Passion Pit e as três histórias de amor simultâneas do clipe de "Cry Like a Ghost"

por Amanda Prates
(Twitter - Last.fm)

Uma das bandas mais esperadas no Lollapalooza Brasil 2013, a Passion Pit, resolveu retirar um quinto single do mais recente álbum, Gossamer, e produzir uma versão audiovisual desta, que viria a ser a mais incrível da banda. “Cry Like a Ghost” teve seu clipe divulgado ontem (dia 27) e se figurou como a melhor produção lançada até o momento do grupo formado por Michael Angelakos, Ian Hultquist, Jeff Apruzzese, Nate Donmoyer e Xander Singh. Se “Carried Away” surpreendeu com toda aquela mini comédia romântica bem feita criada em cima da canção, o atual single deu ao diretor Daniels mais do que os pontos necessários para fazer um clipe que incrível é pouco para definir.

Nele, uma moça passeia simultaneamente por três diferentes amores, com um jogo de sincronia capaz de fazer inveja a muito produtor por aí. Todo um clima sombrio e surreal circunda o ambiente, reforçando a competência da produção nos movimentos dos personagens envolvidos e a maneira como a mulher passa de uma cena para outra, como se fosse num único take. Este clipe é, na verdade, uma versão encurtada do vídeo disponível neste site para usuários cadastrados, como indica a descrição vídeo no YouTube.

A Passion Pit deve se apresentar nesta sexta-feira, dia 29, no festival Lollapalooza, em São Paulo, e no sábado, dia 30, num segundo show no Circo Voador, no Rio de Janeiro.


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Um Delta Rae mais intimista no clipe de "If I Loved You"

por Amanda Prates
(Twitter - Last.fm)

Classificar a Delta Rae como mais uma banda indie recém-formada pode ser um grande erro, um absurdo até. Depois de quatro grandes produções audiovisuais de singles retirados do debut album Carry the Fire, o grupo formado por seis membros se consolidou como uma das mais belas surpresas de 2012, e se tornar um dos maiores ícones (quiçá o maior) da música indie será apenas uma questão de tempo. A última canção promocional, “Dance in the Graveyards”, rendeu um clipe diferente e com marca única da banda. Com “If I Loved You” não podia ser diferente. A faixa, talvez, mais intimista do disco ganhou sua versão visual ontem (dia 27), com toda a poesia da composição transposta em imagens.

O vídeo é simples, com cores quase uniformes e mostra Ian Hölljes, Eric Hölljes, Brittany Hölljes, Elizabeth Hopkins, Mike McKee e Grant Emerson mais intimistas, interpretando a canção e mantendo a mesma essência dos vídeos live da banda. Elizabeth ganha destaque tanto na música quanto no vídeo e aparece tão mais intensa quanto os outros. Lindsey Buckingham, apesar de fazer parte da canção, não aparece no clipe.


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Review: Emma Stone mente para ser a popular vadia da escola em "A Mentira"

por Léo Balducci

Quem nunca contou uma mentirinha? Às vezes, acabamos mesmo tendo que mentir se queremos evitar certas situações desagradáveis que possam nos prejudicar, faz parte de ser humano. Mas quando é que isso passa do limite? Bem, o ditado “a mentira tem perna curta” pode até dar ênfase no fato de que, mais cedo ou mais tarde, a verdade vai aparecer, porém temos que admitir que uma boa mentira sempre acaba passando despercebida, principalmente quando vira uma grande. Em “A Mentira” não é diferente, na verdade, o filme é pura referência de ideais clássicos que passam a ser contestados na atualidade.

Rendendo uma indicação ao Globo de Ouro de 2011 na categoria “Melhor Atriz de Comédia ou Musical”, o longa-metragem narra os depoimentos de Olive (Emma Stone), uma garota meio que invisível no colégio. Quando ela decide mentir para sua única e melhor amiga Rhiannon (Aly Michalka) sobre ter perdido sua virgindade, a religiosa e arrogante Marianne (Amanda Bynes) acaba ouvindo a conversa e nem pensa duas vezes antes de espalhar a fofoca. A partir daí, todos os alunos ficam sabendo de sua “indiscrição” e ela vira a vadia sem escrúpulos da escola, onde para continuar sendo popular ela decide aceitar a proposta de seu colega gay Brandon (Dan Byrd), que não aguenta mais as atormentações sobre sua sexualidade, de fingirem ter transado numa festa em que todos os estudantes estavam presentes. Com isso, Olive não vê alternativa a não ser manter essas e inventar outras mentiras assumindo sua mais nova personalidade de “vagabunda do colégio”.


É realmente impressionante o modo como o roteiro do filme foi trabalhado, ainda mais por se tratar de um enredo feito para jovens, cheio de referências ao livro “A Letra Escarlate” – constantemente citado –, estereótipos dos mais variados tipos (afinal, ser jovem é se render aos gêneros) e uma originalidade muito perspicaz. Vale ressaltar como a atuação de Emma foi primordial para passar a confiança dos acontecimentos sendo descritos ao mesmo tempo em que dialoga com os eventos e falas cômicas, que dão o ritmo necessário à produção. Tem que se destacar também a interpretação de Stanley Tucci e Patricia Clarkson, que fazem os pais de Olive, que souberam muito bem adquirir as características dos personagens enquanto cativavam o público. Até Bynes, que anunciou sua aposentadoria após esse filme, e Cam Gigandet, que faz o namorado nem tão santo da cristã arrogante, proporcionaram boas cenas. Com alguns palavrões aqui e ali, ele se torna ótimo por realmente realçar a contemporaneidade do mundo dos jovens e traçar uma linha do pensamento ultrapassado e anti-ético da sociedade, priorizando as conturbações de pessoas que prezam impedir o preconceito mas o comentem tão diariamente que chega até a ser tão ‘hipócrita’ e ‘indecente’ quanto alguém que transou no colegial e usa roupas sensuais. A trilha sonora é tão bem arranjada, que nem “Pocketful Of Sunshine” de Natasha Bedingfield consegue deixar de ser uma música divertida em meio às cantorias de Olive no fim de semana.

