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A arte imitando a arte: Tatuagens literárias

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A tatuagem já foi usada para identificar bandidos e enfeitar poderosos, para juntar tribos e afugentar inimigos, para mostrar preferências e esconder imperfeições, identificar rebeldes, assumiu a cara da marginalidade, faz parte da história. Hoje a tatuagem é utilizada para expressar o individualismo e a subjetividade.

Tudo nos leva a crer que a arte de marcar o corpo é quase tão antiga quanto a humanidade. A tatuagem ou dermopigmentação é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas e cultuadas pelo mundo. A grande motivação dos cultuadores dessa arte é que é uma obra de arte viva e temporal como a vida.

A tatuagem surgiu como forma de expressão há mais de 3500 anos. Além disso, era utilizada para distinguir indivíduos de uma mesma comunidade tribal. Com o tempo, a tatuagem passou a ser usada para marcar os fatos da vida biológica como o nascimento, a puberdade, a reprodução e a morte.

Perseguida em vários momentos da história, a prática foi banida por decreto papal no século VIII e na Nova York do século XX. Apesar disso, é difícil encontrar alguém que nunca tenha pensado em marcar a pele com essa bela obra de arte.

Hoje as tatuagens deixaram de ser extravagantes e representar subjetividade, palavras, palavras e mais palavras. No contexto atual em que vivemos onde se cultua cada vez mais o indivíduo, pode e tem induzido muitas pessoas a fazer de sua pele um lugar para expor suas ideias, valores ou simplesmente uma vaidade.

Muitas pessoas tem buscado inspiração nos livros para se tatuar. Essas tatuagens podem ser desenhos, frases ou simplesmente um ponto. Por isso, o O Que Vi Por Aí selecionou algumas tatuagens literárias que vão de O Pequeno Príncipe a Fahrenheit 451.

O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince) - Antoine de Saint-Exupéry

Harry Potter - J.K. Rowling

Dom Quixote - Miguel de Cervantes

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

On the Road - Jack Kerouac

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky

Trecho do poema "Blue Birds" - Bukowski

1984 - George Orwell

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

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Review: Dois olhares sobre "Segredos de Sangue"

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As preliminares do suspense em "Segredos de Sangue"
por Léo Balducci


O que define o suspense? Uma trilha sonora cheia de agudos, cenas de gritos, mortes aterrorizantes e uma descoberta surpreendente? Se talvez Hollywood não tivesse estereotipado tantos elementos para o gênero, a maioria dos amantes de levar sustos em frente à tela poderiam se deixar levar pela base cultural e singela que caracteriza o uso do suspense. Segredos de Sangue surge para mudar esse conceito padronizado e refletir pensamentos, ilusões e atração numa arquetípica trama familiar – e conturbada ao extremo.

A introdução é apresentada pela narração da jovem India Stocker (Mia Wasikowska), que por trás da contraposição do que aparentemente está falando, anda pelo campo de flores atingindo as pétalas das flores minuciosamente tingidas de um tom vermelho e branco. Logo temos em tela os créditos iniciais que abusam da arte de edição ao mostrar cenários e transições de nomes tão ilustrativos que chegam até a representar um ato cultural numa das melhores cenas editáveis. Na verdade, a maior parte da produção se preza em exibir momentos e símbolos que atribuem esse sentido mais alusivo, que parte desde realçar a personalidade da personagem principal como também de trabalhar os diálogos bem propostos do roteiro. Em relação à direção, trata-se da primeira obra do coreano Park Chan-wook em solo norte-americano, dando sensibilidade a seus modos de exprimir o sexo, violência e morte.

Se por um lado tudo parece muito apreciativo, por outro temos o decorrer do enredo que parte com o aniversário de 18 anos de India e a repentina morte de seu pai. No funeral, a garota se depara com um homem bem apessoado que é dito como o tio que jamais havia conhecido, limitando seus contatos já introvertidos com familiares. Quando sua viúva mãe Evelyn (Nicole Kidman) convida o então tio Charles (Matthew Goode) para passar um tempo nas comodidades de sua casa, India prevê as inusitadas situações que terá que lidar enquanto percebe as estranhezas e mistérios por trás do atraente tio. A partir daí, o filme se flagra e se desenrola de forma oriunda, calma e singela, analisando os fatos e provando que tanto a atuação quanto o roteiro tiveram uma busca incessante por conhecimentos nas mais precisas ilusões.

Segredos de Sangue desmitifica os típicos elementos do suspense e traz consigo a sedução, vista no simples ato de tocar piano num deslizar de dedos e cordas para atingir as notas, o imaginário elusivo, com a tênue aranha subindo pelas pernas, e a violência atrativa, utilizada pela simbologia do cinto. No fim, você apenas compreende que tudo e nada pertence a você, afinal a construção de sua própria personalidade parte de uma inspiração!

