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A arte imitando a arte: tatuagens literárias
Mostrando postagens com marcador Daniel Radcliffe. Mostrar todas as postagens
O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.
Tornou-se
referência de Harry Potter o brasão do logotipo da Warner Bros. transcender a
tela, algo que no último filme da saga que virou sinônimo para o cinema não
poderia faltar. Essa introdução já prepara os fãs mais aflitos para as cenas
angustiantes e de conflitos que estão por vir, o que evidentemente cogita a
relação de “Relíquias da Morte – Parte 2” ser abordada com uma ação intensa e
revelações inacreditáveis (ou não). A adaptação cinematográfica se mostra,
basicamente, fiel aos detalhes impostos por J.K. Rowling nas quase 600 páginas
que formam o livro, mas também sabe adquirir personalidade própria e conferir
argumentações que dão toda a essência que os olhos podem ver.
Deixando
desnecessário qualquer sinopse iminente, o confronto direto com o inimigo é,
sem justificativa, esperado e contorna a contextualização que o diretor pode
propor para o final épico (mudando-o ou não). É claro que antes disso, Harry
Potter (Daniel Radcliffe) tem planos mais concretos para se certificar que
poderá enfrentar Voldemort (Ralph Finnes) e, no mínimo, garantir que a briga
seja justa, o que é voltado para a destruição das horcruxes – que, em lugares
cada vez mais inesperados, constituem um singelo suspense. Para os mais
perfeccionistas, a dimensão dada ao Banco Gringotes é, de longe, a mais
explorada até então do universo bruxo, que retém uma quantidade imensa da utilidade
dos efeitos especiais, incluindo o dragão que, abafado por viver numa represaria
do subterrâneo, enche os pulmões com tal ânsia que exemplificam a determinação
do trabalho dessa equipe – que desde o primeiro, dedica-se intensamente para
trazer seu melhor conteúdo. Diferentes dos primeiros filmes, esse não se prende
em deixar completamente explicado para o público cada elemento e transição que
é realizada, muito pelo contrário, compreende que o espectador é inteligente o
bastante para encontrar as respostas e descobrir os fatos mais escassos. E
David Yates se consagra numa virtude de direção que coube a ele converter a
originalidade da obra literária e ao mesmo tempo atribuir as melhores condições
que o cinema pode oferecer. A partir de agora, Harry é visto como seu próprio
defensor, com habilidades suficientemente comprovadas de vitórias, colocando a
seu julgar a salvação de seu mundo ou sua destruição.
Os diálogos podem não ser os mais sensitivos, como na Parte 1, mas conseguem,
de forma brilhante, conduzir as cenas, que também são complementadas pelo ótimo
desempenho das movimentações da câmera – causando a sensação única de cada
momento. Em nenhum instante, houve um medo de induzir um representativo de
violência ou um desgastante método de passar o horror daquela realidade com
sangue, já que toda a equipe soube dosar muito bem o que se pode ou não ser
exibido conforme seus objetivos – não trazendo um filme nem muito fraco e nem
pesado. Outro atrativo foi a fotografia de Eduardo Serra, que não poupou
dedicação para realçar toda perspectiva que cada cena permitia, estabelecendo
uma trajetória entre o sombrio e o trágico, o pânico e a impaciência, a magia e
a fantasia. Nada mais correto do que soltar elogios a Steve Kloves, que exerceu
o talento de criar um roteiro embasado no fundamental e no proposital, contribuindo
para o sentido que determinadas situações levavam. Sem cansar de ter seus
méritos reconhecidos, a Direção de Arte solta sua maior ênfase de produção e dá
um espetáculo de criatividade, que se permite ser explorado nas minuciosas
rochas se partindo em Hogwarts até os belos materiais de casa no Chalé das
Conchas. A trilha sonora de Alexandre Desplat foi suave e turbulenta,
propriamente dita de um êxito enorme no estudo das sonoridades.
Dessa vez, o convencimento passado por Radcliffe atinge seu auge e percebe-se
como o ator evoluiu tão rapidamente ao assumir sua interpretação mútua do
personagem mais popular da década no cinema, assim como Emma Watson e Rupert
Grint ostentaram suas atuações impecáveis e dignas de aplausos de,
respectivamente, a “sabe tudo” que parou de chorar Hermione Granger e o
atrapalhado que aprofundou seus sentimentos Rony Weasley. Maggie Smith retorna
para fazer a Professora McGonagall e não se limita aos poucos minutos de cena,
tendo um imenso destaque e fazendo valer a influência da personagem perante o
castelo da escola. No entanto, quem emociona e não evitou causar soluços de
choros nos fãs mais sensíveis foi Alan Rickman, onde ele se doa totalmente a
Severo Snape e estende a diversidade do personagem de tal forma que fica mesmo
difícil não se deixar levar pelo momento tão comovente, almejando o ideal e
criando a conectividade de Snape ao seu passado perturbador e com incessante
procura de emoções. Já Helena Bonham Carter pode não decepcionar no modo como
induziu Belatriz Lestrange, porém deixou um pouco a desejar (lógico, não por
sua culpa) no modo sem sentido e tão apressado que se despede de nossos olhos,
uma das cenas mais esperadas visualmente pelos fãs – e que foi meramente
ilustrativa. Fiennes nos deixa sem palavras, ainda que tenha sido considerado inoportuno
em certas aparições redundantes.