Enfim, “A Mentira” é uma justa encenação de que como as pessoas são tão controversas, assim apresenta um roteiro ágil e muito inteligente, que não se prende à compreensão detalhada dos espectadores (está tão repleto de citações que fica inevitável não se perder em algum ponto). É, sem sombra de dúvida, um salve em relação aos filmes cada vez mais satíricos (sem sentido) de sexo e desenvolve uma razão para a reflexão do assunto e aceitação das pessoas por quem elas são, além da nossa mentirinha de cada dia. De qualquer maneira, o quê seria o mundo sem a mentira?

*** (3,5/5) 
Easy A, EUA, 2010
Direção: Will Gluck
Elenco: Emma Stone, Dan Byrd, Amanda Bynes
Duração: 1h 32min

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Um David Archuleta de desenho e apaixonado tenta impedir que seu amor fuja no clipe de “Don’t Run Away”

por Amanda Prates
(Twitter - Last.fm)

David Archuleta pode não ser uma das poucas grandes estrelas que ganharam muito espaço no mercado pop (leia-se Adam Lambert e Kelly Clarkson) em pouquíssimo tempo depois do American Idol, mas é dono de uma das vozes raras e únicas que saiu de lá. O cantor que lança nos Estados Unidos hoje (dia 26) seu sexto álbum de estúdio (e o terceiro em menos de um ano), No Matter How Far, liberou no último dia 24 o clipe para o lead single “Don’t Run Away”. As expectativas sobre o lançamento de algum possível material a fim de divulgar o disco eram poucas. Houve até quem duvidasse que o álbum fosse mesmo divulgado, já que o rapaz agora faz parte de uma pequena gravadora e está em missão religiosa pelo Chile.

O vídeo pode até ser algo ~muito~ simbólico, ao narrar uma pequena  e triste história de amor em forma de animação (rabiscos, para ser mais exata), mas expressa bem a essência branda e apaixonada do cantor e de seus trabalhos. A produção no geral foi assinada por Kylie Malchus e mostra um David Archuleta lutando para impedir que o amor da sua vida fuja, como revela a letra da canção. Os desenhos, feitos à mão livre, refletem todo o ar melancólico da composição, inclusive o olhar pesaroso e tão verdadeiro do moço. É como se fosse o próprio Archuleta estivesse ali no vídeo, só que com efeitos especiais, e não feito de traços a lápis.  

No Matter How Far, o disco lançado hoje, já está disponível para audição livre há alguns dias, no perfil do Soundcloud da Billboard, e deve seguir com pouca divulgação e não atingir nem parte do sucesso obtido do primeiro álbum e homônimo, assim como os dois últimos trabalhos. Assista ao clipe no player abaixo: 


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Michael Bublé é a felicidade em pessoa no clipe de "It's A Beautiful Day"

por Amanda Prates

Na manhã de hoje (dia 25), Michael Bublé liberou, depois de um lyric video pra lá de colorido, o clipe para “It’s a Beautiful Day”, primeiro single do novo álbum do canadense a ser lançado em 15 de abril, “To Be Loved”. Na semana passada (dia 19), o cantor liberou um teaser de “You Make Me Feel So Young”, outra faixa bem animadinha do disco, cheio de cor e em forma de animação, e que ainda conserva os traços jazz na sonoridade do cantor. O novo trabalho teve seu tracklist divulgado há algum tempo, e conta com a participação de nomes como Bryan Adams, Naturally 7, The Puppini Sisters e até da atriz Reese Witherspoon.

No vídeo, Bublé encarna a felicidade, logo após encontrar sua esposa beijando outro homem. A partir daí, ele sai pelas ruas cortejando as inúmeras mulheres que passam, e até arrisca uns passinhos de dança. O clima ensolarado do vídeo, o uso de efeitos especiais e o excesso de cor neste clipe apresentam bem as características do novo álbum do cantor. “It’s a Beautiful Day” só é uma das canções em que Bublé reflete a nova fase de sua vida. “To Be Loved” promete mostrar o lado apaixonado e a versatilidade do canadense, como o próprio revelou em entrevista: "É um disco mais agressivo. Estilisticamente, tem mais pegada. Arrisquei coisas que nunca tinha tentado antes. Coloquei minha voz em uma posição que as pessoas não estão acostumadas a ouvir. No geral, me sinto muito feliz. Vou ser pai. Eu me sinto mais corajoso. Estou satisfeito. Desculpe se não posso contar para vocês uma história mais dramática."


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Review: Justin Timberlake traz para o presente o melhor do passado em "The 20/20 Experience"


Foi meio que de surpresa quando Justin Timberlake anunciou seu retorno na música e prometeu trazer um pouco mais de sua sonoridade Pop e R&B nas rádios, quebrando um pouco o ‘clima’ de tanto dubstep. E parece até que o tempo não passou! Ele conseguiu suprir tudo aquilo que seus fãs ansiavam dos álbuns anteriores e de quebra ainda proporcionou a sensação de que nem se passaram seis anos desde que Futuresex/Lovesounds chegou às prateleiras das lojas. The 20/20 Experience chega como uma forma de reviver esse gênero tão abusivo que foi deixado de lado, sem contar incríveis composições em meio à sonoridade de suas letras (ou poesias).

Logo de cara, já nos deparamos com a deliciosa Pusher Love Girl exibindo bases instrumentais impecáveis, indo na pegada do jazz e passando por suas suaves batidas que nos amparam no pouco mais de 8 minutos de música. Suit & Tie, o carro-chefe do álbum, se junta na sequência, mas mostra um desempenho bem mais pessoal e não tão intenso quanto ao resto do repertório. Já Don’t Hold The Wall nos permite apreciar um pouco da produção de Timbaland, que mesmo tendo participado da produção de todas as outras canções, ganha mais destaque nessa, principalmente, pelas repetições tão harmônicas e num ritmo meio indiano do título da faixa. É claro que Mirrors se consagra como uma das melhores, dominando completamente o cargo de ser a baladinha com o melhor filler. As grandes considerações vão para Tunnel Vision, que parece tão singelo que nos remete a outros hits do cantor, como Cry Me A River. No entanto, nossa grande aposta como próximo single é Let The Groove Get In, que não hesita em mostrar um ritmo mais acelerado enquanto usa de várias batidas para comprovar a melodia tão bem imposta na letra meio chiclete (referências de Michael Jackson são evidentes aqui).