STOKER: “Assim como a flor não escolhe sua cor, não somo responsáveis pelo que viemos a ser.”

Segredos de Sangue é um filme dirigido por Chan-wook Park, diretor que faz parte de um seleto grupo sul-coreano que vem brilhando e cujo talento seria impossível de traduzir em outras mãos. Após o estrondoso sucesso da trilogia vingança composta por Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança, Park teve finalmente sua estreia no cinema norte americano.

A estória se passa quase que inteiramente numa dessas mansões gigantes e imaculadas em que vivem certas pessoas ricas que escondem segredos. É aí que a frágil e instável viúva Eve (Nicole Kidman) e sua filha India Stoker (Mia Wasikowska), uma adolescente introspectiva e solitária que acaba de perder seu pai (um aristocrata local e talvez seu único elo com o mundo real), moram e passam maior parte de seu tempo. Desamparada e desorientada, India chega aos dezoito anos abatida pela tragédia familiar, mas também não consegue entender sua própria natureza, o que acaba melhorando quando seu tio Charlie (Matthew Goode) aparece e resolve se instalar na imponente casa. Tratando-o a princípio com frieza, India apresenta uma estranha sintonia com o tio. Já Eve, que antes de enviuvar mantinha-se presa num casamento infeliz, vê em Charlie a juventude perdida em seu marido e nutre uma espécie de desejo carnal pela enigmática figura daquele homem sedutor e solista. Os dias vão passando e India começa a descobrir alguns detalhes sobre o passado de seu tio, e quanto mais sórdido ele se apresenta, mais ela parece ficar mais envolvida e vai aos poucos desenvolvendo uma intensa atração.

Num primeiro momento, India é uma menina aparentemente mimada, apática e até mesmo petulante. A partir do momento em que ela passa a receber certa influência, a princípio involuntária de seu tio, a moça começa a despertar sua libido, encontrando seu verdadeiro “eu” e marcando a sua transição para uma fase adulta. Esse rito de passagem só nos satisfaz de acordo com a bela atuação de Mia Wasikowska, a atriz não se nega a dramatizar temas com alto teor libidinoso após cenas que são chaves da trama. Nessa questão, o mundo que Park nos apresenta é composto por cores dessaturadas, é cinzento, gélido. Peles pálidas, movimentos de câmera lentos, olhares que falam mais que palavras, diálogos estilizados e as imagens formam uma atmosfera assustadora. Chan-wook se apropria com graça do roteiro de Wentworth Miller (que claramente foi influenciado por A Sombra de Uma Dúvida, de Alfred Hitchcock), e desde as primeiras cenas apresenta seu apuro técnico e estético marcado especialmente por reviravoltas na trama que são necessárias e asseguram o estranhamento e mistério. O filme tem pitadas de Allan Poe, onde marca a maldade como característica consanguínea, sendo que talvez o título original, Stoker, seja uma analogia ao Drácula de Bram Stoker. Para contar esta estória, Park precisou de atores que fizessem muito com pouco, por isso foi servido por um elenco impecável, onde apesar de cada um deles ser poderoso o suficiente para segurar uma cena sozinhos, as partes em que os três aparecem juntos são uma exposição de arte. Ainda amparado pelo diretor de fotografia Chung Chung-hood, o compositor Clint Mansell e a supervisão de Ridley Scott como produtor, Park Chan-wook faz um intrigante estudo da concepção da psicopatia.

Pode-se perceber que Segredo do Sangue não se assemelha em muito aos antigos trabalhos do diretor, é um filme que mira o intimismo, a violência de outrora assume outras possibilidades mais sutis, comedidas em termos de exposição, porém esta mesma vivacidade pode ser percebida diversas vezes na forma com que o filme nos conduz a pensar. Ao final India percebe que assim como a flor não escolhe sua cor, não somo responsáveis pelo que viemos a ser.





Stocker
Diretor: Park Chan-wook
Páis de Origem: EUA, Reino Unido
Elenco: Mia Wasikowska , Nicole Kidman, Matthew Goode
Distribuidora: FOX Filmes
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 40min

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Review: "Meu Namorado É um Zumbi" – Perdemos a humanidade!

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Meu Namorado É um Zumbi é uma adaptação do livro Sangue Quente, de Isaac Marion. O filme conta a história de R, um zumbi que adora filosofar sobre as coisas da vida (ou falta dela) e que vive num aeroporto, frustrado e nostálgico, afastado do resto da sociedade que, de certa forma, sobreviveu ao apocalipse zumbi. 

Um belo dia, R e seus amigos pensantes resolvem ir se alimentar e no meio do percurso encontram um grupo de adolescentes que procuravam por remédios fora dos limites da cidade dos humanos (separada por um muro do restante do mundo). Lá, R, que era um zumbi muito solitário, conhece e se apaixona pela bela Julie (quer dizer, não tão bela assim) que, diga-se de passagem, é a filha do cara mais poderoso do mundo, e começa a se sentir mais “vivo”. Julie inexplicavelmente vai com R até o aeroporto e passa a viver com ele dentro do avião.