De qualquer maneira, não há como colocar defeitos no final – que, subitamente, faz-se
necessário do jeito como acontece sem mais nem menos. Então, as aventuras do
jovem bruxo se encerram em “Relíquias da Morte – Parte 2”, indicando um quadro de
vivências e lembranças que perduraram na memória de todos aqueles que se
espreitavam para o envolto do que acreditam, pois afinal as palavras são “nossa
inesgotável fonte de magia, capazes de formar grandes sofrimentos e também de remedia-los”.
O legado que Rowling deixou não acaba por aqui, já que é vital ser eternizado
em nossas mentes e nos permitir saber que, além de tudo, o que imaginamos e
criamos nunca poderá ser tirado e cabe a nós mesmos definirmos o que é
essencial para que, diga-se de passagem, um Lumus Maxima possa iluminar a
vistoria de nosso próprio Mapa do Maroto! Com um obrigado a Harry Potter, deixo
a seguinte frase na reflexão: "Claro que está acontecendo em sua
mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?"
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O final épico da saga de maior
sucesso de todos os tempos dá seu primeiro passo em “Harry Potter e as
Relíquias da Morte – Parte 1”, introduzindo todos os abusos e constâncias
evidentes nos filmes antecessores. Contudo, não é fácil se pôr a julgar o
primeiro capítulo de um fim, já que o mesmo, de uma maneira ou outra, sempre
induzirá uma dependência de sua sequência em função do controle que esse exige
para almejá-lo, onde podemos considerar “Enigma do Príncipe” como o primeiro da
trilogia final e esse o meio. Dessa vez, a fidelidade às páginas escritas por
J.K. Rowling é destaque e denominam o caminhar das construções cênicas e
encenações, causando os maiores efeitos positivos para os fãs que sempre
mergulharam nos livros.
Para
encerrar, nada melhor do que colocar os tios insuportáveis de Harry Potter (Daniel
Radcliffe) para fora de sua casa, só para prevenir que algo aconteça com eles
diante do que está por vir. Além disso, temos a inevitável ascensão de
Voldemort (Ralph Fiennes) perante o mundo bruxo e o mundo trouxa,
exibindo o reflexo do poder de persuasão e dependência de seus Comensais da
Morte. Decisões difíceis são feitas por todos os personagens, principalmente
Hermione Granger (Emma Watson), e representam a complexidade e dedicação
que essa guerra contra o mal irá demandar de seus combatentes. Embora a Ordem
da Fênix reapareça para tomar as rédias e certificar que o jovem bruxo não
sofra qualquer ataque de “você-sabe-quem” subitamente, o realce da queda do
Ministério da Magia toma proporções alarmantes e retomam as imediatas
precauções que devem ser tomadas. Apesar de termos várias situações postas em
tela, a razão principal do filme continua a mesma: achar as horcruxes. Em meio a isso,
Harry, Ron (Rupert Grint) e Hermione partem, agora sem proteção de
nenhum de seus aliados, em busca dos objetos que simbolizam as almas do Lord
das Trevas, agindo por impulso em seus próprios dilemas e fazendo uso de suas
habilidades num futuro ainda incerto.
Evidentemente,
o tema sombrio, sobretudo impostos anteriormente, continua cada vez mais
abundante e coloca o diretor David
Yates num patamar mais alto
em relação à desenvoltura e amadurecimento que concedeu à saga. Não tendo que
se preocupar em fazer adaptações escandalosas ou recriando cenas, o roteirista Steve Kloves apenas remodulou diálogos e
interpretações relevantes para a obra cinematográfica, convencendo pelo empenho
e se exemplificando com o maior teor de conteúdo que pode trabalhar. A
tendência impressa pela Direção de Arte, Figurino e Fotografia, agora a cargo
de Eduardo Serra,
proporcionam cenários bem mais extensos e detalhistas até ao último objeto
sendo exibido na tela, o que claramente causa nitidez de sombra e luz aos
ambientes naturais predominantes. Não se pode deixar passar em branco a trilha
sonora, comandada por Alexandre
Desplat, que devastou completamente todo o acervo fantasioso de John Williams e projetou a profundidade que os
acontecimentos demandavam. A dramatização é tão intensa e pode até mesmo causar
repulsa em quem espera um longa-metragem feito conforme os moldes do universo
mágico de Harry Potter, confraternizando com a proporção inigualável das
tramas, que mesmo podendo ser cansativas, contribuem para o desenrolar de um
ritmo mais preciso. Cenas de ação são inseridas da forma mais corretada para
não amenizar a dimensão da essência desse gênero,
atribuindo contundências que usufruem da violência (temos muito sangue
exposto e torturas atenuantes).
A atuação exercida pelo trio
principal é digna de aplausos, tendo em vista o modo tão perspicaz com que
conseguiram dar sentimentos de braveza, indignação e mágoa aos amigos
inseparáveis de Hogwarts, que agora convivem diariamente com a incerteza de
seus atos. Sem muitas delongas, Grint esclareceu que deixou de ser o melhor
amigo de Harry para se tornar um ator de qualidade significativa, embora Watson
e Radcliffe também mostrem suas melhores performances até aqui. Sem decepcionar,
Fiennes conseguiu cativar o público como o vilão mais perverso do mundo bruxo e
ainda de quebra deixar uma pontinha de sua proeza em convencimento de que é um
dos personagens mais trabalhados por Rowling, enquanto Alan Rickman – que aqui apareceu bem pouco –
despertou o olhar de uma possível compaixão e deixando a nós a missão de
identificar seu ideal no enredo – que, na segundo parte, é desvendada com
êxito. Além disso, devemos dar nossas gratificações para o pessoal que cuida
dos efeitos especiais, afinal o que seria Dobby e a compilação de cenas
incríveis senão a árdua dedicação dessa equipe?!