Saindo da zona de conforto (mas nem tanto), temos Blue Ocean Floor. Timberlake conseguiu muito bem produzir uma faixa que, além de expressar suas expectativas, também trouxe uma musicalidade mais explorada dele, caminhando por padrões mais calmos e um tanto à lá Lana Del Rey. Apesar de ser um pouco triste e dramática, ela dá um sinal tão claro de sentimentos profundos que é inevitável não se pegar imaginando no nada descrito. Dress On e Body Count são faixas da Edição Deluxe e mesmo sendo um tanto específicas, não acrescentam muito ao repertório – principalmente a primeira. As demais seguem como um balanço bem estudado pelo cantor e apropriado para dar a sequência ideal que o álbum precisa (para não se perder só no R&B ou nos fillers), mesmo que as maiores (temos de até 8 minutos) possam parecer meio cansativas.

Concluindo, The 20/20 Experience tem tudo o que os amantes de R&B gostam e ainda um pouquinho mais do charme e inspiração de Justin Timberlake, que se entregou ao passado e soube administrá-lo ao contemporâneo. Não é nenhuma revolução mirabolante do mundo pop, mas consegue, sem exagerar, inserir um pouco do contexto de qualidade, tornando-se extremamente satisfatório saber que suas músicas estão conquistando o atual público – tão acostumados com refrões eletrônicos. E parece que Novembro tem a segunda parte, só torcemos para que não precisemos nunca mais esperar por mais seis longos anos!



Artista: Justin  Timberlake
Álbum: The 20/20 Experience
Lançamento: 19 de Março de 2013
Selo: RCA/Sony
Produção: Timbaland, Jerome "J-Roc" Harmon
Duração: 1h 30 min
Gênero: R&B/Pop

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JoJo e seu amante quase perfeito no clipe de “Andre”

por Amanda Prates
(Twitter - Last.fm)

Depois de engavetar dois trabalhos audiovisuais, JoJo finalmente liberou o clipe para a faixa “Andre”, presente em sua mixtape lançada em dezembro último, Agápē, na manhã desta quinta-feira (dia 21). A produção vinha sendo filmada desde meados de janeiro, com a direção assinada por Embryo. A segunda mixtape recém-lançada antecede o terceiro álbum da cantora que teve de ser adiado por mudança de gravadora. O novo trabalho ainda não tem uma data de lançamento, porém, a previsão é para ainda este ano.

O vídeo não é nenhuma produção espetacular, porém, é bem ao estilo JoJo. Nele, a cantora aparece em várias cenas interpretando a canção, enquanto em outras, divide uma pequena história com o seu Andre, um pintor misterioso até revelar sua identidade junto ao quadro pintado em homenagem à sua amante (ela) numa exposição de arte. A moça pode não ter feito um retorno triunfante com esse clipe, mas já é o suficiente para saciar a sede dos fãs por novos trabalhos. Assista abaixo:


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Justin Timberlake e uma linda história de amor no clipe da lindíssima "Mirrors"

por Amanda Prates

Depois de um intervalo de sete anos, Justin Timberlake tem mostrado que um #1 em várias paradas musicais é pouco para o que ele tem reservado para os seus fãs.  Com o hit “Suit & Tie”, o cantor deu início às divulgações do disco e alcançou o Top 4 da Billboard e o Top 3 da parada de singles do Reino Unido. Ontem (dia 19), meio que de surpresa, Timberlake liberou o clipe para “Mirrors”, o segundo single. A faixa atraiu a atenção dos fãs logo na primeira audição e é considerada, quase que de maneira unânime, uma das melhores canções do álbum.

O vídeo, dirigido por Floria Sigismondi (“Try”, “Figther”), divide-se em duas partes: numa, ele conta, de maneira não linear, uma história de amor em 5 minutos; noutra, o moço aparece numa sala rodeado de espelhos e dançarinas.  O jogo com as cenas sem uma ordem cronológica, com as cores contrastadas e com os pequenos detalhes são tão bem trabalhados (o que é difícil de se ver) que não seria exagero dizer que esse é um dos clipes mais incríveis da carreira do Príncipe do Pop, e só o fato de a produção ser uma espécie de homenagem aos seus avós (em especial ao seu avó, William Bomar, que faleceu em dezembro passado), tão bem casada à esses elementos, já reforça essa quase premissa.

E se você sentia saudades dos números de dança hipnotizantes do cantor, “Mirrors” te presenteia com alguns minutos do gingado americano, mais o dote de atuação e sensualidade do moço. Confira:


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Sessão JenLaw: Lori Petty põe a nu suas experiências pessoais e almeja uma mensagem de redenção em “The Poker House”

por Amanda Prates

Ultimamente não tem sido raro se deparar com filmes fortes o suficiente para tocar o lado sensível de seu espectador e nem que o faça sentir-se diferente ao menos por alguns minutos após sair da sala de cinema, mas pouquíssimos destes serão capazes de tornar a conexão com esse espectador essencialmente verdadeira por fazer-se tão real. The Poker House é, facilmente, um destes filmes. Não um filme isento de erros, pelo contrário, eles são muitos, mas que consegue, brilhantemente, apontar para o incômodo de seu “ouvinte”: o vira de ponta a cabeça e o coloca automaticamente dentro da história, mas não para sentir o interior (e o exterior) de cada personagem, e sim para se fazer observador, e acompanhar de perto cada passo de todos os envolvidos na história, mesmo os que não são tão relevantes. 

Ao basear-se em um capítulo de sua própria vida, Lori Petty faz de seu longa-metragem mais do que um filme edificado em um fato real: ela transcende os limites das telas e abre espaço para que seu espectador se faça parte onisciente da trama. Ele segue Agnes (Jennifer Lawrence), uma adolescente de 14 anos que vive com sua mãe prostituta e viciada em crack, Sarah (Selma Blair), e suas duas irmãs mais novas, Bee (Sophia Bairley) e Cammie (Chloë Moretz), na chamada “Casa de Poker”, o bordel mais conhecido do bairro. A história é ambientada em meados da década de 70 na cidade de Iowa, não que ela dê tanta importância a esses detalhes, até porque não há necessidade de situar o público para as cenas seguintes, vamos aos poucos descobrindo o ser humano dentro de cada personagem de uma história verdadeira e de amadurecimento transcorrida em um único dia. Talvez esteja aí o triunfo de Petty, justamente não fazer de The Poker House uma autobiografia de quase duas horas, mas uma pequena parte de sua adolescência, distribuída em 24 horas psicológicas, um detalhe que seu espectador possa deixar passar despercebido pela grandiosidade que se torna esse dia da vida da roteirista/diretora.