Julie muda para sempre a vida dos zumbizinhos e os faz descobrir que a cura para o “Zumbismo” seria única e exclusivamente o amor. O amor ao próximo, como se diz nos mandamentos. O fato de a sociedade tê-los excluído e abandoná-los os tornavam cada vez mais “zumbis” (sim, zumbi não é um adjetivo, mais mortos?). O fato é, apesar de o filme ter uma estória legalzinha é tragicamente clichê, me pareceu um Crepúsculo Zumbi e, convenhamos, a atriz Teresa Palmer lembra muito a Kristen Stwart, até nos trejeitos, a forma que sorri, o jeito que passa a mão no cabelo e até o jeito de andar, a diferença mor é que R não brilha e nem corre pelas colinas e que a moçoila é loiríssima.


Meu Namorado É um Zumbi é uma miscelânea de elementos que te faz lembrar várias coisas enquanto assiste, mas no final mesmo você percebe que é um simples conto de fadas adolescente em que a princesa beija o sapo zumbi e ele vira um gatinho de olhos azuis e moleton vermelho.

O que salvou o filme, para mim, foi a trilha sonora. R coleciona discos de vinil (Ah, um zumbi que gosta de ouvir músicas!) para se conectar com a vida que um dia tivera. Detalhe: ele só escuta rock clássico! A trilha conta com The Black Keys, Gun's Roses, Bob Dylan, Scorpions, Springsteen e mais! Então se você busca algo que te faça pensar, não o assista, mas se quer perder horas pra descontrair, é um filme bom, um filme comum sem nada de espetacular. Eu só posso dizer uma coisa, não foram horas perdidas e até me fez pensar (um adjetivo para zumbis mais zumbis), não precisamos de um apocalipse zumbi para perdermos nossa humanidade, já a perdemos há muito tempo.  




Warm Bodies
Diretor: Jonathan Levine
País de Origem: Estados Unidos
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, Analeigh Tipton
Distribuidora: Paris Filmes
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 1h 37min

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Review: "Amor Pleno", não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar

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Quando comecei a assistir Amor Pleno, logo o associei ao filme Árvore da Vida, ambos dirigidos por Terrence Malick e sua marca espiritual, introspectiva e busca sobre o entendimento do ser.

O filme nos conta a história de Neil (Ben Affleck), um jovem que vai a Paris e conhece Marina (Olga Kurylenko), depois de algum tempo os dois resolvem voltar aos Estados Unidos e viver numa cidadezinha no interior de Oklahoma, onde Neil mora e trabalha. Os dois passam a viver juntos, entretanto a vida não os ajuda muito em meio a tantas reflexões e desentendimentos, Marina volta a Europa e Neil reencontra uma antiga paixão, mas descobre que Marina de fato era o amor de sua vida, então ela retorna, contudo as consternações voltam a ocorrer em sua vida conjugal.

Amor Pleno é um misto de sentimentos a flor da pele, os pensamentos são expressos por sussurros, o filme é genuinamente visual, cenas e diálogos quebrados nos levam a uma série de reflexões. Não há porquês, apenas ações concebidas por meio de pensamentos. As cenas de amor são expressas em campos, campos vazios, jardins ou cômodos vazios, com os amantes correndo de um lado para o outro num vai e vêm inesperado, as casas são vazias, há poucos móveis e isso, expressa toda a tristeza daquele casal que não sabe muito bem que caminho trilhar, que estrada seguir.

O filme contém uma belíssima fotografia que por si só já é uma obra de arte, belos cenários e vestimentas sugestivas, com cenas curtas, além de cortes abruptos, inesperados e secos, através do filme, observamos a fragmentação da vida aos olhos de Malick, as imagens parecem mais uma dança bem estruturada contrastando os belos cenários cinzentos e vazios com a profundidade encontrada na atuação de cada personagem que não são compostos por dramáticos exagerados. A clareza nos pensamentos e as expressões conseguem dar vida ao invólucro emocional que cada um esconde dentro de si, como se estivessem em meio às tribulações de uma vida real onde o eu esta em conflito consigo mesmo. Além disso, o filme ainda ganha pontos com sua trilha sonora de Hanan Townshend que consegue dar sentido e completar as cenas de forma que elas não se tornem melodramáticas, clichês e convencionais.

Talvez o filme não atraia de fato os olhares de todas as pessoas e com certeza nunca se tornará um blockbuster, sua natureza não é e nunca será se tornar um deles, o filme parece mais um fruto de todas as dúvidas, inquietações que Malick possui a cerca do amor e também do relacionamento do homem com Deus. É praticamente impossível diante de tantas imagens utilizadas como meio de linguagem não se envolver com filme de forma que o telespectador quer saber o que se passará a seguir.

