Quem nunca contou uma mentirinha? Às
vezes, acabamos mesmo tendo que mentir se queremos evitar certas situações
desagradáveis que possam nos prejudicar, faz parte de ser humano. Mas quando é
que isso passa do limite? Bem, o ditado “a mentira tem perna curta” pode até
dar ênfase no fato de que, mais cedo ou mais tarde, a verdade vai aparecer,
porém temos que admitir que uma boa mentira sempre acaba passando despercebida,
principalmente quando vira uma grande. Em “A Mentira” não é diferente, na
verdade, o filme é pura referência de ideais clássicos que passam a ser
contestados na atualidade.
Rendendo uma
indicação ao Globo de Ouro de 2011 na categoria “Melhor Atriz de Comédia ou Musical”, o longa-metragem narra os
depoimentos de Olive (Emma Stone), uma garota
meio que invisível no colégio. Quando ela decide mentir para sua única e melhor
amiga Rhiannon (Aly Michalka) sobre ter
perdido sua virgindade, a religiosa e arrogante Marianne (Amanda Bynes) acaba ouvindo a conversa e nem pensa duas
vezes antes de espalhar a fofoca. A partir daí, todos os alunos ficam sabendo
de sua “indiscrição” e
ela vira a vadia sem escrúpulos da escola, onde para continuar sendo popular
ela decide aceitar a proposta de seu colega gay Brandon (Dan Byrd), que não aguenta mais as atormentações sobre
sua sexualidade, de fingirem ter transado numa festa em que todos os estudantes
estavam presentes. Com isso, Olive não vê alternativa a não ser manter essas e
inventar outras mentiras assumindo sua mais nova personalidade de “vagabunda do colégio”.
É realmente impressionante o modo como o roteiro do filme foi trabalhado, ainda
mais por se tratar de um enredo feito para jovens, cheio de referências ao
livro “A Letra Escarlate” – constantemente citado –, estereótipos dos mais
variados tipos (afinal, ser jovem é se render aos gêneros) e uma originalidade
muito perspicaz. Vale ressaltar como a atuação de Emma foi primordial para
passar a confiança dos acontecimentos sendo descritos ao mesmo tempo em que
dialoga com os eventos e falas cômicas, que dão o ritmo necessário à produção.
Tem que se destacar também a interpretação de Stanley Tucci e Patricia
Clarkson, que fazem os pais de Olive, que souberam muito bem adquirir as
características dos personagens enquanto cativavam o público. Até Bynes, que anunciou sua aposentadoria após esse filme, e Cam Gigandet, que faz o namorado nem tão santo da cristã arrogante, proporcionaram boas cenas. Com alguns palavrões
aqui e ali, ele se torna ótimo por realmente realçar a contemporaneidade do
mundo dos jovens e traçar uma linha do pensamento ultrapassado e anti-ético da
sociedade, priorizando as conturbações de pessoas que prezam impedir o
preconceito mas o comentem tão diariamente que chega até a ser tão ‘hipócrita’ e
‘indecente’ quanto alguém que transou no colegial e usa roupas sensuais. A
trilha sonora é tão bem arranjada, que nem “Pocketful Of Sunshine” de Natasha
Bedingfield consegue deixar de ser uma música divertida em meio às cantorias de
Olive no fim de semana.
Enfim, “A Mentira” é uma justa encenação de que como as pessoas são tão
controversas, assim apresenta um roteiro ágil e muito inteligente, que não se
prende à compreensão detalhada dos espectadores (está tão repleto de citações
que fica inevitável não se perder em algum ponto). É, sem sombra de dúvida, um
salve em relação aos filmes cada vez mais satíricos (sem sentido) de sexo e desenvolve uma
razão para a reflexão do assunto e aceitação das pessoas por quem elas são,
além da nossa mentirinha de cada dia. De qualquer maneira, o quê seria o mundo
sem a mentira?
*** (3,5/5)
Easy
A, EUA, 2010
Direção:
Will Gluck
Elenco:
Emma Stone, Dan Byrd, Amanda Bynes
Duração:
1h 32min
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