A personagem principal vive tentando ser adulta, já que não há sequer registros de seu pai e o vínculo paterno é, em termos, substituído por Duval, o cafetão de sua mãe e que cruza a linha de relacionamento com Agnes. Suas outras duas irmãs também foram obrigadas a crescer muito rapidamente. Bee tem um emprego de entregadora de jornais, e Cammie vive de fugas para a casa de sua amiga, onde tem um espaço seguro para dormir e o que comer. O filme é obscuro e sombrio e, mais do que um retrato da pobreza estadunidense, Petty dá ao público um vislumbre de sua infância trágica, com elementos visuais que refletem bem o ambiente triste, o que contribui para mostrar a gravidade dos problemas desses personagens e as motivações por trás de suas ações. A trilha-sonora, no entanto, é por vezes repetitiva e mal produzida, um ponto em que a produção peca pela falta de cuidado em um detalhe tão precípuo em longas deste tipo.

Como um filme pequeno e independente, The Poker House almeja ser mais profundo do que vistoso, o que só foi possível de ser trabalhado com as grandes performances que dispunha. Jennifer Lawrence toma Agnes para si como se estivesse de fato vivendo verdadeiramente aquilo, e, por si só, comanda o filme com total maestria, mesmo quando não fala uma só palavra. E há muita verdade em sua interpretação. Como Agnes, a moça é envolvente, convidativa, forte e amorosa (ao seu jeito), mas, concomitantemente, em seu núcleo há ainda uma essência infantil que ela lindamente transmite na tela. Como seu primeiro papel extenso em um longa-metragem, Lawrence construía lentamente o que estaríamos por ver nos últimos dois anos, uma atriz tão persuasiva capaz de comandar todas as suas cenas, mesmo quando em silêncio. Sophia Bairley é uma delícia como Bee. Há um brilho sobre ela que ilumina a tela e sua entrega confiante fala muito sobre sua personagem e sobre seu talento. Chloë Moretz, como Cammie, dá a inteligência, o caráter e a estranheza de que o filme tanto necessita. Ao final, é fácil tornar-se envolvido com as três irmãs pela forma como transformam seus primórdios deprimentes em vidas significativas. Selma Blair e Bokeem Woodbine são o que a produção se faria mais primorosa sem. Ela, como a "pseudo-mãe", exagera ao ponto de o público duvidar se ela realmente está fazendo um papel de prostituta alcoólatra e viciada em drogas. Woodbine, apesar de ser adequadamente um cafetão assustador, é mais caricato do que deveria ser.

The Poker House lida com uma série de questões difíceis e, embora não seja completamente pessimista, não se deve esperar pelo sentimento otimista. Ele tem cenas perturbadoras e cruas a ponto de provocar apatia em seu espectador, ou, no mínimo, fazê-lo olhar as pessoas de outra perspectiva, a partir dali. Apesar da estrutura confusa de cenas e do tom, Petty evita a maioria dos floreios artísticos que desviam muitos indie de estreia, para salvar com a narração desesperadamente poética de Agnes, e com a esperança de que a mensagem final seja apenas de redenção, como ela própria revelou: “Gostaria que o público sentisse a empatia e compaixão que toda a gente tem um pelo outro neste filme. E para perdoar as pessoas que estão realmente fazendo o melhor que podem. Você não sabe o que alguns estão passando. Você não sabe de onde eles vieram. Você não sabe o que acontece quando eles vão para casa. Tratem a todos da maneira que você gostaria de ser tratado e seja grato apenas por estar vivo. Não tenha medo e não deixe o passado afetar o seu presente”.

**** (4/5)
The Poker House, Estados Unidos, 2008
Direção e roteiro: Lori Petty
Elenco: Jennifer Lawrence, Selma Blair, Chloë Moretz, Bokeem Woodbine
Duração: 1h 34min

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SAGAS: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

por Léo Balducci

O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.

Tornou-se referência de Harry Potter o brasão do logotipo da Warner Bros. transcender a tela, algo que no último filme da saga que virou sinônimo para o cinema não poderia faltar. Essa introdução já prepara os fãs mais aflitos para as cenas angustiantes e de conflitos que estão por vir, o que evidentemente cogita a relação de “Relíquias da Morte – Parte 2” ser abordada com uma ação intensa e revelações inacreditáveis (ou não). A adaptação cinematográfica se mostra, basicamente, fiel aos detalhes impostos por J.K. Rowling nas quase 600 páginas que formam o livro, mas também sabe adquirir personalidade própria e conferir argumentações que dão toda a essência que os olhos podem ver.

Deixando desnecessário qualquer sinopse iminente, o confronto direto com o inimigo é, sem justificativa, esperado e contorna a contextualização que o diretor pode propor para o final épico (mudando-o ou não). É claro que antes disso, Harry Potter (Daniel Radcliffe) tem planos mais concretos para se certificar que poderá enfrentar Voldemort (Ralph Finnes) e, no mínimo, garantir que a briga seja justa, o que é voltado para a destruição das horcruxes – que, em lugares cada vez mais inesperados, constituem um singelo suspense. Para os mais perfeccionistas, a dimensão dada ao Banco Gringotes é, de longe, a mais explorada até então do universo bruxo, que retém uma quantidade imensa da utilidade dos efeitos especiais, incluindo o dragão que, abafado por viver numa represaria do subterrâneo, enche os pulmões com tal ânsia que exemplificam a determinação do trabalho dessa equipe – que desde o primeiro, dedica-se intensamente para trazer seu melhor conteúdo. Diferentes dos primeiros filmes, esse não se prende em deixar completamente explicado para o público cada elemento e transição que é realizada, muito pelo contrário, compreende que o espectador é inteligente o bastante para encontrar as respostas e descobrir os fatos mais escassos. E David Yates se consagra numa virtude de direção que coube a ele converter a originalidade da obra literária e ao mesmo tempo atribuir as melhores condições que o cinema pode oferecer. A partir de agora, Harry é visto como seu próprio defensor, com habilidades suficientemente comprovadas de vitórias, colocando a seu julgar a salvação de seu mundo ou sua destruição.