O filme trata do Amor de forma incondicional, o amor que Marina esperava encontrar em Neil, um amor que não se mede, feito o amor que alguns têm por Deus, o diretor e roteirista trabalha o amor em sua forma mais sublime e pura. Neil, no entanto permanece quieto e introspectivo e parece ter medo de criar com Marina qualquer vínculo afetivo profundo e duradouro.


Em meio há tanto sofrimento ainda acompanhamos a vida de Padre Quintana que esta passando por uma crise de fé e não consegue enxergar o menor sentido em tudo aquilo que faz e que prega, tenta recorrer a Deus, mas tudo que consegue é apenas o silêncio esmagador e angustiante. A sua busca incessante por um contato com o divino, acaba o colocando num vazio existencial gigante, ele tenta de todas as formas suprir ou preencher este vazio, mas não consegue de forma alguma. Isso o leva a uma serie de questionamentos a respeito do amor divino. Se deus é amor porque ele se esconde? E porque deus não se compadece de todo sofrimento que há no mundo? E de certa forma, qual a razão de experimentarmos um vazio tão grande que habita nossa alma e toma conta de nosso ser de forma a perambular os piores pensamentos que possa existir em nossas mentes?

Os diálogos do filme se entrelaçam à medida que as ideias expostas através de pensamentos vão ficando cada vez mais claras, enquanto Marina e Neil não conseguem o tão sonhado amor que se espera Padre Quintana não encontra (por mais que procure) o amor de um Deus que talvez nem exista (ou exista estamos falando em possibilidades), a questão é que ambos esperam um amor recíproco, porém este não é correspondido com tal intensidade ardente. Talvez o diretor queira mostrar que quando amamos alguém nos tornamos tão fracos de tal forma que passamos a ver naquela pessoa uma espécie de divindade e esperamos que esta nos veja da mesma forma, mas nem todos são capazes de sentir o amor tão profundamente, e isso é projetado dentro de nós mesmos, ou na natureza e pessoas que nos cercam.

Amor Pleno não trás as respostas que buscamos, mas incita novos questionamentos a respeito do amor, um amor que não existe mais que procuramos, procuramos, mas  não encontramos, as pessoas não se amam mais, abandonaram seus princípios suas vontades, em função de algo que nem mesmo elas sabem o que é. Aqueles que buscam ao longo de sua vida experimentar o amor pleno não devem esperar recebê-lo de ninguém, antes deve ofertá-lo a aquele que não pode dar-lhes nada em troca.  O filme vem tocar no íntimo espiritual de cada ser humano, afinal quem nunca amou? Como diria Schopenhauer, o amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.

O filme é pura arte filosofia. Um filme para ser refletido, discutido e apreciado, e seu valor artístico deveria ser reconhecido por todos, porém este não é um filme para todos os tipos de telespectadores, portanto não vá assisti-lo esperando encontrar algo comum. Terrence Malick constrói uma narrativa semiótica que capta o indizível e é dotado de um detalhismo que quase chega a perfeição, cada parte que compõe todo o filme é cheia de significação e sentido, constituídas por simbolismos, metáforas e rimas visuais. Em suma Amor Pleno é indicado para que aqueles que possuem tamanha sensibilidade, e não vá assisti-lo esperando encontrar uma narrativa linear ou um romance convencional, eu não ousarei aqui a dizer quais de vocês possuem tal prestígio apenas deixo minhas opiniões e espero que assistam e tirem suas próprias conclusões.









To The Wonder
Diretor: Terrence Malick
País de origem: EUA
Elenco: Ben Affleck, Olga Kurylenko, Rachel McAdams
Ano de lançamento: 2012


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Review: Dois olhares sobre "Os Miseráveis"

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Uma história cantada tão verdadeiramente em Os Miseráveis 

por Amanda Prates
(Filmow - Twitter)

Fazer de um musical dos palcos do teatro uma grande produção cinematográfica, sem perder a coesão e a sinceridade nas representações é, realmente, um grande triunfo para uma equipe de diretor e roteiristas. Tom Hooper (O Discurso do Rei) o fez e é digno de todo o reconhecimento, inclusive de um Oscar de Melhor Filme. Com Os Miseráveis, o diretor pode até ter atraído maus olhares por contar a história do fugitivo Jean Valjean e de uma França sob o poder monárquico TODA cantada (salvo alguns poucos diálogos curtos), mas conduziu a única versão decente da adaptação feita para a Broadway da famosa novela homônima de Victor Hugo. Hooper conduz toda a complexidade que envolve uma produção deste gênero e sua opção por filmar os atores cantando ao vivo e evitar os estúdios para a correção das vozes só reforça a justificativa de este ser um dos pouquíssimos musicais indicados ao Oscar (e um dos raríssimos com enormes possibilidades de levar a estatueta pela categoria principal).