Por
fim, “Harry Potter e as
Relíquias da Morte – Parte 1”, além de gerar lucro contundente para a
Warner Bros., atinge as expectativas concebidas por todos que ansiavam pela
primeira parte da conclusão das aventuras do bruxo, mas também conduz a
evolução de todas as peças reproduzidas pela autora em seu contexto de processo
criativo – que chega a um estágio altíssimo e quase inalcançável por muitos outros
escritores. E assim nem com a varinha das varinhas, ou a pedra da ressurreição
e muito menos com a capa da invisibilidade poderemos prever o desfecho dessa
saga, que se perdurou por longos anos e passou por uma geração inteira
proclamando os feitiços em latim: afinal, Finite
Incantatem!
*****
(5/5)
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por Léo Balducci
O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.
E
o caminho do jovem bruxo começa a ficar estreito cada vez mais propício de
erros e com inúmeras complicações que se permeiam no decorrer do passado do
Lord das Trevas. Dessa vez, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” não
trabalha o pessoal, mas sim o impessoal, toda a perversão iminente das sombras
e o desencadeamento das situações mais precárias e desestimulantes. Ao
contrário de seus antecessores, a ação passa a ser mero coadjuvante diante da
dramatização e a consequência do isso influi no decorrer da trama.
Harry
Potter (Daniel Radcliffe) deixa claro que seu legado nesse universo
(como o eleito) é realmente confrontar seu maior inimigo ou, então, aceitar que
a morte é a única saída de se precaver do futuro cruel que lhe espera. Em meio
a vários acontecimentos, temos que nos centrar no mais importante. Aqui o tema
da vez é um livro escrito pelo Príncipe Mestiço, que registra nas páginas
velhas e empoeiradas do livro de Poções todos os métodos e aprendizagens de
feitiços e experimentos que conheceu durante seu ano levito. Não mais do que se
esperar, Harry acaba de apoderando das escritas e compartilhar do mesmo dom
impermeável e maligno que se escondendo em cada orientação enquanto lida com o
fato de estar se apaixonando por Gina Weasley (Bonnie Wright), a irmã
caçula de seu melhor amigo Rony (Rupert Grint) – que também desperta
emoções da irritante Lilá Brown (Jessie Cave) e ciúmes em seu amor desde
sempre, Hermione Granger (Emma Watson). Sem tempo para muito romances, o
bruxo inicia seus planos de matar Voldemort (Ralph Finnes) seguindo os conselhos
de Alvo Dumbledore (Michael Gambom), com quem compartilha as novas
descobertas do passado inesperado e triste do Lord das Trevas. No entanto para
ter certeza de como seguir a partir daqui ele deverá extrair uma importante
informação de seu novo professor de Poções Horário Slughorn (Jim Broadbent),
agora que Severo Snape (Alan Rickman) finalmente conseguiu seu tão
sonhado cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Apesar de termos
algumas cenas cômicas – vindas principalmente do ótimo desempenho de Grint com
seu personagem -, o filme segue uma complementação que vai além de qualquer
vínculo com a comédia, muito pelo contrário, traça uma passagem que faz com que
o drama fique mais profundo e desenvolva a estória escrita por J.K.
Rowling, que consegue com méritos criar uma subdivisão de fatos que
implementam os modos e artimanhas da sobrevivência de Harry. David
Yates não só conduziu muito bem a direção, como também trabalhou
incessantemente para a formação do gênero que a saga necessitava dominar,
certificando-se de que Harry Potter deixou de ser sinônimo de somente uma
franquia muito bem-sucedida para se tornar uma saga satisfatoriamente
consagrada. A atuação invejável tirada dos atores Jim Broadbent, Helena
Bonham Carter, adquirindo uma relevância fenomenal como Bellatrix
Lestrange, e Helen McCrory, que interpreta Narcisa Malfoy, é tão
impressionante que chega a dotar a noção de perfeição com que os personagens
são trabalhados e tem suas características visadas até o único detalhe. Entretanto,
quem deixa evidente que nasceu para ser ator é Alan Rickman, que
consegue suprir o destaque que é dado a Snape de forma tão elogiável que
palavras são poucas para descrever seu talento em extorquir cada parte íntima
do mesmo. Michael Gambom também faz uma ótima persuasão de
Dumbledore, não deixando transparecer em nenhum momento que o diretor de
Hogwarts seja um alvo intocável (na verdade, agora ele parece bem tocável). Tom
Felton surpreendeu a muitos quando, no momento mais imprevisto, soube
administrar Draco Malfoy com toda a insegurança e convicção que o personagem
buscava empregar.
O
enredo muito bem complexo não impossibilitou que Steve Kloves fizesse
seu melhor trabalho aqui, onde pode ter deixado a desejar perante os elementos
presente na obra literária, mas soube com maestria coletar apenas as
informações concludentes para a interpretação efetiva do público. “Enigma
do Príncipe” é descrito como a adaptação mais infiel às páginas de
Rowling, porém isso se faz necessário quando se têm em mãos grandes tramas que
devem ser seguidas conforme os acontecimentos propiciam. A direção de Arte e a
Fotografia dão seu último suor para trazer ambientes, cenários e contraste de
luzes e personificações impecáveis, tendo como confirmação a pura essência do entrosamento
da equipe. Um dos pontos altos que exerce a influência que o resultado desse
bom trabalho tem é a Sala Precisa, em que uma infinidade de objetos mágicos é
exibida com tamanha precisão que fica inevitável não recorrer aos pensamentos
mais insanos de tentar descobrir o que se espreita por ali ou por aqui.