Os diálogos podem não ser os mais sensitivos, como na Parte 1, mas conseguem, de forma brilhante, conduzir as cenas, que também são complementadas pelo ótimo desempenho das movimentações da câmera – causando a sensação única de cada momento. Em nenhum instante, houve um medo de induzir um representativo de violência ou um desgastante método de passar o horror daquela realidade com sangue, já que toda a equipe soube dosar muito bem o que se pode ou não ser exibido conforme seus objetivos – não trazendo um filme nem muito fraco e nem pesado. Outro atrativo foi a fotografia de Eduardo Serra, que não poupou dedicação para realçar toda perspectiva que cada cena permitia, estabelecendo uma trajetória entre o sombrio e o trágico, o pânico e a impaciência, a magia e a fantasia. Nada mais correto do que soltar elogios a Steve Kloves, que exerceu o talento de criar um roteiro embasado no fundamental e no proposital, contribuindo para o sentido que determinadas situações levavam. Sem cansar de ter seus méritos reconhecidos, a Direção de Arte solta sua maior ênfase de produção e dá um espetáculo de criatividade, que se permite ser explorado nas minuciosas rochas se partindo em Hogwarts até os belos materiais de casa no Chalé das Conchas. A trilha sonora de Alexandre Desplat foi suave e turbulenta, propriamente dita de um êxito enorme no estudo das sonoridades.


Dessa vez, o convencimento passado por Radcliffe atinge seu auge e percebe-se como o ator evoluiu tão rapidamente ao assumir sua interpretação mútua do personagem mais popular da década no cinema, assim como Emma Watson e Rupert Grint ostentaram suas atuações impecáveis e dignas de aplausos de, respectivamente, a “sabe tudo” que parou de chorar Hermione Granger e o atrapalhado que aprofundou seus sentimentos Rony Weasley. Maggie Smith retorna para fazer a Professora McGonagall e não se limita aos poucos minutos de cena, tendo um imenso destaque e fazendo valer a influência da personagem perante o castelo da escola. No entanto, quem emociona e não evitou causar soluços de choros nos fãs mais sensíveis foi Alan Rickman, onde ele se doa totalmente a Severo Snape e estende a diversidade do personagem de tal forma que fica mesmo difícil não se deixar levar pelo momento tão comovente, almejando o ideal e criando a conectividade de Snape ao seu passado perturbador e com incessante procura de emoções. Já Helena Bonham Carter pode não decepcionar no modo como induziu Belatriz Lestrange, porém deixou um pouco a desejar (lógico, não por sua culpa) no modo sem sentido e tão apressado que se despede de nossos olhos, uma das cenas mais esperadas visualmente pelos fãs – e que foi meramente ilustrativa. Fiennes nos deixa sem palavras, ainda que tenha sido considerado inoportuno em certas aparições redundantes.

De qualquer maneira, não há como colocar defeitos no final – que, subitamente, faz-se necessário do jeito como acontece sem mais nem menos. Então, as aventuras do jovem bruxo se encerram em “Relíquias da Morte – Parte 2”, indicando um quadro de vivências e lembranças que perduraram na memória de todos aqueles que se espreitavam para o envolto do que acreditam, pois afinal as palavras são “nossa inesgotável fonte de magia, capazes de formar grandes sofrimentos e também de remedia-los. O legado que Rowling deixou não acaba por aqui, já que é vital ser eternizado em nossas mentes e nos permitir saber que, além de tudo, o que imaginamos e criamos nunca poderá ser tirado e cabe a nós mesmos definirmos o que é essencial para que, diga-se de passagem, um Lumus Maxima possa iluminar a vistoria de nosso próprio Mapa do Maroto! Com um obrigado a Harry Potter, deixo a seguinte frase na reflexão: "Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?"

***** (5/5)
Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 2, Reino Unido/EUA, 2011
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 10min

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SAGAS: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1

por Léo Balducci

O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.

O final épico da saga de maior sucesso de todos os tempos dá seu primeiro passo em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, introduzindo todos os abusos e constâncias evidentes nos filmes antecessores. Contudo, não é fácil se pôr a julgar o primeiro capítulo de um fim, já que o mesmo, de uma maneira ou outra, sempre induzirá uma dependência de sua sequência em função do controle que esse exige para almejá-lo, onde podemos considerar “Enigma do Príncipe” como o primeiro da trilogia final e esse o meio. Dessa vez, a fidelidade às páginas escritas por J.K. Rowling é destaque e denominam o caminhar das construções cênicas e encenações, causando os maiores efeitos positivos para os fãs que sempre mergulharam nos livros.

Para encerrar, nada melhor do que colocar os tios insuportáveis de Harry Potter (Daniel Radcliffe) para fora de sua casa, só para prevenir que algo aconteça com eles diante do que está por vir. Além disso, temos a inevitável ascensão de Voldemort (Ralph Fiennes) perante o mundo bruxo e o mundo trouxa, exibindo o reflexo do poder de persuasão e dependência de seus Comensais da Morte. Decisões difíceis são feitas por todos os personagens, principalmente Hermione Granger (Emma Watson), e representam a complexidade e dedicação que essa guerra contra o mal irá demandar de seus combatentes. Embora a Ordem da Fênix reapareça para tomar as rédias e certificar que o jovem bruxo não sofra qualquer ataque de “você-sabe-quem” subitamente, o realce da queda do Ministério da Magia toma proporções alarmantes e retomam as imediatas precauções que devem ser tomadas. Apesar de termos várias situações postas em tela, a razão principal do filme continua a mesma: achar as horcruxes. Em meio a isso, Harry, Ron (Rupert Grint) e Hermione partem, agora sem proteção de nenhum de seus aliados, em busca dos objetos que simbolizam as almas do Lord das Trevas, agindo por impulso em seus próprios dilemas e fazendo uso de suas habilidades num futuro ainda incerto.