A trama se passa na França, após a Revolução de 1789, onde o regime autoritário e monárquico prevalecia novamente, e a população era consumida pela miséria e pela peste. O primeiro momento do filme é um cartão de visita esplendoroso, capaz de prender a atenção do telespectador por alguns minutos, com a canção “Look Down”, interpretada por Hugh Jackman e Russell Crowe, que dá o tom da história. A partir daí, Jean Valjean (Jackman) nos é apresentado como um condenado que, após uma pena de 19 anos, quebra sua liberdade condicional e é forçado a viver sob outra identidade. Já estável como dono de uma fábrica e prefeito de uma pequena cidade em outra parte de Paris, Valjean conhece a decadente Fantine (Anne Hathaway) e a promete cuidar de sua filha, Cosette, e é aqui que todo o real sentido da trama se define: ele percebe que encontraria na pequena menina todo o significado de sua vida (por mais clichê que isso possa soar), e decide protegê-la, a todo custo, de seu passado (leia-se o incansável algoz Javert).

Assim como a novela de Victor Hugo foi ridicularizada na época por toda sua intensa carga de sentimentalismo por alguns líderes de importantes correntes sócio-filosóficas, a adaptação de Hooper pode parecer algo bobo para uma parte de um público que se diz mais racional. A verdade é que Anne Hathaway toma para si todo o sofrimento de sua Fantine e dá ao filme as melhores e mais enternecedoras cenas em seus míseros minutos (que atire a primeira pedra quem não deixou derramar uma lágrima sequer com o solo de “I Dreamed a Dream”). Só com essa sentença não é preciso muito dizer que as chances de a moça não levar a estatueta do Oscar pra casa são nulas, não é mesmo? Do outro lado da trama, Amanda Seyfried e Eddie Redmayne encarnam os amantes Cosette (mais velha) e Marius, respectivamente, este último é um jovem dividido entre o amor pela moça e por sua pátria. Ambos fazem bem seus papéis, mas destaques os são creditados injustamente, não que esta que vos escreve esteja dizendo que os jovens retiram pontos do filme, pelo contrário. Porém, não conseguiram perceber (a Academia, em especial) a genialidade de Sacha Baron Cohen que, ao compor seu trambiqueiro Enjolras, faz, ao lado de Helena Bonham Carter, as melhores sequências cômicas e que dão outra dimensão da miséria; e toda a doçura de Samantha Barks, ao dar vida a uma Éponine apaixonada, expressando-se incrivelmente em “On My Own”.

Os Miseráveis é projetado milimetricamente para soar incrível na tela, mas traduzindo toda a carga de significação  à sua maneira, sem se render à total fidelidade ao texto clássico, pois este traria contigo o peso das questões sociais, e Tom Hooper dificilmente o faria sem torná-lo caricato e artificial, o típico teatralismo. Em suas quase 3 horas, o filme consegue fazer referências religiosas em seu texto e nas imagens (vide o momento em que Jean é forçado a carregar um mastro, como Jesus carregou a cruz), e propor o verdadeiro significado da vida pelo olhar aguçado de Victor Hugo sobre a realidade.

***** (5/5)

Os Miseráveis: a história cantada não a tornou mais bela

por Aline Alves

Fui correndo ver quando me disseram que Os Miseráveis ganharia adaptação nos cinemas. Depois do sucesso e de ganhar prêmios e mais prêmios com o filme O discurso do Rei, o diretor Tom Hooper, está de volta as telonas com um gênero que não tem a mesma quantidade de adeptos que o drama, estamos falando dos musicais.

O filme é a adaptação ‘indireta’ do livro magnífico Les Misérables de Vitor Hugo, este é de grande importância cultural e política. Os Miseráveis foi um grande sucesso e se tornou um dos produtos de maior vendagem da Broadway em todos os tempos. A grande questão a que isso nos leva é que uma de suas dezenas de adaptações cinematográficas, que foi filmada de forma inusitada, não é tão revolucionária como anuncia, mas conseguiu ser bem conduzida na forma de capturar as atuações, peça chave do filme.

O filme é ambientado na França do século XIX, e conta a estória de Jean Valjean, que depois de ser preso e trabalhar como escravo por 19 anos, é solto em condicional, mas não consegue se recolocar na sociedade. Redimido por uma gentileza inesperada, ele decide enfim abandonar sua antiga vida e virar um novo e respeitável homem. Esse novo homem promete cuidar de Cosette, filha de Fantine, uma de suas operárias. Mas para que isso aconteça, terá que fugir de Javert, um velho inspetor que o persegue mesmo após tantos anos, e tudo isso por causa de um mísero pão que ele roubou para salvar o pobre sobrinho que morreria de fome.