Possivelmente os maiores aplausos venha do modo como o longa-metragem foi
projetado para as telas, não precisando se apoiar em cenas de ação
deteriorantes e cansativas ou fracas encenações de insustentáveis marcas do
poder de Voldemort, tendo em vista que nesse momento o mais primordial é se
focar na narrativa, recorrendo a flashbacks épicos que ajudam a entender os
motivos que levaram a tempos difíceis com esse. Nota-se que as justificações do
mundo mágico e tudo o que aconteceu para o que acarretou até aqui originaram
tanto “Enigma do Príncipe” quanto “Ordem da Fênix”,
pois ambos têm como objetivo principal introduzir o enredo da obra em sinônimos
de explicações.
A
batalha está começando e um grande céu nebuloso já começa a se instaurar e dar
a dinâmica entre a restauração do abalado time do bem, que agora está com
represarias de seu temido futuro. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é
o potinho que faltava para construir a levada do final, que por acaso descende
de encontrar as tão significativas horcruxes. Dessa vez, não há poção mágica ou
armário semidouro que garanta o cessar da guerra, na verdade, Harry vai ter que
tomar muita sorte líquida para poder enfrentar essa!
**** (4,5/5)
Harry Potter and the Half-Blood Prince, Reino
Unido/EUA, 2009
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 33min
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Nada de brincadeiras bobas ou
feitiços desastrosos, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” vem para comprovar que,
de uma vez por todas, o pequeno bruxo cresceu e tem que possuir maturidade
suficiente para enfrentar todos os desafios do mundo adulto que começam a
aparecer. O principal retoque que a saga necessitava surge do diretor britânico
David Yates e das 700 páginas do livro de J.K. Rowling, que não só se
aprofundou no personagem como também conseguiu induzir vários leitores para as
profundezas do universo mágico.
Nos primeiros minutos da sequência, somos surpreendidos com a presença dos
Dementadores invadindo a tela e causando o desconforto de saber que as
criaturas sombrias podem vagar pelas ruas de Londres livremente (o que não é
bem verdade). Portanto, o jovem bruxo não hesita em lançar um feitiço para
espantá-los e acaba sendo mais uma vítima da cruel burocracia e injustiça do
Ministério da Magia, que se nega a confirmar o retorno de Lord Voldemort (Ralph
Fiennes). Com a interferência do Ministério na ativa, a escola ganha uma
representante do conselho, a empolgada de laço rosa no cabelo Dolores Umbridge
(Imelda Stauton), que assume o cargo de professora de Defesa Contra as Artes
das Trevas. Esse novo regime tanto impede que os alunos possam se expressar
quanto de realmente aprender a se defender de tempos difíceis, que cada vez
mais ficam evidentes de estarem chegando. Em busca de tentar se proteger Harry
(Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Hermione Granger) resolvem
criar a “Armada de Dumbledore”, uma espécie de grupo (secreto) que ajuda uns
aos outros a praticarem feitiços de defesa e ataque. Como era de se esperar, o “garoto
que sobreviveu” vai ter que lidar com muito mais do que apenas conflitos de um
adolescente, mas também contra si mesmo.
É visível a qualidade que tanto o enredo quanto a direção tiveram até aqui,
abusando do que todos os elementos que constituem a obra têm de melhor. Yates
soube como ninguém até agora explorar seus atores ao máximo e tirar à essência
dos personagens de tal forma que fica inevitável não esperar atuações mais
sólidas e condizentes com a interpretação mais realista que a saga começa a programar.
Um amadurecimento simultâneo parte dos protagonistas, principalmente de
Radcliffe, que se consagram como as grandes revelações do cinema
britânico (e até mesmo mundial). Impecável é o que se pode dizer das
interpretações feitas por Imelda, Michael Gambon, Alan Rickman, Fiennes, que
sabem dar a dosagem exata de dramaticidade e efeitos cômicos – que mesmo sendo
poucos, dão ritmo ao filme. Temos também a atuação de Evanna Lynch como Luna
Lovegood, que é propositalmente o que se poderia esperar (não chocou, mas
também não decepcionou). Além disso, contamos também com a possibilidade de conhecer o passado de alguns personagens já trazido à trama anteriormente, como é o caso da trajetória trágica de Neville Longbottom (Matthew Levis). Aplausos infinitos vão para Helena Bonhan Carter que
desempenha de forma magnífica o papel da malvada Bellatrix Lestrange, onde mesmo com
poucos minutos em cena consegue ganhar um imenso destaque e faz com fervor e crueldade uma das cenas mais emocionantes da saga (a risadinha maligna é, sem dúvida, a mais cativante).
Quem também está de parabéns de novo é a direção de arte, que a cada ano recebe
mais admiráveis méritos por inserir na tela toda a proporção de cenários e
ambientes que focalizam a trajetória da estória e ainda projeta uma fotografia
imensurável que provoca a sensação de não querer nem ao menos piscar. Não há
como negar que os efeitos visuais chegam ao seu auge de especialização,
contribuindo para uma exploração mais amplificada dos elementos mágicos, que
foram cautelosamente inspecionados por Yates. Assumindo o roteiro, Michael
Goldenberg prova que tem uma formação muito aperfeiçoada em tirar apenas o mais
importante, aparando muito bem as arestas e não deixando nenhuma parte isolada
ou sem compreensão, o que contribuiu para o desenrolar mais solto e preciso do
enredo cada vez mais atribuídos de complementação mútua. Nicholas Hooper fica
responsável por trabalhar a composição das cenas e esclarece que sabe muito bem
sincronizar os acontecimentos com os efeitos sonoros mais propícios, fazendo
uso de partes conotadas do tema original produzido por John Williams.