Evidentemente, o tema sombrio, sobretudo impostos anteriormente, continua cada vez mais abundante e coloca o diretor David Yates num patamar mais alto em relação à desenvoltura e amadurecimento que concedeu à saga. Não tendo que se preocupar em fazer adaptações escandalosas ou recriando cenas, o roteirista Steve Kloves apenas remodulou diálogos e interpretações relevantes para a obra cinematográfica, convencendo pelo empenho e se exemplificando com o maior teor de conteúdo que pode trabalhar. A tendência impressa pela Direção de Arte, Figurino e Fotografia, agora a cargo de Eduardo Serra, proporcionam cenários bem mais extensos e detalhistas até ao último objeto sendo exibido na tela, o que claramente causa nitidez de sombra e luz aos ambientes naturais predominantes. Não se pode deixar passar em branco a trilha sonora, comandada por Alexandre Desplat, que devastou completamente todo o acervo fantasioso de John Williams e projetou a profundidade que os acontecimentos demandavam. A dramatização é tão intensa e pode até mesmo causar repulsa em quem espera um longa-metragem feito conforme os moldes do universo mágico de Harry Potter, confraternizando com a proporção inigualável das tramas, que mesmo podendo ser cansativas, contribuem para o desenrolar de um ritmo mais preciso. Cenas de ação são inseridas da forma mais corretada para não amenizar a dimensão da essência desse gênero, atribuindo contundências que usufruem da violência (temos muito sangue exposto e torturas atenuantes).

A  atuação exercida pelo trio principal é digna de aplausos, tendo em vista o modo tão perspicaz com que conseguiram dar sentimentos de braveza, indignação e mágoa aos amigos inseparáveis de Hogwarts, que agora convivem diariamente com a incerteza de seus atos. Sem muitas delongas, Grint esclareceu que deixou de ser o melhor amigo de Harry para se tornar um ator de qualidade significativa, embora Watson e Radcliffe também mostrem suas melhores performances até aqui. Sem decepcionar, Fiennes conseguiu cativar o público como o vilão mais perverso do mundo bruxo e ainda de quebra deixar uma pontinha de sua proeza em convencimento de que é um dos personagens mais trabalhados por Rowling, enquanto Alan Rickman – que aqui apareceu bem pouco – despertou o olhar de uma possível compaixão e deixando a nós a missão de identificar seu ideal no enredo – que, na segundo parte, é desvendada com êxito. Além disso, devemos dar nossas gratificações para o pessoal que cuida dos efeitos especiais, afinal o que seria Dobby e a compilação de cenas incríveis senão a árdua dedicação dessa equipe?!

Por fim, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, além de gerar lucro contundente para a Warner Bros., atinge as expectativas concebidas por todos que ansiavam pela primeira parte da conclusão das aventuras do bruxo, mas também conduz a evolução de todas as peças reproduzidas pela autora em seu contexto de processo criativo – que chega a um estágio altíssimo e quase inalcançável por muitos outros escritores. E assim nem com a varinha das varinhas, ou a pedra da ressurreição e muito menos com a capa da invisibilidade poderemos prever o desfecho dessa saga, que se perdurou por longos anos e passou por uma geração inteira proclamando os feitiços em latim: afinal, Finite Incantatem!


***** (5/5)
Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1, Reino Unido/EUA, 2010
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 26min

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SAGAS: Harry Potter e o Enigma do Príncipe

por Léo Balducci

O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.

E o caminho do jovem bruxo começa a ficar estreito cada vez mais propício de erros e com inúmeras complicações que se permeiam no decorrer do passado do Lord das Trevas. Dessa vez, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” não trabalha o pessoal, mas sim o impessoal, toda a perversão iminente das sombras e o desencadeamento das situações mais precárias e desestimulantes. Ao contrário de seus antecessores, a ação passa a ser mero coadjuvante diante da dramatização e a consequência do isso influi no decorrer da trama.

Harry Potter (Daniel Radcliffe) deixa claro que seu legado nesse universo (como o eleito) é realmente confrontar seu maior inimigo ou, então, aceitar que a morte é a única saída de se precaver do futuro cruel que lhe espera. Em meio a vários acontecimentos, temos que nos centrar no mais importante. Aqui o tema da vez é um livro escrito pelo Príncipe Mestiço, que registra nas páginas velhas e empoeiradas do livro de Poções todos os métodos e aprendizagens de feitiços e experimentos que conheceu durante seu ano levito. Não mais do que se esperar, Harry acaba de apoderando das escritas e compartilhar do mesmo dom impermeável e maligno que se escondendo em cada orientação enquanto lida com o fato de estar se apaixonando por Gina Weasley (Bonnie Wright), a irmã caçula de seu melhor amigo Rony (Rupert Grint) – que também desperta emoções da irritante Lilá Brown (Jessie Cave) e ciúmes em seu amor desde sempre, Hermione Granger (Emma Watson). Sem tempo para muito romances, o bruxo inicia seus planos de matar Voldemort (Ralph Finnes) seguindo os conselhos de Alvo Dumbledore (Michael Gambom), com quem compartilha as novas descobertas do passado inesperado e triste do Lord das Trevas. No entanto para ter certeza de como seguir a partir daqui ele deverá extrair uma importante informação de seu novo professor de Poções Horário Slughorn (Jim Broadbent), agora que Severo Snape (Alan Rickman) finalmente conseguiu seu tão sonhado cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.


Apesar de termos algumas cenas cômicas – vindas principalmente do ótimo desempenho de Grint com seu personagem -, o filme segue uma complementação que vai além de qualquer vínculo com a comédia, muito pelo contrário, traça uma passagem que faz com que o drama fique mais profundo e desenvolva a estória escrita por J.K. Rowling, que consegue com méritos criar uma subdivisão de fatos que implementam os modos e artimanhas da sobrevivência de Harry. David Yates não só conduziu muito bem a direção, como também trabalhou incessantemente para a formação do gênero que a saga necessitava dominar, certificando-se de que Harry Potter deixou de ser sinônimo de somente uma franquia muito bem-sucedida para se tornar uma saga satisfatoriamente consagrada. A atuação invejável tirada dos atores Jim Broadbent, Helena Bonham Carter, adquirindo uma relevância fenomenal como Bellatrix Lestrange, e Helen McCrory, que interpreta Narcisa Malfoy, é tão impressionante que chega a dotar a noção de perfeição com que os personagens são trabalhados e tem suas características visadas até o único detalhe. Entretanto, quem deixa evidente que nasceu para ser ator é Alan Rickman, que consegue suprir o destaque que é dado a Snape de forma tão elogiável que palavras são poucas para descrever seu talento em extorquir cada parte íntima do mesmo. Michael Gambom também faz uma ótima persuasão de Dumbledore, não deixando transparecer em nenhum momento que o diretor de Hogwarts seja um alvo intocável (na verdade, agora ele parece bem tocável). Tom Felton surpreendeu a muitos quando, no momento mais imprevisto, soube administrar Draco Malfoy com toda a insegurança e convicção que o personagem buscava empregar.