A tentativa de Tom Hooper foi fazer algo inusitado, adaptar algo que não é tão bem visto no cinema, o teatro musical estilo ópera. O formato comum de filme musical veio logo após o som no cinema, onde o filme é interrompido ocasionalmente por um número musical curto, já o formato mais tradicional dramatúrgico, há séculos como as óperas trazem longos espetáculos totalmente cantados, divididos entre dois ou três atos principais, com intervalos, o problema é que filmes não tem intervalos e 98% do diálogo do filme é cantado.

Hooper tentou criar uma técnica inovadora, captando o áudio no local, mesmo sabendo que não usaram exatamente o áudio in loco, mas sim uma versão aproximada, a técnica conseguiu extrair uma atuação maravilhosa de Anne Hathaway e Hugh Jackman, ambos indicados ao Oscar. O diretor apela pela emoção dos closes, perdendo muito de sua epicidade. Os Miseráveis não é um drama pessoal, mas sim coletivo, conta a jornada de um povo e mostrando cada parte separada o tempo todo não divulga bem essa dimensão, nas últimas cenas é possível quebrar o gelo e dar uma respirada. São cenas mais abertas, talvez Hooper quisesse aproximar-se do livro onde há essa individualidade, pois cada volume é composto por um personagem, ou pelo menos é dividido com os nomes dos personagens. 

Anne Hathaway, apesar de ser brilhante, não rouba toda a cena fica o destaque de Samantha Barks, atriz pouco conhecida pelo grande público, rouba a atenção e a revelação do filme, com uma voz extremamente bela e de sua ótima interpretação de sua personagem Éponine. O filme ainda tem seu lado cômico graças aos Thenardier, o casal que hospeda a Cosette. Vividos pela senhora Burton, Helena Bonham Carter, e pelo sempre impagável Sacha “Borat” Baron Cohen, eles são engraçados e odiosos na medida certa. Amanda Seyfried e o Eddie Redmayne não estão tão impressionantes, mas também agradam, até diria que estão um pouco apagados, nem mesmo a atuação dos dois é suficiente para salvar as cenas melosas de amor adolescente entre os dois.

Visualmente Os Miseráveis é fabuloso, belíssimo, trás um contraste evidente entre a pobreza do povo francês da época e a luta dos rebeldes pela liberdade. Um excelente trabalho da direção de arte nos leva a fotografia, figurino, maquiagem e cenários magníficos. Ver o Hugh Jackman e o Russel Crowe fazendo papéis pouco convencionais também ajuda bastante.

O grande pecado que tomou proporções épicas foi adaptar uma obra de cunho político tão rica quanto Les Miserables ao estilo musical. O problema mesmo fica no aporte cultural do grande público consumidor de Hollywood que não está preparado para um espetáculo estilo operata.

Acredito que Os Miseráveis não venha a ser lembrado como um dos maiores clássicos do cinema ou mesmo dos musicais. Mas com certeza deixou sua marca como um dos melhores filmes que seu gênero já produziu em muitos anos, gênero recheado de produções medíocres e sem inspiração, não é a toa que foi indicado a nove categorias no Oscar, incluindo o de Melhor Filme do ano.

Em suma, após 15 segundos de filme já não aguentava mais tanta cantoria, eu adoro literatura clássica, adoro dramas e amo o Wolverine, mas particularmente odeio musicais e não estou nem um pouco acostumada com o gênero que deixou o filme enfadonho, chato. Concordo que para o gênero, o filme é perfeito, mas como já foi dito, o público não está acostumado a este ‘tipo’ de musical, tudo que eu conseguia dizer ao final do filme eram as seguintes palavras “teria sido perfeito se não fosse um musical”. 

*** (3/5)
Les Misérables, Reino Unido, 2012
Direção: Tom Hooper
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway 
Duração: 2h 38min

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Amor, traição, ambição, ódio, vingança e inocência reunidos no caldeirão de Justin Chadwick em “A Outra”

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por Aline Alves

01:00 da manhã e o sono não vem, e aí que você começa a pular de canal em canal esperando que Deus coloque na sua vida algo ao menos  interessante. Foi aí que me deparei com o filme A Outra, dirigido por Justin Chadwick. Apesar de já o ter assistido, pensei que poderia revê-lo (eu e minha mania de ver filmes várias e várias vezes), foi aí que a luz do computador me chamou atenção, então o cenário composto por um computador ligado, uma caneca cheia de café e uma cadeira nada confortável (só me faltou o cigarro pra ficar poético) se tornou propício, pensei: “Vou brincar de escrever!”, mesmo me achando incapaz, inábil e outros adjetivos que já não cabem aqui sem que soem como um lamento autocomiserativo, me dispus a mesmo assim falar sobre.