Sabendo que em nenhum momento teríamos um longa-metragem que fosse direto ao
ponto de abrir o império do mal de Voldemort, elogios para Rowling em tirar lá
do fundo da “cachola” essa introdução mais sombria antes de dar o pontapé
inicial nos planos do Lord das Trevas (afinal, quem poderia imaginar que
ninguém iria acreditar em Harry?). Está tudo muito bom, tudo muito “à lá
profecia”, entretanto “Harry Potter e a Ordem da Fênix” não é de imediato o
ponto mais forte das aventuras do bruxo, mas consola os fãs por trazer um
amadurecimento bem profundo e conveniente com as exigências que um público mais
adulto anseia. De qualquer modo, quem aí não quer ver um testrálio?
**** (4,5/5)

Harry
Potter and the Order of the Phoenix, Reino
Unido/EUA, 2007
Direção: David
Yates
Elenco: Daniel
Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h
18min
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por Léo Balducci
O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.
Consagrando-se
cada vez mais como a saga mais lucrativa de todos os tempos, “Harry
Potter e o Cálice de Fogo” aparece num momento crucial para a
franquia, em que um amadurecimento imediato é o próximo capítulo a ser visto.
Percebendo que tanto os livros quanto os filmes demoravam cerca de dois anos
para serem apresentados ao público, Joanne Rowling tratou logo
de encarar o fato de que seus leitores crianças agora são jovens e até mesmo
adultos e exigem um enredo que seja desenvolvido conforme seu raciocínio mais
apurado. Portanto, o 4º filme do bruxinho chega para trazer o que tem de melhor
tem: muita ação, mistérios e feitiços!
A
princípio, somos introduzidos a Harry Potter (Daniel Radcliffe) fora da
casa de seus tios chatos, já na casa de seu melhor amigo Rony Weasley (Rupert
Grint). Para apreciar o que o mundo da magia tem de melhor, ele,
acompanhado da família Weasley e de Hermione Granger (Emma Watson), vão
acampar para poder conferir o maior evento esportivo bruxo, a Copa Mundial de
Quadribol. Assim que chega em Hogwarts, percebe que as coisas
continuam mudando e uma grande competição entre as 3 maiores escolas de magia
vem se aproximando. O Torneio Tribruxo escolhe um aluno de
cada escola para participar de 3 tarefas cruéis e até mortais, exigindo que os
mesmos tenham acima de 17 anos para poder se inscrever. No entanto, Potter
acaba sendo um dos papéis sorteados inesperadamente, já que além de não ter a
idade apropriada também se torna o 4º competidor. A partir daí, desperta uma
série de acontecimentos que desencadeiam num chamado do próprio Lord Voldemort
(Ralph Fiennes) para algo maior do reviver de seu domínio no
mundo bruxo.
É
muito inteligente de Rowling fazer uso de uma espécie de Olimpíadas para
destacar um aprimoramento na estória e ainda atrair jovens leitores para se aventurar
no contexto de sua obra. Temos aqui um dos melhores filmes de toda a saga
(dessa vez, o roteirista Steve Kloves achou o auge de seu
talento), devido ser promissor para o que está por vir nos próximos capítulos
da franquia, influenciando na origem e na estrutura dos caminhos que somos
guiados pelo jovem bruxo. Além disso, o mérito do diretor britânico Mike
Newell (O Sorriso de Monalisa) é extremamente merecido, tendo em vista
o modo como soube trabalhar com as características dos personagens e das situações,
construindo um elo perfeito entre o antes e depois num controle que complementa
o drama, a ação, o suspense e o romance. São de suma importância à presença dos
atores Brendan Gleeson e Miranda Richardson interpretando,
respectivamente, o professor excêntrico Olho-Tonto Moody e a jornalista sem
escrúpulos Rita Skeeter, que dão o toque final para uma interpretação que beira
tanto a comédia quanto a dramaticidade. Vale deixar claro que colocar Fiennes para
viver o papel de Voldemort foi, de longe, uma das melhores escalações já feitas
em toda a saga, onde o ator consegue fazer o vilão central como uma essência
tão grande que chega a ser impossível não começarmos a odiá-lo desde já.
A
fidelidade aos elementos e cenários do mundo mágico ainda é mantido pela equipe
tão especializada em arte que é inevitável não ceder elogios. A trilha sonora
também ganha um novo suspiro, agora idealizada pelo compositor Patrick
Doyle, que dá a reação necessária para que todo o enredo siga de forma
conclusiva, utilizando até mesmo de uma banda no Baile de Inverno, constituída
por Jarvis Cocker e Jason Buckle, do Pulp,
e Johnny Greenwood e Phil Selway, ambos do Radiohead.