O enredo muito bem complexo não impossibilitou que Steve Kloves fizesse seu melhor trabalho aqui, onde pode ter deixado a desejar perante os elementos presente na obra literária, mas soube com maestria coletar apenas as informações concludentes para a interpretação efetiva do público. “Enigma do Príncipe” é descrito como a adaptação mais infiel às páginas de Rowling, porém isso se faz necessário quando se têm em mãos grandes tramas que devem ser seguidas conforme os acontecimentos propiciam. A direção de Arte e a Fotografia dão seu último suor para trazer ambientes, cenários e contraste de luzes e personificações impecáveis, tendo como confirmação a pura essência do entrosamento da equipe. Um dos pontos altos que exerce a influência que o resultado desse bom trabalho tem é a Sala Precisa, em que uma infinidade de objetos mágicos é exibida com tamanha precisão que fica inevitável não recorrer aos pensamentos mais insanos de tentar descobrir o que se espreita por ali ou por aqui. Possivelmente os maiores aplausos venha do modo como o longa-metragem foi projetado para as telas, não precisando se apoiar em cenas de ação deteriorantes e cansativas ou fracas encenações de insustentáveis marcas do poder de Voldemort, tendo em vista que nesse momento o mais primordial é se focar na narrativa, recorrendo a flashbacks épicos que ajudam a entender os motivos que levaram a tempos difíceis com esse. Nota-se que as justificações do mundo mágico e tudo o que aconteceu para o que acarretou até aqui originaram tanto “Enigma do Príncipe” quanto “Ordem da Fênix”, pois ambos têm como objetivo principal introduzir o enredo da obra em sinônimos de explicações.

A batalha está começando e um grande céu nebuloso já começa a se instaurar e dar a dinâmica entre a restauração do abalado time do bem, que agora está com represarias de seu temido futuro. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é o potinho que faltava para construir a levada do final, que por acaso descende de encontrar as tão significativas horcruxes. Dessa vez, não há poção mágica ou armário semidouro que garanta o cessar da guerra, na verdade, Harry vai ter que tomar muita sorte líquida para poder enfrentar essa!

**** (4,5/5)
Harry Potter and the Half-Blood Prince, Reino Unido/EUA, 2009
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 33min

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SAGAS: Harry Potter e a Ordem da Fênix

por Léo Balducci

O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.

Nada de brincadeiras bobas ou feitiços desastrosos, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” vem para comprovar que, de uma vez por todas, o pequeno bruxo cresceu e tem que possuir maturidade suficiente para enfrentar todos os desafios do mundo adulto que começam a aparecer. O principal retoque que a saga necessitava surge do diretor britânico David Yates e das 700 páginas do livro de J.K. Rowling, que não só se aprofundou no personagem como também conseguiu induzir vários leitores para as profundezas do universo mágico.

Nos primeiros minutos da sequência, somos surpreendidos com a presença dos Dementadores invadindo a tela e causando o desconforto de saber que as criaturas sombrias podem vagar pelas ruas de Londres livremente (o que não é bem verdade). Portanto, o jovem bruxo não hesita em lançar um feitiço para espantá-los e acaba sendo mais uma vítima da cruel burocracia e injustiça do Ministério da Magia, que se nega a confirmar o retorno de Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Com a interferência do Ministério na ativa, a escola ganha uma representante do conselho, a empolgada de laço rosa no cabelo Dolores Umbridge (Imelda Stauton), que assume o cargo de professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Esse novo regime tanto impede que os alunos possam se expressar quanto de realmente aprender a se defender de tempos difíceis, que cada vez mais ficam evidentes de estarem chegando. Em busca de tentar se proteger Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Hermione Granger) resolvem criar a “Armada de Dumbledore”, uma espécie de grupo (secreto) que ajuda uns aos outros a praticarem feitiços de defesa e ataque. Como era de se esperar, o “garoto que sobreviveu” vai ter que lidar com muito mais do que apenas conflitos de um adolescente, mas também contra si mesmo.


É visível a qualidade que tanto o enredo quanto a direção tiveram até aqui, abusando do que todos os elementos que constituem a obra têm de melhor. Yates soube como ninguém até agora explorar seus atores ao máximo e tirar à essência dos personagens de tal forma que fica inevitável não esperar atuações mais sólidas e condizentes com a interpretação mais realista que a saga começa a programar. Um amadurecimento simultâneo parte dos protagonistas, principalmente de Radcliffe, que se consagram como as grandes revelações do cinema britânico (e até mesmo mundial). Impecável é o que se pode dizer das interpretações feitas por Imelda, Michael Gambon, Alan Rickman, Fiennes, que sabem dar a dosagem exata de dramaticidade e efeitos cômicos – que mesmo sendo poucos, dão ritmo ao filme. Temos também a atuação de Evanna Lynch como Luna Lovegood, que é propositalmente o que se poderia esperar (não chocou, mas também não decepcionou). Além disso, contamos também com a possibilidade de conhecer o passado de alguns personagens já trazido à trama anteriormente, como é o caso da trajetória trágica de Neville Longbottom (Matthew Levis). Aplausos infinitos vão para Helena Bonhan Carter que desempenha de forma magnífica o papel da malvada Bellatrix Lestrange, onde mesmo com poucos minutos em cena consegue ganhar um imenso destaque e faz com fervor e crueldade uma das cenas mais emocionantes da saga (a risadinha maligna é, sem dúvida, a mais cativante).

Quem também está de parabéns de novo é a direção de arte, que a cada ano recebe mais admiráveis méritos por inserir na tela toda a proporção de cenários e ambientes que focalizam a trajetória da estória e ainda projeta uma fotografia imensurável que provoca a sensação de não querer nem ao menos piscar. Não há como negar que os efeitos visuais chegam ao seu auge de especialização, contribuindo para uma exploração mais amplificada dos elementos mágicos, que foram cautelosamente inspecionados por Yates. Assumindo o roteiro, Michael Goldenberg prova que tem uma formação muito aperfeiçoada em tirar apenas o mais importante, aparando muito bem as arestas e não deixando nenhuma parte isolada ou sem compreensão, o que contribuiu para o desenrolar mais solto e preciso do enredo cada vez mais atribuídos de complementação mútua. Nicholas Hooper fica responsável por trabalhar a composição das cenas e esclarece que sabe muito bem sincronizar os acontecimentos com os efeitos sonoros mais propícios, fazendo uso de partes conotadas do tema original produzido por John Williams.