O filme conta a história de Ana (Scarlett Johansson) e Maria Bolena (Natalie Portman), elas são como uma espécie de Dr. Jekyll and Ms. Hyde e a dualidade bem e mau, só que em dois corpos e não em apenas um. As duas irmãs se envolvem numa espécie de jogo para conseguir a atenção do rei, incitadas por seu pai e tio. O rei que inicialmente devia se engraçar (não achei uma palavra mais adequada) pelo lado de Ana acaba que se encantando por Maria, a bela, jovem, inocente que chega a ser boba de tão inocente, irmã mais nova. Ana, doente de ciúmes e não mais o centro das atenções, não mede esforços para que o rei fique com ela, buscando dinheiro, riqueza, luxo, e acima de tudo, reconhecimento do pai, mãe, irmã e do próprio rei. Ela estava mudada, experiente e começa seu joguinho de sedução levando o rei e o império a ruína. É importante ressaltar que tudo isso era para suprir a necessidade do rei de ter um filhinho, do sexo masculino já que a rainha não conseguia, não podia mais ter filhos.

Depois de crises aqui, crises ali e de todo um melodrama deveras exagerado, traição, casamentos arranjados e pessoas muito más e ambiciosas, e pessoas boas ao extremo e até uma insinuação de incesto, descobrimos que não temos o prazer, ou o Rei não tem o prazer de ter o tão sonhado herdeirinho, futuro Rei da Inglaterra, e tudo que ele consegue são meninas lindas e é isso que eu chamo de um puta de um azar.



O filme é baseado no romance de Philipa Gregory, de nome A Irmã de Ana Bolena. A autora passou dois anos no interior da Inglaterra estudando e pesquisando sobre os incidentes que ocorreram durante o reinado de Henrique VIII e reparou que havia muitas notas de rodapé com o nome de Maria Bolena, a suposta amante do rei antes de sua irmã Ana conquistá-lo e casar com ele. 

O longa tem sim muitas qualidades. Visualmente, é muito bonito, a fotografia, os cenários, os figurinos, evoluindo posteriormente para o belíssimo e impecável trabalho da direção de arte, e as atuações de Scarlett Johansson e Natalie Portman são de encher os olhos e, para quem gosta de filmes de época, é um prato cheio. Há quem o indique para cinquentonas que já não tem mais o que fazer. Quem sabe as adolescentes que sonham com o casamento e todo o blábláblá, professores de língua inglesa, gays, lésbicas, homens e mulheres de todo o mundo. Hoje eu, a intolerante, vou ficar neutra, ainda não me passou a alucinação e isso me faz escrever asneiras, então assistam sim ao filme e tirem suas próprias conclusões.

Já são 02:14 da manhã, o filme já está quase acabando, ainda não tenho sono, acho que posso escrever mais um pouco, é uma pena meu café já esfriou, não me sobra tempo para revisar o texto que espécie de escritora sou eu? Assim como Ana Bolena eu não sei brincar.

The Other Boleyn Girl, EUA/Reino Unido, 2008
Direção:  Justin Chadwick
Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana
Duração: 1h 55min

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Moda retrô: biquínis, essa moda pega?

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por Aline Alves

E para o desespero dos homens que preferem os microbiquinis, os biquínis retrô têm invadido a moda atualmente. O modelo é inspirado nos clássicos modelos de roupas de banho das pin ups da década de 40, que são referência de sensualidade. Isso significa nada de bumbum exageradamente de fora.

As principais características da modelagem retrô é sua calcinha que tem a cintura alta ou média, a estampa de bolinhas mais discreta ou extravagante, botões grandes e listras. A boa notícia é para aquelas que gostam de ir à praia e preferem não revelar tanto o corpo, mas acham o maiô uma peça fechada demais, já para aquelas que gostam de se queimar (digo, se bronzear) esse tipo de roupa de banho não é a mais indicada já que cobrem boa parte do corpo e ninguém vai querer sair por aí com a marca desse biquíni.

A moda já caiu no gosto de celebridades como Katy Perry, Taylor Swift e Giovanna Antonelli, mas são poucas as pessoas ‘normais’ que se adaptaram ao estilo principalmente no Brasil onde as mulheres ficam quase nuas nas praias, piscinas etc., muita gente acha careta usar uma roupa de praia retrô/vintage por ser maior que o usual.

O biquíni retrô se bem escolhido valoriza o corpo feminino e ajuda a esconder aquelas gordurinhas, já que eles ficam bem tanto em mulheres mais 'retinhas', quanto nas 'curvilíneas', a peça que já foi considerada brega, há algumas temporadas tem recuperado seu charme no mundo da moda e remete as cinturas bem marcadas de divas como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot.

Ao contrário do que muitos afirmam, não acho que o ‘biquinão’ seja ideal para as mulheres mais gordinhas etc., etc., etc., acho que tem é que ter muito mais muito estilo para usar um visual todo retrô, tanto para gordinhas quanto magrinhas ou saradas, o importante é ser feliz e se sentir bem.