E se a melodia já está tão boa, o quê se pode dizer dos figurinos? Bom, são
altamente feitos com precisão para a caracterização dos personagens e também
contribuem para a elaboração de sentidos que aprofundem as tramas, dadas com
direção própria e efetiva. Os papéis de Cedrico Diggory (Hogwarts), Vitor Krum (Durmstrang) e Fleur Delacour (Breauxbatons), os escolhidos das escolas para o Torneio Tribruxo, ficaram a cargo de, respectivamente, Robert Pattinsson, Stanislav Ianevski e Clémense Poésy, que souberam dar a dinâmica essencial das diferentes etnias e idiomas. E se Harry tem tanta habilidade assim em lidar com
situações extremamente perigosas, que vão desde escapar de um dragão Rabo
Córnio-Hungáro até mergulhar nas profundezas do Lago Negro e enfrentar a
pressão de um Labirinto Enfeitiçado, temos que aplaudir mais uma vez os efeitos
especiais, que agora tratam de gerar um papel ainda mais indispensável para a realidade
dos feitos.
A
utilidade de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” só fica mais
eminente a cada cena teletransportada das linhas escritas por Rowling e traça
uma propagação bem mais abrangente das ironias e típicas sensações de um jovem
adolescente apaixonado, essas que dialogam com o amadurecimento sombrio
necessário da saga. Nem mesmo as considerações de mistérios ou o confronto
direto com o inimigo superam a insegurança e ansiedade de se convidar uma
garota para o baile (que fique anotado)! Afinal, "embora falemos línguas diferentes e tenhamos objetivos diferentes, o coração que bate em nossos peitos é um só"!
**** (4,5/5)
Harry Potter and the Goblet of Fire, Reino
Unido/EUA, 2005
Direção: Mike Newell
Elenco: Daniel
Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h
37min
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O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.
Tudo que a saga Harry Potter precisava para se tornar uma
grandiosidade era, de fato, ter um lado mais sombrio e ao mesmo tempo trazer
contemporaneidade, o que o diretor mexicano Alfonso Cuarón realizou com
aplausos em “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”. Não mais tardar do que a
Warner poderia financiar, foram investidos 130 milhões de dólares para produzir
a 3ª aventura do bruxo mais famoso de todos os tempos, o que serviu como
inspiração para a produção de efeitos especiais perfeitos (diga-se de passagem,
impressionantes como em “O Senhor dos Anéis”) e uma nova caracterização de
ambientes.
Dessa vez, vemos Harry (Daniel Radcliffe) mais maduro e
vivendo as nuances de ser um adolescente, com emoções afloradas e uma paciência
nada redundante. Logo de cara temos o início marcado pelo jovem na casa de seus
tios, em que temos a convidada especial tia Guida (Pam Ferris), que não
consegue evitar fazer comentários de mau gosto, acaba sendo “vítima” das façanhas de um bruxo irritado.
Cansado desses parentes intrometidos e nada hospitaleiros, ele resolve fugir de
casa e partir em busca de mais um ano de aventuras em Hogwarts quando é
surpreendido por um Nôitibus Andante, um ônibus que transporta bruxos perdidos.
No entanto, tudo parece estar diferente agora que o prisioneiro Sirius Black
escapou da Prisão de Segurança Máxima de Azkaban, até então ninguém havia
conseguido o feito, e mostra certo interesse em encontrar Harry a pedido de “você sabe quem”. Com isso, o
Ministério da Magia insiste em enviar Dementadores, seres sombrios que se
alimentam de cada ‘partícula’ de felicidade da alma das pessoas, para proteger
a escola, o que pode piorar e muito as coisas.
Um dos pontos altos da nova adaptação se dá pelo aprofundamento
dos personagens e de suas histórias, que baseadas assim podem dar uma
notoriedade para o rumo mais sombrio da saga. Além disso, temos os muito bem
criados Dementadores, que dão todo o clima tenso e ao mesmo tempo enigmático
que a produção exige. Evidentemente, pode-se notar uma reformulação de todos os
cenários (onde é que fica mesmo a casa do Hagrid?), que passam a se adequar aos
nossos tempos e fazer referências às aparências mais perspicazes dos alunos –
que agora não usam mais os frequentes uniformes pesados, mas sim roupas de
adolescentes. Cuarón soube muito bem dialogar com os elementos apresentados na
trama e transformar o reflexo que os próximos livros de J.K. Rowling reservam. Para completar o elenco,
consta o ator David Thewlis, que vem para viver o novo e amigo
professor de Defesa Contra a Arte das Trevas (incrível como ninguém consegue
permanecer no cargo; talvez o poder de inveja de Snape?), Michael Gambon, que agora
interpreta Dumbledore – após a repentina morte de Richard Harris -, Emma Thompson, fazendo de forma
brilhante a professora Trelawney (que tem o dom da arte da adivinhação) e Timothy Spall, o dentuço Pedro
Pettigrew (impressão de que faltou queijo). Também vale levar em consideração o
fluxo de atuações relevantes de Radcliffe, Emma Watson e Rupert
Grint, que aprenderam a proporcionar mais sensações de fidelidade aos
espectadores enquanto estão em cena. Aqui, podemos desfrutar da história de um
dos melhores livros do jovem Harry, quem dera tivéssemos um vira-tempo!
Embora as expectativas do terceiro filme tenham sido atingidas em
alguns aspectos, é preciso ressaltar que o roteiro dessa sequência beira o
trágico. Não há uma evidência clara de nenhuma conexão entre as tramas, parece
que foram simplesmente jogadas e cabe ao espectador tentar compreender a sua
maneira o que elas significam – não temos ganchos e nem mesmo pistas. O pior é
que esse é um dos momentos cruciais da saga e traça a idealização de todo o
contexto criado até então para depois iniciar toda a trajetória que se
perdurará até a última produção. Decepcionante? Não, porém é visível uma
organização não tão bem feita das descrições da obra literária, o que cauã um
desconforto para quem assiste aparado somente pela produção cinematográfica.
