ganhar destaque no cinema mundial após seu final impactante não ter sido exibido para nenhuma sessão de críticos ou público pré-selecionado. A 20th Century Fox, distribuidora do filme, só entregou o rolo original com o final (que teve 3 versões de conclusões diferentes, que pode ser conferida no DVD) no último segundo a exibição oficial por seguranças especializados da empresa. Isso, sem dúvida, contribuiu para uma ansiedade e maior procura de pessoas para assistirem-no, porém o final impecável por si só consegue dialogar com as impressões e reação dos espectadores. Ninguém poderia imaginar mesmo com a crítica se referindo a produção como uma cartada fora já que o abuso do final bombástico do filme teria sido utilizada de forma exaustiva por Hollywood, mas o final se destaca mais pelas introduções e cenas de roer as unhas (nem é pra tanto)!


“O Amigo Oculto” traz uma trama muito bem elaborada conforme as conturbadas situações vivenciadas pelo personagem de De Niro e sua relação complicada com a filha. Além disso, trouxe uma explicação mais ampla de um dos assuntos que permeiam nossa sociedade e realizou o feito de mostrar a todos o quão impressionante e perturbador pode ser a cabeça do ser humano. Esse é um ótimo pedido para quem gosta de se envolver com os personagens e ficar de boca aberta no final enquanto acompanha um eletrizante suspense!



***** (5/5)
(Hide And Seek, EUA/Alemanha, 2005)
Direção: John Polson
Elenco: Robert De Niro, Dakota Fanning, Famke Janssen
Duração: 1h 45min 

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