Sabendo que em nenhum momento teríamos um longa-metragem que fosse direto ao ponto de abrir o império do mal de Voldemort, elogios para Rowling em tirar lá do fundo da “cachola” essa introdução mais sombria antes de dar o pontapé inicial nos planos do Lord das Trevas (afinal, quem poderia imaginar que ninguém iria acreditar em Harry?). Está tudo muito bom, tudo muito “à lá profecia”, entretanto “Harry Potter e a Ordem da Fênix” não é de imediato o ponto mais forte das aventuras do bruxo, mas consola os fãs por trazer um amadurecimento bem profundo e conveniente com as exigências que um público mais adulto anseia. De qualquer modo, quem aí não quer ver um testrálio?

**** (4,5/5)

Harry Potter and the Order of the Phoenix, Reino Unido/EUA, 2007
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 18min

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SAGAS: Harry Potter e o Cálice de Fogo

por Léo Balducci

O texto a seguir faz referência à obra cinematográfica.

Consagrando-se cada vez mais como a saga mais lucrativa de todos os tempos, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” aparece num momento crucial para a franquia, em que um amadurecimento imediato é o próximo capítulo a ser visto. Percebendo que tanto os livros quanto os filmes demoravam cerca de dois anos para serem apresentados ao público, Joanne Rowling tratou logo de encarar o fato de que seus leitores crianças agora são jovens e até mesmo adultos e exigem um enredo que seja desenvolvido conforme seu raciocínio mais apurado. Portanto, o 4º filme do bruxinho chega para trazer o que tem de melhor tem: muita ação, mistérios e feitiços!

A princípio, somos introduzidos a Harry Potter (Daniel Radcliffe) fora da casa de seus tios chatos, já na casa de seu melhor amigo Rony Weasley (Rupert Grint). Para apreciar o que o mundo da magia tem de melhor, ele, acompanhado da família Weasley e de Hermione Granger (Emma Watson), vão acampar para poder conferir o maior evento esportivo bruxo, a Copa Mundial de Quadribol. Assim que chega em Hogwarts, percebe que as coisas continuam mudando e uma grande competição entre as 3 maiores escolas de magia vem se aproximando. O Torneio Tribruxo escolhe um aluno de cada escola para participar de 3 tarefas cruéis e até mortais, exigindo que os mesmos tenham acima de 17 anos para poder se inscrever. No entanto, Potter acaba sendo um dos papéis sorteados inesperadamente, já que além de não ter a idade apropriada também se torna o 4º competidor. A partir daí, desperta uma série de acontecimentos que desencadeiam num chamado do próprio Lord Voldemort (Ralph Fiennes) para algo maior do reviver de seu domínio no mundo bruxo.


É muito inteligente de Rowling fazer uso de uma espécie de Olimpíadas para destacar um aprimoramento na estória e ainda atrair jovens leitores para se aventurar no contexto de sua obra. Temos aqui um dos melhores filmes de toda a saga (dessa vez, o roteirista Steve Kloves achou o auge de seu talento), devido ser promissor para o que está por vir nos próximos capítulos da franquia, influenciando na origem e na estrutura dos caminhos que somos guiados pelo jovem bruxo. Além disso, o mérito do diretor britânico Mike Newell (O Sorriso de Monalisa) é extremamente merecido, tendo em vista o modo como soube trabalhar com as características dos personagens e das situações, construindo um elo perfeito entre o antes e depois num controle que complementa o drama, a ação, o suspense e o romance. São de suma importância à presença dos atores Brendan Gleeson e Miranda Richardson interpretando, respectivamente, o professor excêntrico Olho-Tonto Moody e a jornalista sem escrúpulos Rita Skeeter, que dão o toque final para uma interpretação que beira tanto a comédia quanto a dramaticidade. Vale deixar claro que colocar Fiennes para viver o papel de Voldemort foi, de longe, uma das melhores escalações já feitas em toda a saga, onde o ator consegue fazer o vilão central como uma essência tão grande que chega a ser impossível não começarmos a odiá-lo desde já.

A fidelidade aos elementos e cenários do mundo mágico ainda é mantido pela equipe tão especializada em arte que é inevitável não ceder elogios. A trilha sonora também ganha um novo suspiro, agora idealizada pelo compositor Patrick Doyle, que dá a reação necessária para que todo o enredo siga de forma conclusiva, utilizando até mesmo de uma banda no Baile de Inverno, constituída por Jarvis Cocker e Jason Buckle, do Pulp, e Johnny Greenwood e Phil Selway, ambos do Radiohead. E se a melodia já está tão boa, o quê se pode dizer dos figurinos? Bom, são altamente feitos com precisão para a caracterização dos personagens e também contribuem para a elaboração de sentidos que aprofundem as tramas, dadas com direção própria e efetiva. Os papéis de Cedrico Diggory (Hogwarts),  Vitor Krum (Durmstrang) e Fleur Delacour (Breauxbatons), os escolhidos das escolas para o  Torneio Tribruxo, ficaram a cargo de, respectivamente, Robert Pattinsson, Stanislav Ianevski e Clémense Poésy, que souberam dar a dinâmica essencial das diferentes etnias e idiomas.  E se Harry tem tanta habilidade assim em lidar com situações extremamente perigosas, que vão desde escapar de um dragão Rabo Córnio-Hungáro até mergulhar nas profundezas do Lago Negro e enfrentar a pressão de um Labirinto Enfeitiçado, temos que aplaudir mais uma vez os efeitos especiais, que agora tratam de gerar um papel ainda mais indispensável para a realidade dos feitos.

A utilidade de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” só fica mais eminente a cada cena teletransportada das linhas escritas por Rowling e traça uma propagação bem mais abrangente das ironias e típicas sensações de um jovem adolescente apaixonado, essas que dialogam com o amadurecimento sombrio necessário da saga. Nem mesmo as considerações de mistérios ou o confronto direto com o inimigo superam a insegurança e ansiedade de se convidar uma garota para o baile (que fique anotado)! Afinal, "embora falemos línguas diferentes e tenhamos objetivos diferentes, o coração que bate em nossos peitos é um só"!

**** (4,5/5)
Harry Potter and the Goblet of Fire, Reino Unido/EUA, 2005
Direção: Mike Newell
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson
Duração: 2h 37min

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