Para reviver as cenas de ação e emoção, vemos alguns instantes de Harry voando
com o incrível Hipogrifo (constituído na conjunção de um cavalo com águia), que
tornam toda a magia da computação gráfica ainda mais deslumbrante. Temos muitas cenas de comédia - incluindo a do Ernesto e a cabecinha do Nôitibus -, que dão uma 'pitada' mais carismática para a entrada do público jovem.
“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” surge como um salvador do possível fim desagradável da saga,
afinal é apresentado construções magníficas de cenários aliado a uma
vislumbraste obra-prima de efeitos visuais e bons conteúdos introduzidos pelos
atores. Trata-se de um divertimento razoável para quem deseja ter transportado
para as telas um pouco da essência das páginas. O único empecilho pode ser
mesmo você se deixar levar pela imprevisibilidade de seus próprios
Dementadores!
*** (3,5/5)
Harry Potter and the Prisoner of
Azkaban, Reino Unido/EUA, 2004
Direção: Alfonso
Cuarón
Elenco: Daniel
Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 21min
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por Léo Balducci
O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.
Enquanto
muitos ansiavam pela estreia de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” nos
cinemas norte-americanos, toda a produção envolvida já começava a cuidar da
sequência, que prometia trazer uma sensação mais sombria à saga. De fato, “Harry
Potter e a Câmera Secreta” conseguiu ter elementos mais sombrios, mas
que se ofuscou perante uma trama desenvolvida no foco do tema principal, sem
contar as nítidas vezes em que alguns splots são jogados e desperdiçados.
Para
o segundo ano letivo na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts,
Harry Potter (Daniel Radcliffe) recebe a visita do elfo doméstico Dobby,
que tenta evitar que o bruxo retorne aos estudos avisando-o que há uma grande
ameaça na escola. Não dando ouvidos, o garoto, agora com 12 anos, continua sua
jornada em busca de mais aventuras (aprender que é bom, nada né) e logo de cara
se depara com seu novo Professor da Arte de Defesa Contra as Trevas, o galã
escritor de livros Gilderoy Lockhart (Kenneth Branagh). No entanto,
estranhos casos começam a acontecer, incluindo alunos sendo petrificados, após
o mistério que ronda a Câmera Secreta, que acaba de ser aberta – libertando
assim todo o mal que há nela – pelo herdeiro de Sonserina.
Durante
todo o roteiro, temos algumas explicações sobre o enredo, como a construção de
Hogwarts pelos bruxos que dão origem aos nomes das casas comunais, porém nenhum
deles consegue se estender devido à falta de seguimentos que o filme procura
estabelecer (Só Dumbledore anunciando os professores pra gente entender). As
cenas de ação são muito mais presentes e não dialogam corretamente com as ações
dos personagens, que aqui tem suas características deixadas de lado, onde
embora o jogo de quadribol tenha sido elogiável e de tirar o fôlego - apesar da
fraca atuação de Tom Felton -, não consegue suprir toda a carência de tramas,
que acarretam no baixo ritmo que o longa acaba por gerar em algumas partes.
Outro ponto negativo destacado é a falta de emoção indicada na cena final, em
que o medo e a tristeza não se fazem tão impostos assim, e a demasiada ausência
de drama, que de novo parece ter sido ocultada para não prejudicar o andamento
do processo de descobrir o mistério. O constante caso de acusar Harry de ser o
tal herdeiro de Sonserina soou tão unânime que não contribuiu em nada para
alavancar uma hipótese que deveria persistir até o final.
No
entanto, a direção de arte mais uma vez merece grandes aplausos por projetar de
forma espetacular todos os cenários descritos na página do livro de J.K.
Rowling e centralizar cada detalhe numa minuciosa análise de ambiente e conexão
(ainda não alcançado) entre os mesmos. Os efeitos visuais continuam sendo
prioridade no filme (como não achar perfeito o desenho digitalmente de Dobby?)
e o americano Chris Columbus soube trabalhar com precisão no modelo que deseja
disso. Desse modo, temos feitiços mais bem introduzidos ao longo de sua
necessidade e uma encenação que parte dos ótimos (alguns) atores adultos já
consagrados, que agora recebem o reforço de Kenneth. Entretanto, nota-se uma
lacuna na intertextualidade conclusiva de todo a estratégia da produção (a
murta que geme teve uma importância tão mínima que virou mesmo motivo de cenas
cômicas e nada mais).
O
retorno do bruxo foi marcado por um carro quase destruído pelo salgueiro
lutador, o medo intimidador de Rony pelas aranhas e a incessante procura pelo
basilisco. Ainda que seja melhor que o primeiro, “Harry Potter e a Câmera
Secreta” serve como um bom divertimento para o público infato-juvenil (ainda
predominante) e a evidência do desafeto do diretor para com o desenvolvimento
seguro tanto de seus personagens quanto de cenas que exigem grande teor de
aprofundamento. Só faltou mesmo o Voldemort comendo pipoquinha!