Além de ser très chic, essa modelagem ainda deixa um corpinho todo marcado. Pensei que o estilo revolucionaria a moda praia, mas pelo que podemos notar ele não foi bem aceito pelo gosto popular. Por ser diferente do que estão habituadas, muitas ainda têm medo de ousar, as peças então ficam para as mais rebeldes e ‘metidinhas’ a diferente, como sempre há lugar para todos no mundo da moda. 


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Li Por Aí #1: Suicídio

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por Aline Alves

Várias vezes a ideia de suicídio assaltou-o; esta imagem vinha cheia de encanto, como um repouso delicioso; era como o copo de água gelada para o miserável que, no deserto, morre de sede e de calor.
"Minha morte aumentará o desprezo que ela tem por mim!", exclamou. "Que lembrança eu deixaria!"



*.............. lembra algo que ouvi esses dias, tenho lido tanta coisa que fala sobre assunto ultimamente, até os filmes que estou vendo, ouvindo sobre casos,  coisas da vida.
* Não me perguntem a razão pela qual escolhi a segunda foto. Não, eu nunca li Harry Potter mas eu achei muito bonitinha,  não tem nada a ver com suicídio mas lembra o Li Por Aí ;)

O Vermelho e o Negro
Título original:  Le rouge et le noir
Autor: Stendhal
Editora: Abril 
Ano:  210
Páginas: 640

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Será que só eu odeio o Carnaval?

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por Aline Alves

Quando você não aguenta mais ver e ouvir em sua TV comerciais  sobre natal e feliz ano novo (ah como somos felizes e como o ano foi próspero), quando você esta enfim livre dos clichês. Eis que então, você se depara com aquela musiquinha da globeleza, e nada novo, seres do sexo feminino esbanjando sexualidade, nuas, repletas de brilhos e algo grande e chamativo na cabeça, alegria amigos é Carnaval.  

O carnaval chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França as festas aconteciam em forma de desfiles urbanos com pessoas fantasiadas e usando máscaras.

No final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos brasileiros, mas só no século XX com a ajuda das marchinhas carnavalescas é que as festas ganharam popularidade, essas marchinhas são aquelas musiquinhas chatas de carnaval,  e quem é que não se lembra do “ó abre alas que eu quero passar”. A partir daí foram surgindo às primeiras escolas de samba no Rio de janeiro e também as competições entre as escolas.

Além do Carnaval do Rio de janeiro, ainda há no Brasil os carnavais de Salvador e de Olinda que também são conhecidos no mundo todo.

O carnaval é uma festa muito popular no país, que levou fama internacional de país do carnaval (O carnaval do Rio de Janeiro está no Guinness Book como o maior carnaval do mundo), mas ainda acredito que o carnaval não conseguiu fisgar todo mundo, devem existir por aí alguns brasileiros de espírito independente que não são adeptos às festividades carnavalescas, eu por exemplo.


O fato é que não vejo algo realmente proveitoso no carnaval, não gosto de grandes festas com muuuuuuuuita gente, como diria NietzscheOdeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.” Não importa onde seja, Bahia, Recife, Rio de Janeiro, Paris, além de ter definitivamente muita gente feliz se pegando e bebendo, o carnaval ainda tem aquelas músicas irritantes que não fazem o meu gênero, ou seja para pessoas como eu se é que elas existem, o carnaval não é nada agradável.

Enquanto em época de carnaval pessoas saem de todo canto do mundo e vem para o Brasil eu desejaria sair do Brasil e ir pra qualquer canto do mundo, um lugar tranquilo onde eu possa ler meus livros e ver meus filmes em paz, poderia coexistir em minha alma os dois gostos, afinal nasci no Brasil e gostar de carnaval não significa que eu não possa gostar de ler ou vice-versa, mas não tem mesmo jeito.  Apesar de minha aversão a festa acho que tudo isso é algo muito complexo, penso que deve ser muito bom, pra quem gosta.  



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Li por aí: Como reagir enquanto presente no aniversário de um relógio.

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por Aline Alves



Preâmbulo às instruções para dar corda no relógio


Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra-pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você — eles não sabem, o terrível é que não sabem — dão a você um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrines das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.

* trecho retirado do livro Histórias de Cronópios e de famas de Julio Cortázar.

* Escolhido pela forma como o autor relata a experiencia de se ganhar um relógio que pode não ser tão boa quanto parece "o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio"  parece bem com como agimos, já não usamos mais as coisas infelizmente cada dia mais somos usados por elas.




Histórias de cronópios e de famas.
Título original: Historias de cronopios y famas
Autor: julio Cortázar
Editora:  Civilização brasileira
Ano: 2009
Páginas: 128
Edição:  12ª


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