*** (3,5/5)
Harry Potter and The Chamber of Secrets, Reino
Unido/EUA, 2002
Direção: Chris Columbus
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 41min
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Há um bom tempo, o cinema e a
literatura andavam a passos largos para conquistar seu público, sempre elegendo
tramas de qualidade para que pudessem ser apreciados nas telonas e nas páginas
dos livros, mas ambos seguiam caminhos diferentes e individuais até que surgiu
a grande possibilidade de transformar um dos recordistas de vendas das
livrarias em um projeto cinematográfico. A ideia, meio insana a princípio,
partiu do produtor David Heyman. E realmente parecia algo pouco provável, já
que a população em massa talvez não tivesse um interesse tão grande em se
prender 2 horas num sala para assistir algo que já estava escrito, porém deu
certo (e como deu). A escocês-inglesa J.K. Rowling foi a responsável por dar
vida a um dos enredos mais populares e influentes do mundo atual, afinal quem
nunca ouviu falar do garoto órfão da Rua dos Alfeneiros que estudou na Escola
de Magia e Bruxaria de Hogwarts? “Harry Potter” virou sinônimo de referência
quando o assunto é saga e deixou uma marca épica na história do cinema, mudando
conceitos e oferecendo uma diversidade de novas explorações de trama e efeitos
especiais.
Em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” somos introduzidos ao, ainda criança,
Harry Potter, um garoto que vive com seus petulantes tios e seu primo Duda,
onde acaba descobrindo ser um bruxo. No entanto, os tais parentes responsáveis
se negam a deixá-lo cultivar sua magia e tentam evitar discutir o assunto, impedindo-o
de receber a carta de aceitação para ingressar como aluno na Escola de Magia e
Bruxaria de Hogwarts. Contatado por um homem bem alto (e gordinho) chamado Hagrid (Robbie Coltrane),
o garoto, por sua vez, não vê outra alternativa a não ser se aventurar por esse
novo mundo. A ocasião mais sombria surge quando é revelado que sua popularidade
perante os bruxos existe devido ser o “garoto que sobreviveu” ao feitiço da
morte proclamado pelo bruxo mais temido de todos os tempos, “aquele-que-não-deve-ser-nomeado”
Voldemort. Daí por diante, Harry inicia a procura de sua própria identidade
enquanto conhece as particularidades do mundo bruxo e faz amizades (esta aí,
portanto, a Hermione Granger e o Rony Wesley), intrigando-se cada vez mais com
os mistérios que envolvem um objeto mágico poderoso chamado pedra filosofal e “você
sabe quem”.
Para se certificar de que sua obra não estava sendo desmistificada, Rowling
esteve sempre por perto – acompanhando desde a escrita do roteiro até a
finalização das edições. O americano Chris Columbus, na época conhecido pelos
filmes “Uma Babá Quase Perfeita” e “Esqueceram de Mim”, assina a direção, o que
consequentemente foi um fato meio estranho e duvidoso vindo do mundo do cinema.
O sucesso de “Harry Potter” foi visível, principalmente pelo investimento de
120 milhões de dólares por parte da Time Warner e um marketing jamais antes
visto para a divulgação de um filme. A consagração veio em pouquíssimo tempo e
a ascensão da saga já previa uma remodulação no jeito de se fazer longas-metragens.
Entretanto, alguns pontos devem ser analisados, além do que esse não foi o
projeto pioneiro do gênero e muito menos o melhor.
A direção de Columbus foi um tanto quanto inusitada e gerou discussões, mas ao
final tudo saiu como o planejado, embora esse não fosse à busca real da saga. O
filme é sim uma produção feita para o público infanto-juvenil, onde temos várias
delegações de conteúdo bastante exploradas e estimada consideração de elementos
propícios para o gosto das crianças (mas vale ressaltar que os seguintes filmes
foram crescendo conforme o desenvolvimento da trama). Outro ponto forte da obra
literária é a personificação das personagens, que não teve tanto apreço para às
telonas. Temos que levar em consideração que os sentimentos e entrosamentos de
todas as pessoas citadas no enredo necessitavam dialogar entre si e empregar
uma inter-relação no universo sendo criado – bom ou não, isso não afetou tanto
assim toda a estória quanto parecia.
Em contraponto, temos os incríveis efeitos visuais utilizados, que foram precisamente
elogiados por toda a indústria. Não houve nenhum abuso de cenários produzidos
por computador, na verdade, a grande magia do 1º filme da franquia
cinematográfica está no fato da direção de arte e figurinos terem trabalhado
precisamente para transportar cada ambiente do livro com fidelidade e uma
imensa astúcia em se dedicarem para a interpretação dos objetivos detalhados. É
lógico que a trama segue um enredo bem proposital e que consegue prender o
espectador, mas também apresenta algumas divergências de tempo e fundamento –
que são distraídos por cenas emocionantes como a partida de Quadribol e o
trasgo nas masmorras. A atuação de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson
ainda não são vistas como notáveis, porém também não passam despercebidas pelo
olhar atendo do público mais especializado, já que atores como Richard Harris,
Alan Rickman e Maggie Smith exemplificaram o motivo de como trabalhar em cena. Por
falar em cenas, somos constantemente surpreendidos com as mais belas
complementações, como as constatações das conversas com Hagrid e o final
revelador - com testes para as habilidades de cada um deles.
Com tudo isso, não há como negar que “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é um
destaque imensurável nas páginas e nas telas, onde nos introduz para o mundo
mágico que consegue teletranspor todas as nossas expectativas como meros “trouxas”.
*** (3,5/5)
Harry Potter and the
Philosopher's Stone, Reino Unido/EUA, 2001
Direção: Chris Columbus
Elenco: Daniel
Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 32min
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